Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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No invisível

setembro/2013 - Por Maria Helena Marcon

Dans l´Invisible veio à luz no ano de 1903, na França, com quinhentas páginas. No Brasil, a primeira publicação data de 1919, pela Federação Espírita Brasileira – FEB e, após o título No Invisível, consta

Espiritismo e mediunidade

Tratado de Espiritualismo Experimental

Os fatos e as leis

Os fantasmas dos vivos e os Espíritos dos mortos

Fenômenos espontâneos – Tiptologia e psicografia.

A obra surgiu em oportuno momento, considerando-se que as experimentações mediúnicas se multiplicavam, desde a publicação das obras de Allan Kardec, especialmente de O livro dos médiuns.

No Grupo de Tours, França, sua cidade, Léon Denis amealhara inúmeros esclarecimentos sobre muitos pontos da mediunidade. Refere-se ele a três senhoras médiuns que trabalharam no Grupo de Estudos Psíquicos de Tours de 1893 a 1901.

Descreve que as incorporações se sucediam, por vezes, manifestações simultâneas. Dois Espíritos conduziam, particularmente, a direção do grupo e se manifestavam em todas as sessões: o Espírito Azul (assim denominado porque os médiuns o viam sempre envolto num véu azul) e Jerônimo de Praga, principal e  mais devotado discípulo de Jan Huss, o célebre reformador religioso tcheco. Como Huss, ele foi queimado na fogueira em 30 de maio de 1416.

O autor analisa a questão da identidade dos Espíritos, citando as características da linguagem e as formas de expressão, além do próprio conteúdo das mensagens. Falando do Espírito Azul narra que, quando se manifestava, a médium adquiria uma expressão seráfica, a voz se tornava extremamente doce e melodiosa, a linguagem era poética e irrepreensível.

Por sua vez, Jerônimo utilizava palavra vibrante, exprimindo-se por períodos incisivos, em termos escolhidos, demonstrando ser orador e combatente, num atestado inconteste de seu apostolado na Terra.

O livro se divide em três partes. Na primeira, são apresentadas  as leis do Espiritismo Experimental, em onze capítulos, dedicado um deles especialmente à mulher, que desempenha a função de mediadora na família e no terreno das crenças, [e que] deve servir ainda de intermediária entre a nova fé em ascensão e a fé antiga, que está declinando e se empobrecendo.1

A segunda parte, em dez capítulos, trata dos fatos do Espiritismo Experimental, com classificação dos fenômenos e estudos que Denis fizera pessoalmente. Diga-se que, antes de ser orador, Léon Denis fora médium escrevente. Seus dons de intuição e de inspiração outra coisa não tinham feito senão modificar-se. Sentia-se em contato permanente com seus amigos invisíveis. Finalmente, mediante a incorporação, conseguira obter mensagens de máximo interesse. 1

A terceira e última parte, com cinco capítulos, fala das grandezas e das misérias da mediunidade. Conclui com o capítulo intitulado A mediunidade gloriosa.

É uma verdadeira apoteose, onde escreve que tudo se liga no plano universal.  As esferas superiores promovem a educação dos mundos inferiores. Os Espíritos celestes se fazem instrutores das Humanidades atrasadas. A ascensão dos mundos de prova para os de regeneração é o mais belo espetáculo que pode ser oferecido à admiração do pensador.

Desde as mais elevadas e brilhantes esferas às regiões mais baixas e obscuras; desde os mais radiosos Espíritos aos homens mais grosseiros, o pensamento divino se projeta em catadupas de luz, numa efusão de amor.2

Cita Gaston Luce, um dos biógrafos de Léon Denis, que Le Mercure de France (fundada por Jean Donneau de Visé, em 1672, com o nome de Le Mercure Galant, era uma revista trimestral, depois mensal, que objetivava publicar matérias de interesse geral, poemas e historietas. Mudou seu título para Le Mercure de France, em 1724, deixando de circular em 1825.  No século XIX, surgiu como revista literária, datando sua primeira publicação de 1º de janeiro de 1890) consagrou um artigo ao livro de Léon Denis:

No Invisível é um tratado de Espiritualismo Experimental; mas esse trabalho, instrutivo como tratado, é sobretudo arrebatador como romance. E haverá romance mais emocionante, mais misteriosamente angustioso e alegremente triunfante, que a história da alma humana?

O leitor desejaria poder anotar essas revoadas eloquentes, essas páginas inteiras que gostaria de ler novamente para saboreá-las, páginas consagradas à mulher, ao poder do pensamento, à crença universal, à sobrevivênvia… E que dizer então desse delicioso capítulo sobre a mediunidade gloriosa, que irradia a chama de cem gênios!1

Desfilam pelas páginas de No Invisível, muitos nomes consagrados das experiências mediúnicas, como a Sra. Piper, Eusápia Paladino, Florence Cook, além de relatos de experiências mediúnicas em vários países da Europa e dos Estados Unidos, com reproduções de reportagens e notícias de jornais e revistas da época.

Como se expressou Laurent de Fagé, em conferência de 1º de novembro de 1903, na Sociedade Francesa de Estudos de Fenômenos Psíquicos:

O belíssimo livro que hoje nos apresenta o Sr. Léon Denis é o fruto maduro da sua grande experiência, o resultado brilhante e sólido das suas investigações e do seu saber.

Com ele, o Espiritismo abandona as práticas costumeiras, os campos rivais, as capelas fechadas; eleva-se a um conceito superior de vida espiritual e de vida moral. Vai do fato à ideia, da experimentação científica ao nobre impulso da alma rumo à virtude.

Não percamos a oportunidade de lhe devassar o precioso conteúdo.

 

Bibliografia:

1.LUCE, Gaston. No invisível. In.:___. Léon Denis, vida e obra. 2. ed.São Paulo: EDICEL, 1978, cap. X.

2.DENIS, Léon. A mediunidade gloriosa. In.:___. No invisível. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973, pt.terceira,cap. XXVI.

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