Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Necessidade do trabalho

setembro/2016 - Por Antônio Moris Cury

Ao contrário do que alguns pensam, o trabalho é uma Lei da Natureza que, como decorrência, deve ser respeitada e cumprida.

É, ao mesmo tempo, um dever e uma necessidade, uma vez que não trabalhar constitui infração à lei, que claramente produz sérias consequências (com exceção de algumas poucas hipóteses – perfeitamente admissíveis e compreensíveis).

A toda evidência, não se trata de castigo como algumas pessoas chegam a externar, às vezes, até mesmo publicamente.

Com efeito, Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito.1

Assim, trata-se de uma excelente oportunidade de honestamente ganhar o pão de cada dia e de aperfeiçoar cada vez mais a inteligência.

As dificuldades e os problemas, que surgem em toda e qualquer atividade produtiva, são verdadeiros desafios que precisamos enfrentar com naturalidade em nosso dia a dia, ocasião em que nossa inteligência é agitada e impulsionada na busca das melhores soluções, razão pela qual progredimos e avançamos pela via do seu aperfeiçoamento.

Não é difícil entender a necessidade do trabalho. Basta que lembremos que no planeta Terra, por exemplo, nossa existência transcorre em regime de interdependência, ou seja, dependemos uns dos outros. E é muito bom que assim seja, porque cada um presta o seu contributo à coletividade, de tal modo que colabora para o equilíbrio das necessidades materiais e intelectuais e, também, para o equilíbrio das relações humanas e sociais.

Se prestarmos bastante atenção, observaremos que nada está parado na Terra, tudo se movimenta. Trabalhar (quando possível), portanto, significa estar em conformidade com o planeta que ora habitamos. E ele é de expiações e de provas, recordemos, e por isso mesmo depende de nós o seu avanço, o seu aperfeiçoamento, a sua melhoria, quando cada um procura fazer a sua parte, e fazê-la bem, com empenho, com esforço, com dedicação, com competência, com amor.

Não importa o trabalho desempenhado, do mais simples ao mais complexo, todas as atividades são importantes, visto que dependemos uns dos outros, sem exceção.

A propósito, importante reproduzir aqui o ensinamento do Espírito Joanes, através da psicografia do ínclito médium Raul Teixeira:

No mundo, o seu trabalho representa para você o necessário arrimo moral, a devida fortaleza social, a indispensável defesa do mal e do crime, facultando a valorização da sua existência humana. Dessa maneira, valorize o seu trabalho, esmerando-se no desempenho da sua profissão, oferecendo o seu esforço para realizar o que seja mais importante na faixa de sua ocupação.

É importante reforçar que o trabalho terreno tem o poder de valorizar, por seu turno, a pessoa que o realiza, pois é pelo trabalho que cada indivíduo se sente útil nas rotas da Sociedade.

Quando você trabalha, fecha significativo circuito de luz com as fontes da saúde e da alegria, permitindo que receba a ajuda dos Poderes Celestes, de modo que o labor se converta em alforria para quem o desenvolve.

Quando esteja trabalhando, sinta-se dedicado ao que faz, e por isso, vitorioso, por mais simples seja a sua atividade.2

Por outra parte, muito importante enfatizar que O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos.3

A clareza do texto é solar.

Nada obstante a obra ter sido escrita e publicada no século XIX, é ainda mais inteligível, e verdadeira, a observação neste século XXI de que a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos.

Cumpre relembrar que Toda ocupação útil é trabalho4, de tal forma que o corpo trabalha e o Espírito também. Não por acaso, Jesus Cristo, nosso Modelo e Guia, nosso Mestre e Amigo de todas as horas, foi quem disse: Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.5

Em outras palavras: o trabalho é constante, é permanente, para todos, encarnados e desencarnados.

A esta altura nada que surpreenda, pois, afinal, como já bem o sabemos e consolidamos: todos somos Espíritos, no corpo ou fora dele, temos origem divina, somos imortais, indestrutíveis, nossa individualidade é inteiramente preservada e, portanto, viveremos para sempre!

Felizes os que podem e querem trabalhar. Trabalhar é uma bênção.

O Senhor abençoa sempre aqueles que realizam o seu trabalho!

 

Bibliografia:  

1 – KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 131. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013. cap. XXV, item 3.

2 – TEIXEIRA, J. Raul. Para uso diário. Pelo Espírito Joanes. 6. ed. Niterói: Fráter, 2014. cap. 9.

3 – KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos, 33. ed. Rio de Janeiro: FEB. pt. 3, cap. III, item 674.

4 – Op. cit. pt. 3, cap. III, item 675.

5 – BÍBLIA N.T. João. Português. Bíblia sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Campinas: Os Gideões Internacionais do Brasil, 1988. cap. 5, vers. 17.

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