Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88

Natal de Súplica

dezembro/2020

Encontro de Natal.

Momento festivo, confraternativo.

Reunião que acontecia sob a inspiração do amor, que é a característica essencial do Sublime Aniversariante.

Por força das circunstâncias atuais, havia uma nota destoante que fazia lembrar os lares dos irmãos da Humanidade, que estavam na companhia da tristeza, por sentirem a falta de seus entes queridos, alcançados pelo contágio de vírus sorrateiro, que caminhava silencioso, incansável na perseguição de suas vítimas.

Lembrança que levou um dos presentes a falar de Jesus, cuja citação levantada guardava um toque profético, que remete aos dias atuais de sofrimento:

Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.1

Isso fez com que outro apresentasse um tom de esperança colhida dos ensinos do Mestre:

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.2

E mais outro argumentou que o momento era de empenho de todos pela autossuperação das dificuldades, pois que o caminho da harmonia fora revelado, e aguarda nossa escolha e decisão, como dito pelo Sublime Pastor:

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.3

A conversação, tranquila e saudável, fez com que mais um se levantasse para dizer que vivemos dias que pedem reflexão, pois os sofrimentos são os frutos do cultivo do que até então cada um se dedicou, ignorando o alerta dado pelo Mestre Nazareno:

Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?4

Olhos de ver e ouvidos de ouvir que nós não os tivemos, foi o início facilitador dos equívocos ao longo da jornada, disse um convidado, atento ao desenrolar da conversa. E continuou dizendo que não nos cabe alegar ignorância, pois os ditos e feitos de Jesus foram dirigidos a todos:

Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto.5

Sim, é fato, concluiu mais um dos presentes. As diretrizes dadas por Jesus ficaram conhecidas e aceitas desde então, mesmo que por poucos.

Afinal, Ele fez Sua parte, disse um novo falante.

Isso não se pode dizer dos Homens, se apressou outro em falar, e citou:

Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.6

O que nos leva a concordar que as escolhas e compromissos são pessoais e intransferíveis as consequências. Não se pode, pois, olvidar:

Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.7

Não é de se estranhar os fatos atuais, transtornantes, apesar de ser lastimável o estado a que se chegou, o que se viu ou se verá, disse um novo participante do diálogo, e fez questão de citar passagem evangélica:

Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. Porquanto as virtudes do céu serão abaladas.8

E, no calor da conversa, os anfitriões se levantaram e comentaram:

Sempre agradável o diálogo que traz a luz do entendimento e nos induz a sorvermos a seiva da árvore da vida, que são os ensinos de Jesus:

Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.9

O Profeta Nazareno, radiosa Luz para o alvorecer da Humanidade, veio nos recepcionar no Caminho, sob o Sol da Verdade, e nos conduzir na Vida abundante.

O Natal aconteceu.

No entanto, as lições dadas, as propostas trazidas e os convites feitos pelo Sublime Aniversariante, ainda aguardam ações assertivas por parte dos corações dos homens de boa vontade.

Desse modo, Sua mensagem pede cartas vivas de Seu evangelho para viajarem com o vento das eras e alcançarem todos os corações deste mundo, anunciando a Boa Nova.

E virão do oriente, e do ocidente, e do norte, e do sul, e assentar-se-ão à mesa no reino de Deus.[i]0

Com essa imagem do porvir em mente, a letra do sublime canto daquela Noite Inolvidável, ganha novos contornos de luzes:

Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.11

Que este Natal tenha seu momento de louvor, reconhecimento e gratidão ao nosso Irmão Maior, o Grande Amigo, mas que numa só voz, todos roguemos: Misericórdia!

E sejamos, então, simples como os lírios do campo, passando a enfeitar a vida de nossos demais irmãos, espalhando claridade, caridade e amor!

Ponderando a cada dia que passarmos vivos e atuantes nas sociedades em que habitamos, tendo a obrigação, de pelo menos, uma boa ação, executar.

Saber que ao nascer do Sol em nossas vidas todas as manhãs, sempre o bom dia alegre, deva ser dado em sinal de reconhecimento da Sua presença, iluminando nosso caminhar.

Sempre deitarmos o olhar ao nosso próximo, realizando a maravilhosa tarefa de levantar os caídos, atender aos adoecidos, principalmente os que o são da alma.

E, ao percebermos a fragilidade em nossos companheiros de jornada, que sejamos nós os primeiros a propor a melhor forma de recuperação para o caminho da Luz!

Iniciando, no Natal de nosso Jesus, essas novas atitudes em conjunto, elas formarão hábitos extremamente necessários para todos os que traremos carimbada n’alma a presença redentora do Cristo, esse nosso

  1. BÍBLIA, N. T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 24, vers. 21.
  2. Op. cit. João. cap. 6, vers. 51.
  3. Op. cit. cap. 16, vers. 33.
  4. Op. cit. Marcos. cap. 8, vers. 36.
  5. Op. cit. João. cap. 18, vers. 20.
  6. Op. cit. cap. 1, vers. 10.
  7. Op. cit. cap. 3, vers. 19.
  8. Op. cit. Lucas. cap. 21, vers. 26.
  9. Op. cit. João. cap. 12, vers. 46.
  10. Op. cit. Lucas. cap. 13, vers. 29.
  11. Op. cit. cap. 2, vers. 14.

 

 

 

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