Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Natal de gratidão

dezembro/2007 - Por Silmar O. Silva

Estamos chegando a mais um final de ano. As lojas e as ruas já estão enfeitadas para as festas natalinas.

Nas residências há um quase nervosismo, diante das necessidades criadas pelos costumes de ter que dar presentes para toda a família, providenciar ceia e, como em toda festa, a roupa nova se faz indispensável. E isso tudo reclama dinheiro e mais dinheiro. Como fazer se ele está cada dia mais raro?

Este é o panorama estressante do que antecede uma festividade natalina que tem como seu personagem central o Papai Noel.

Para o cristão, a época evoca (ou deveria evocar) outro estado de ânimo. Mais tranquilo, mais reflexivo, mais fraterno. Afinal, está se avizinhando o dia do aniversário de Jesus de Nazaré. O preparativo pessoal é para poder receber o aniversariante em sua casa, juntamente com sua família.

Há mais que um tipo de natal, sim. Mas vamos eleger e vivenciar o verdadeiro Natal.

Como parte de nossos preparativos, dessa feita vamos exercitar previamente o testemunho da gratidão, pois, por certo, será um dos nossos principais pensamentos ao nos dirigirmos ao Aniversariante no seu dia, objetivando agradecer-Lhe por tantas bênçãos com as quais fomos distinguidos ao longo do ano que se finda. Isso desde que sejamos reconhecidos e gratos.

A gratidão, nascida da seiva do amor, é estrela que assinala cada alma na marcha da evolução, deixando sinais luminosos pelo caminho, como tão bem nos ensina a amorosa Benfeitora Espiritual Joanna de Ângelis ([1]).

Ao falar do grande valor da gratidão, permita-me, caro leitor, querida leitora, reproduzir mais alguns parágrafos da mensagem de Joanna de Ângelis, apontada em nota de rodapé, em que ela destaca a problemática da ingratidão, também sofrida por Jesus, pois que ainda é sentimento dominante em boa parte dos corações humanos.

Nos dias hodiernos, a ingratidão toma corpo com muita facilidade, tornando-se elemento normal nas relações sociais, em lamentável agressão aos postulados éticos, quando não se tenha em conta a moral evangélica.

(…) Não apenas os adversários, os invejosos e os político-religiosos infelizes fizeram-se os crucificadores de Jesus.

Foram, também, os amigos ingratos, os beneficiários reticentes, os companheiros moralmente dúbios…

Judas, que aparentava amá-lO, deixou-se enredar nos problemas que o perturbavam e, ingrato, O entregou…

Pedro, que Lhe era devotado, porém invigilante, tombando nas malhas de cruéis perturbações espirituais obsessivas O negou…

… E outros tantos que desapareceram, não Lhe ofertando amor ou fidelidade, carinho e gratidão.

No exercício que está sendo proposto nestas singelas linhas, rememoremos nossas relações familiares, sociais, no Centro Espírita, no trabalho profissional, com Deus. Façamos autocrítica sobre nossa capacidade de reconhecer as dádivas recebidas, que nos foram ofertadas de variadas formas e meios, e qual tem sido nossa postura com relação aos doadores.

(…) Abençoa a mão que um dia se distendeu, generosa, no teu rumo, socorrendo-te e amparando-te.

Mesmo que ela, por acaso, se haja convertido em instrumento que te oferta o fel da amargura, recorda-te de quando te abençoou com a dádiva sem preço da misericórdia e da compreensão em que te apoiaste.

Eliminemos de nós a atitude egoísta de querer tirar proveito de tudo e de todos, e depois fazer de conta que nada sabe a respeito.

(…) São gentis, enquanto se locupletam, no entanto, afastam-se amargas e maledicentes da presença generosa de quem lhe foi devotado…, comenta o mesmo Espírito Benfeitor.

Como poderemos nos apresentar diante de Jesus, quando das homenagens que desejemos prestar-Lhe pelo seu Natalício, sem a adoção de devido comportamento em relação ao sentimento e prática da gratidão em nossa vida de relações?

Marco Prisco, em oportuno artigo publicado no livro Sementes de Vida Eterna, psicografado pelo aplaudido médium baiano, Divaldo Pereira Franco, denominado Paradoxos Humanos, afirma:

São paradoxos humanos ou homens paradoxais.

Propõem, mas não vivem.

Ensinam, porém não creem.

Esclarecem, todavia encontram-se confundidos.

Guiam, apesar de estarem perdidos.

Solucionam problemas alheios, emaranhados nas dificuldades que engendram.

Apontam rumos, que não seguem.

O verdadeiro esforço que empreendermos para nos melhorar, para domar nossas más tendências, é que nos dará a medida do verdadeiro espírita que somos.

Como Espírita, precisamos pensar e viver de conformidade com a Doutrina que professamos.

Como Cristão, precisamos ter Jesus como nosso modelo e guia.

Sê grato, sempre, em qualquer circunstância, principalmente quando o teu companheiro gentil, se te apresente turbado ou triste, enfermo ou solitário, porquanto nesta fase é que ele necessita de amizade e não nos momentos em que pode doar, oferecer-se e amparar.

Com a mente renovada pela virtude da gratidão, o coração estará então dulcificado o suficiente para receber a sublime visita do Aniversariante Excelso, o qual ali, por certo, se demorará um tanto mais.

Que seja esse para você, prezado leitor, e também para os seus entes queridos, mais um Natal Feliz, onde, figuradamente, a estrela guia que venha a encimar a sua árvore natalina, seja, na verdade, reflexo de sua consciência iluminada pela certeza de que você não só não é uma pessoa ingrata, como vem testemunhando gratidão diante da mais singela dádiva que porventura lhe tenha sido dispensada, por quem quer que seja, a qualquer tempo, em qualquer lugar.

Enfim, tenha um Natal repleto de gratidão.

 

[1] FRANCO, Divaldo P. Otimismo. Joanna de Ângelis. 1ª ed. Salvador, BA: LEAL, 1983. Cap. 17, p. 65-68.

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