Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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O anjo de Mato Grosso

outubro/2015 - Por Maria Helena Marcon

Ela nasceu na cidade de Wald, zona sudoeste do Cantão de Zurique, na Suíça, em 30 de junho de 1918, quarta filha de seus pais. Aos três anos começou a ajudar nos serviços da casa.

Certa vez, ao ganhar uma rosa, como recompensa por uma tarefa realizada, ela a levou para a professora, na escola. Pela primeira vez, ela viu o efeito de um gesto de amor espontâneo: os olhos da mestra resplandeceram de alegria e duas lágrimas rolaram pela face. Disse Rachele que, neste momento, percebeu que é preciso bem pouco para fazer uma pessoa feliz.

Rachele cresceu e, durante suas férias escolares, em vez de viajar a passeio, dedicava-se a ajudar idosos e deficientes. E tudo fazia de forma gratuita, considerando paga suficiente a oportunidade de distribuir amor.

Decidiu tornar-se enfermeira e, durante seus estudos, era infatigável. Todo horário livre, dedicava-se a auxiliar aos outros. Concluiu seus estudos em 1945, recebendo o diploma de enfermeira da Cruz Vermelha.

Ela tinha um irmão caçula, Benjamin, que viera para o Brasil, e mergulhara nas imensas selvas do Mato Grosso, o Inferno Verde. Desde a infância, ele se sentia fascinado pelas histórias da selva, dos animais selvagens e dos índios.

Vivia da forma que sempre sonhara, longe da civilização, trabalhando como peão em fazendas, na colheita da borracha, para ganhar seu sustento.

Entristecida pela morte dos pais e tendo recebido um convite desse irmão para visitar o Brasil, Rachele aqui aportou. Para sua surpresa, no aeroporto foi recepcionada por grande parte da cidade de Cuiabá e redondezas, pois seu irmão se encarregara de avisar amigos e colegas da sua chegada.

Logo, a pequena e magra enfermeira suíça, Rachele Steingruber, estava trabalhando como enfermeira chefe em uma maternidade. Ela não sabia falar português e, muitas vezes, para se fazer entendida, comunicava-se com gestos.

Conta Rachele que, numa das manhãs, quando chegou à porta do hospital, encontrou uma jovem índia chorando. Ela não tinha dinheiro e nenhuma indicação médica. Passara a noite ao ar livre e dera à luz uma menina. Possivelmente exausta, deve ter deixado a neném cair. O pequeno corpo ensanguentado e sem vida jazia no chão, ao seu lado. A enfermeira cuidou da infeliz mãe e enterrou a criança.

Este fato a fez tomar uma decisão: demitiu-se do hospital. Procurou o irmão e disse que desejava ajudar as pessoas sem recursos, pois não podia vê-las sofrendo, somente por não terem dinheiro para se tratar.

Retornou à Suíça para aperfeiçoar seus conhecimentos, a fim de melhor ajudar. Um ano depois, voltou ao Brasil.

Com seus recursos, comprara a passagem, instrumentos cirúrgicos, bisturis, seringas, medicamentos e ataduras, tudo que precisava para montar um consultório próprio, em pequena localidade de Mato Grosso.

A sua era uma casa com dois cômodos: um era seu quarto, o outro, o consultório, embora muitas vezes, pela necessidade, tivesse que dividir o seu quarto com doentes.

Eram cerca de duas mil pessoas que ali viviam. A maioria, mestiços. Para eles, ela era a mulher branca enviada pela misericórdia de Deus para ajudá-los. E a boa notícia se espalhou por todos os cantos da região amazônica.

Essa missionária escreveu no livro dos que amam a vida, uma das mais belas páginas relacionadas com o alívio do sofrimento físico e espiritual, de um povo sem recurso e sem amparo.

Às vezes, embrenhava-se na mata e no cerrado, em plena noite, para levar remédios aos sofredores, acidentados ou vítimas de picadas de cobra. Ela mesma salvou um recém-nascido, apanhado por uma sucuri.

No final da década de oitenta, ao retornar de uma viagem à Europa, onde fora tratar de uma infecção nos olhos, um grande susto. Rachele foi impedida de reassumir o trabalho no seu ambulatório.

Chegou a apelar à Embaixada Suíça e a pessoas influentes na Europa. Foi quando o suíço Peter Hans Schneider, amigo do médium Divaldo Pereira Franco, entrou em contato com ela, recomendando que procurasse o médium na Mansão do Caminho, em Salvador, onde ele também estaria.

Nesse encontro, Rachele experimentaria forte emoção. Divaldo psicografou mensagem de Joanna de Ângelis, dirigida à missionária, na qual destacava antigos compromissos assumidos por ela, tarefas que incluíam o próprio Peter Schneider.

Bastante comovida e agradecida, Rachele retomou as lutas junto aos necessitados, confiante na Providência Divina. Conforme orientação de Divaldo procurou a Federação Espírita do Estado de Mato Grosso.

Nasceu, então, em 16.11.1991, a Fundação Beneficente Nova Suiça, hoje Fundação Nova Suiça Rachele Steingruber e Rachele pôde prosseguir na sua tarefa abençoada.

Em 1973, a missionária recebeu o Prêmio e Medalha Albert Schweitzer, das mãos do próprio Albert, médico alemão que dedicou mais de quarenta anos em serviços humanitários na África Equatorial.

Rachele partiu para a Espiritualidade, em junho de 2006. Rebecca, sua irmã, que se irmanara ao mesmo trabalho desinteressado, a seguiu, dois meses depois.

Segundo relatos mediúnicos, as duas irmãs continuam trabalhando em favor dos necessitados, no posto de socorro espiritual erguido naquele ponto do orbe terreno.

 

Bibliografia:

1.http://osmercenariosunivag.blogspot.com.br/2013/09/historia-de-rachele-steingruber.html

2.http://novasuica.blogspot.com.br/

3.http://novasuica.org.br/

4.Dirigente Espírita- veículo de comunicação da USE-SP, ano XXV, nº 148, de julho/agosto 2015.

5.O anjo de Mato Grosso, Hans Haller.

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