Jornal Mundo Espírita

Julho de 2020 Número 1632 Ano 88

O apelo

junho/2014

Se nos dispusermos a olhar o contexto social geral, por alguns instantes, com apurada atenção, identificaremos aspectos comportamentais muito graves, alguns dos quais somos copartícipes, mesmo que inconscientemente.

Vejamos, por exemplo, em nome do descanso e da distração, os seriados de maior audiência na TV que assistimos, alguns se sustentando no ar por vários anos, cujos temas recorrentes são vampiros, zumbis e todos os demais personagens aterrorizantes, incluindo-se assassinos em série, assassinos de aluguel, tendo, ainda, por pano de fundo o também grave problema das drogas.

Um outro comportamento comum entre os jovens, também em nome da distração, da curtição de final de semana nas baladas: a bebida alcoólica e suas misturas alucinantes, sem falarmos de outras drogas.

Os comprometimentos negativos na área sexual, nas mais variadas faixas etárias, se faz cada vez mais presente no dia a dia e mais escancarado, propalado, como se positivo fosse, pelas mídias, e vem cantado em prosa e verso, incutindo na mente popular que esse é o padrão comportamental a ser adotado por todos, o que gera um efeito devastador aos reais padrões morais, nas famílias, nos lares.

Há muito mais que serviria de exemplo, infelizmente.

A sociedade somos todos nós, onde interagimos segundo a bagagem moral que temos.

Com essa bagagem vivemos no contexto familiar, no ambiente do trabalho profissional, na sociedade, enfim.

E a bagagem moral de cada um foi ou vem sendo adquirida incialmente no meio familiar e, de modo também muito intenso, com a contribuição das escolas.

Ao Espírito Benfeitor Emmanuel, guia espiritual do notável trabalho de Francisco Cândido Xavier na Terra, foi perguntado:

Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?

Emmanuel assim respondeu: A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem (…).(O Consolador, pergunta 110.)

Ora, sendo a sociedade o reflexo do que é o homem e sendo o homem o reflexo do que é a família, há de se convir, sem necessidade de muita argumentação, que é preciso se refazer o lar, as bases morais estruturais da família, com urgência.

E nessa empreitada, homens e mulheres devem somar forças em seu benefício.

O magistral Khalil Gibran, em seu poema O casamento (in O Profeta), canta:

ALMITRA falou de novo e disse:

– Mestre, que pensais do Casamento?

Ele respondeu, dizendo:

– Nascestes juntos, juntos ficareis para sempre.

Ficareis juntos quando as asas brancas da morte

dispersarem os vossos dias.

Sim. Ficareis juntos até na silenciosa memória de Deus.

Mas que haja espaço na vossa comunhão;

e que os ventos do céu dancem no meio de vós.

Amai-vos um ao outro,

mas não façais do amor um empecilho:

seja antes um mar vivo entre as praias das vossas almas.

Enchei cada um o copo do outro, mas não bebais por um só copo.

Partilhai o pão; mas não comais do mesmo bocado.

Cantai e dançai juntos, sede alegres;

mas permaneça cada um sozinho,

como estão sozinhas as cordas do alaúde

enquanto nelas vibra a mesma harmonia.

Dai os vossos corações; mas não os confieis à guarda um do outro.

Porque só a mão da Vida pode conter os vossos corações.

Mantende-vos juntos, mas nunca demasiado próximos;

porque os pilares do templo elevam-se, distanciados,

e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro.

Nas letras desse canto suave de Gibran, aprendemos que homens e mulheres formam, individualmente, um conjunto de forças, tão mais fortes quanto mais coesos, harmônicos e homogêneos forem os ideais, o caráter de cada um.

Lecionam os Benfeitores da Humanidade em O Livro dos Espíritos:

819. Com que fim mais fraca fisicamente do que o homem é a mulher?

“Para lhe determinar funções especiais. Ao homem, por ser o mais forte, os trabalhos rudes; à mulher, os trabalhos leves; a ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor.”

821. As funções a que a mulher é destinada pela Natureza terão importância tão grande quanto as deferidas ao homem?

“Sim, maior até. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.”

Às mulheres, em especial, e aos homens, o nosso apelo: retornem aos seus lares, voltem-se à educação dos filhos, deem sua essencial contribuição na reestruturação da família. Exemplifiquem, empenhem-se, persistam.

Também para essa missão, contem com a excelência dos ensinos espíritas em seu apoio, em seu auxílio, como roteiro de luz a ser seguido.

Na sua grandiosa tarefa de cristianização, essa é a profunda finalidade do Espiritismo evangélico, no sentido de iluminar a consciência da criatura, a fim de que o lar se refaça e novo ciclo de progresso espiritual se traduza, entre os homens, em lares cristãos, para a nova era da Humanidade. (O Consolador, pergunta 110.)

Pais, mães, educadores em geral, lembremo-nos dos ensinos: Educa e transformarás a irracionalidade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude.

Educa e edificarás o paraíso na Terra.

São palavras de Emmanuel para você (Fonte Viva, cap. 30, psicografia de Francisco Cândido Xavier), fundamentando o apelo que o mundo nos dirige hoje.

Sejamos todos mais proativos na construção de dias melhores, começando com nossa reeducação, outro desafio de urgência.

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