Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Nilson, o homem de bem da nova era

janeiro/2014 - Por Com colaboração de Suely Caldas Schubert

No dia 21 de novembro de 2013, às 4h40min, na cidade de Salvador, Bahia, retornou a pátria espiritual NILSON DE SOUZA PEREIRA, incansável trabalhador da seara espírita, com inúmeras tarefas no bem. Sempre pensou no bem estar das suas crianças, milhares que passaram pela Mansão do Caminho, obra assistencial fundada por ele e por Divaldo Pereira Franco.

De origem humilde, nasceu em 26 de outubro de 1924, no subúrbio ferroviário de Plataforma, em Salvador, sendo seus pais José Leocádio Pereira e Marieta de Souza Pereira. Foi bancário, telegrafista da Marinha e funcionário dos Correios e Telégrafos, onde se aposentou.

Sempre sereno, seguro, com um sorriso amigo para quem dele se aproximasse, granjeou amigos em todos os lugares. Tratava as pessoas com carinho imenso, deixando um rastro de amizade e tranquilidade por onde passava. Sempre tinha uma palavra amiga, uma observação carinhosa, um olhar terno.

Nilson e Divaldo, sob inspiração da mentora Joanna de Ângelis, fundaram inicialmente o Centro Espírita Caminho da Redenção, no dia  7 de setembro de 1947 e, em 15 de agosto de 1952, a Mansão do Caminho, que teve o seu primeiro endereço na Rua Barão do Cotegipe,  124 no Bairro Calçada – Salvador. Em 1955, os dois Trabalhadores do Bem, com a ajuda de muitos amigos, compraram o terreno de 78.000m², no Bairro Pau da Lima – Salvador, onde hoje está instalada essa grande obra de amor ao próximo, de fraternidade e de caridade aos que passam por situações adversas, e que ali encontram a esperança e a oportunidade de uma existência digna e feliz.

Tio Nilson, como era carinhosamente chamado, era um administrador nato, que ajudou a erguer a Mansão do Caminho. Divaldo Franco na sua tarefa evangelizadora, viajando pelo Brasil e pelo Mundo e Nilson de Souza Pereira, na retaguarda, dando o apoio ao amigo inseparável na obra que os dois fundaram.

Sempre trabalhador, após a sua aposentadoria, dedicou-se exclusivamente à Mansão do Caminho e ao Centro Espírita Caminho da Redenção, onde era encontrado em atividade constante, fosse na gráfica ou na coordenação de trabalhos no Centro Espírita, sempre com muita alegria e um sorriso amigo.

Nas reuniões mediúnicas, no trabalho de diálogo com os Espíritos que se comunicavam, sua voz terna e cheia de amor os encaminhava para os mentores no trabalho de elucidação e atendimento fraterno.

Também foi redator da revista Presença Espírita, órgão de divulgação do Centro Espírita Caminho da Redenção, há trinta e nove anos e foi o responsável pela organização dos seguintes livros: Terapia Espírita para os desencarnados; A Serviço do Espiritismo (Divaldo Franco na Europa); …E o Amor Continua; Exaltação à Vida; Depois da Vida; Vidas em Triunfo; Viagens e Entrevistas.

Para seus interlocutores sempre tinha uma história para contar, dos tempos do pioneirismo da construção da Mansão do Caminho, naquele local muito afastado da cidade de Salvador. Falava do seu tempo de telegrafista da Marinha, quando, na época da Segunda Guerra Mundial, ficava vigilante, no litoral da Bahia, informando os navios que passavam na Costa. Das dificuldades encontradas e do cansaço que muitas vezes chegava antes do fim do dia, na construção da Mansão. Mas, sempre terminava a narrativa com um sorriso maroto. Como quem sabia que nada o demoveria da sua tarefa.

Em 30 de dezembro de 2005, Nilson recebeu o título de Embaixador da Paz no mundo pela Ambassade Universelle pour la Paix, em Genebra, capital da Organização Mundial da Paz, braço da ONU, Suíça, concedido pelos relevantes serviços prestados à Humanidade, se constituindo no 206º Embaixador da Paz.No entanto, seu maior troféu foi, com certeza, o sorriso amigo que recebia das crianças atendidas na Mansão. Esse, seguramente, lhe dava maior satisfação, pois era o reconhecimento pelo trabalho executado. Mãos que agradeciam a ajuda recebida, personagens da vida que recebiam o fruto do seu esforço, retirando-os da miséria absoluta.

Quantas crianças tiveram suas vidas preservadas não só pelo alimento físico, pelas roupas que lhes cobriam os corpos, mas pelo amor que lhes aquecia os corações e o sorriso que afastava a tristeza dos seus olhinhos infantis. Não há reconhecimento maior do que o sorriso de uma mãe agradecida ao ver seu filho atendido nas suas mais simples necessidades.

Os milhares de sorrisos de reconhecimento foram levados pelo Tio Nilson no seu retorno à Pátria Espiritual. Ficamos imaginando a recepção que esse Espírito valoroso recebeu no seu retorno. A satisfação dos Mentores Espirituais, que lhe avalizaram a reencarnação, ao verem seu protegido ter cumprido sua missão neste planeta de provas e expiações, com tanta distinção.

Foram oitenta e nove anos de uma vida profícua, sobretudo pela exemplificação daquilo que nos mostra a Doutrina Espírita nos seus postulados iluminativos e consoladores. Fica o legado do trabalho desse amigo e companheiro para as futuras gerações que continuarão sendo atendidas pelos trabalhos assistenciais da Mansão do Caminho.

Tio Nilson, muito obrigado por ter convivido conosco e leve, em seu coração, nossa eterna gratidão pelo seu exemplo de vida.

 

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