Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2017 Número 1601 Ano 85

Nova Cafarnaum

junho/2017

Jesus, ao ouvir que João tinha sido preso, voltou para a Galileia e, deixando Nazara, foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, nos confins de Zabulon e Neftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região além do Jordão, Galileia das nações! O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; aos que jaziam na região sombria da morte, surgiu uma luz.

Em alguns manuscritos aparece Capernaum. Mas, os testemunhos mais antigos, inclusive de Josefo, trazem Capharnaum, que significa, Cidade do Consolador. Literalmente, Nahum é a forma intensiva, que corresponde ao sufixo oso, isto é, rico em, cheio de; nahum, rico de consolação ou consolador. Cafar ou K’Far, que quer dizer vila, cidade.

Ali, Jesus situou o fulcro do Seu ministério, e foi na casa de Simão Bar Jonas que Ele estabeleceu o piloti para erguer posteriormente o Seu reino.

Percorreu, no máximo, quatrocentos quilômetros a pé. Sua voz, no entanto, alcançou a História da Humanidade desde o dia em que saiu a ensinar.

Meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem…

Amar ao próximo como a si mesmo, e a Deus acima de todas as coisas…

Se guardarem os meus mandamentos, permanecereis no meu amor…

O amor… Essência de Sua mensagem, tijolo de Seu Reino.

Mas… por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará… e Jesus promete outro Consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo havia dito.

Consultando O Evangelho segundo o Espiritismo, em seu capítulo VI, item 4, anotamos a consideração de Allan Kardec, insigne codificador da Doutrina Espírita: o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e porque está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.

Espiritismo, doutrina eminentemente cristã, tem Jesus como guia e modelo, vem revivificar Seu Evangelho, conduzindo o Consolador em Seu retorno.

Por conseguinte, sendo cada Centro Espírita a expressão material dessa Doutrina, ali congregando os seus adeptos para estudarem seus postulados,  praticarem seus princípios e exercitarem a caridade, abre suas portas para recepcionar todos quantos têm necessidade de esperanças e de consolações.

Configura o Espiritismo e, por conseguinte, cada Centro Espírita, a casa do Consolador, uma nova Cafarnaum.

As cinco obras da Codificação compõem os cinco pilares de sustentação da nova Cafarnaum, e tudo prossegue sob a égide do Amor, conforme ditame do Espírito de Verdade: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo…

Lembra-nos Lins de Vasconcellos, Espírito: O Espiritismo, consolidando a promessa de Jesus Cristo, trouxe à Terra um novo “modus-operandi” capaz de estimular o espírito humano no roteiro da dignificação pessoal e social, fazendo-o religioso com religiosidade íntima, capaz de ligá-lo, realmente a Deus, destarte, convocando-o para o auxílio aos náufragos e vencidos morais do mar proceloso das aflições, redimindo-se, por fim, através da redenção que propicia ao próximo.[1]

Espíritas, somos aqueles que repetimos, vivenciando, falando, escrevendo, orientando, as máximas do Cristo, na busca da construção do Reino dos Céus em nossos corações, contribuindo para que ele se dê junto aos nossos irmãos de jornada evolutiva.

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha, lemos Jesus em Mateus, cap. 7, versículo 24, que enfatiza a necessidade de realizações pessoais.

Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes, foi a condição apresentada por Jesus. [2]

Em consonância com os ensinos do Mestre, o Venerando Benfeitor Espiritual Bezerra de Menezes, recomenda: Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar. [3]

Teoria e prática. Que adianta o conhecimento de toda a ciência do bem e do mal se ele de nada nos serve? Que significado tem o decorar todo o texto evangélico, se os ensinamentos não são vividos?

O Apóstolo Tiago, assertivo como sempre, em sua Epístola 1, 22-25, esclarece: Mas não peço só para ouvirdes a mensagem. É necessário pô-la em prática; de outro modo andais a enganar-vos a vós próprios.

O Centro Espírita, atendendo sua destinação superior, precisa ser fiel aos preceitos basilares de sua origem cristã, conjugando o verbo amar na prática de todos os instantes, pois quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito.

Ouvir, sim, os preceitos da Espiritualidade Superior, mas agir, segundo nos orientam, porque se sabemos e não fazemos o que o bem nos ensina, melhor fora não saber, para não sermos tributados, com taxas de maior sofrimento, nas grades da culpa, nos traz como conclusão, o Espírito Emmanuel.

Bibliografia:

1 FRANCO, Divaldo Pereira. Sementeira da fraternidade. Por Espíritos diversos. 2. ed. Salvador: LEAL, 1989.  cap. 52.

2 BÍBLIA, N. T. João. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais no Brasil, 1988. cap. 13, vers. 17.

3 XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Bezerra de Menezes. Unificação. Reformador, Rio de Janeiro, dez. 1975.

4 __________. Palavras de vida eterna. Pelo Espírito Emmanuel. Uberaba: CEC, 1985. cap. 95.

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