Jornal Mundo Espírita

Abril de 2020 Número 1629 Ano 88

Não basta crer, é preciso fazer

setembro/2013

Jesus de Nazaré, ao dizer: Se sabeis estas coisas, bem aventurados sois se as fizerdes[1], estabelecia a condição comportamental devida para o cristão ao adotar Sua filosofia, ao conhecer de Seus ensinos, ao desejar segui-lO: vivenciar a Boa Nova, uma vez que, entre saber e fazer há singular diferença.

Quase todos sabem, poucos fazem.

Muitos indicam o caminho em belas composições de letras e palavras, demonstrando que sabem.

No entanto, raras são aquelas pessoas que, mesmo sob o guante da dor, de variados padecimentos, caminham em silêncio, alegremente, amparando, assistindo, auxiliando, socorrendo o próximo. É o esforço supremo dos que sabem.

Propagadores das verdades celestes, os Numes Tutelares da Humanidade, no bojo do livro dos imorredouros ensinos do Cristo – O Evangelho segundo o Espiritismo – registraram os elementos constitutivos das alavancas do progresso individual, que todos poderemos fazer uso, conforme palavras do Espírito de Verdade: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.[2]

O amor é a essência suprema na estruturação do mandamento maior: amar a Deus acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. E a instrução continuada é o que nos leva ao encontro da verdade, que nos liberta dos grilhões da ignorância e nos orienta o rumo, na conquista das virtudes, as quais passam, então, a refletir o amor residente.

Sabemos que o amor como tal assim se configura só quando realmente sentido, praticado, vivido.

Naturalmente, somos indivíduos em contínuas lutas e conflitos íntimos, mas desejamos dias melhores para nós e para nossos entes caros.

Mesmo não sabendo ao certo o que seria a felicidade plena, nem quando seria alcançada e nem como seria esse sentimento, desejamos esse estado de espírito, que deve ser de constante e natural alegria, sempre em paz, em plena harmonia com a vida.

No entanto, guardamos a certeza que chegaremos lá um dia, num futuro não tão distante, porém não tão próximo. É o telefinalismo da evolução para as criaturas.

Também é das Leis de Deus que sejamos os construtores desse mundo novo interior.

É muito oportuno, neste momento, refletir sobre alguns questionamentos de Jesus, os quais, em tese, ainda não foram por nós devidamente respondidos perante nossa própria consciência:

Que buscais?[3]

Que fazeis de especial?[4]

E vós, quem dizeis que eu sou? [5]

Onde está a vossa fé?[6]

O Espiritismo, no dizer, de Francisco Spinelli, não é somente uma bela filosofia, porém um roteiro para a evolução. [7]

Espírita é o homem que trava contato com a verdade e que, depois de banhado pela luminescência da Fé, se torna igualmente iluminado, como bem conceitua Vianna de Carvalho. [8]

Todos concordamos que entre saber e fazer, há grande distância. Mas também devemos concordar que tal distância pode e deve ser por nós vencida, em cuja caminhada poderemos contar com o suporte do Amigo Inseparável de todas as horas e com a luzes da Doutrina Espírita.

Emmanuel [9] repete-nos o sublime convite de Jesus:

Sofres? Estás fatigado? Tropeças sob os fardos do mundo?

O Mestre é o Eterno Amigo que nos rompe as algemas e nos abre portas renovadoras…

Ouve-lhe o apelo divino, formulado nas derradeiras palavras do Seu Testamento de Amor: – “Vem!”

Vem!

A afirmativa é do Celeste Amigo: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.[10]

Por que titubear? Por que protelar? Por que temer?

É Jesus dizendo: Tende bom ânimo, sou eu, não temais.[11]

Repetindo para fixar: sabemos que o amor como tal assim se configura só quando realmente sentido, praticado, vivido.

Recordemos Lins de Vasconcellos [12], em seus escritos:

Ame e estude.

Ensine e ajude.

Escreva e socorra.

Pesquise e desculpe.

Não aponte erros, apresente soluções.

Não difunda enganos, sugira correções.

Não propague incêndios para destruir. Derrube somente quando puder reedificar.

Lembre-se de que o mundo tem passado sem você e continuará, depois de você passar.

É verdade, que o amor sem a claridade da razão, se converte em paixão, gerando fanatismo e dor. Todavia, a cultura sem amor se transforma em hediondez e criminalidade, dando origem a todos os males que se conhecem.

A inteligência que não ama perverte-se.

Só a razão, conduzida pelo amor, faz-se mestra e mãe do espírito humano, conduzindo-o livre e feliz à plenitude da vida.

Contam que um jovem, sedento de afirmação espiritual, procurou, certa vez, o pensador e sacerdote hebreu Shammai e o interrogou:

“Poderias ensinar-me toda a Bíblia durante o tempo em que eu possa quedar-me de pé, num só pé?”

“Impossível!” — Respondeu-lhe o filósofo reli­gioso.

“Então de nada me serve a tua doutrina.” — Re­darguiu o moço.

Logo após, buscou Hilel, o famoso doutor, pro­pondo-lhe a mesma indagação. O mestre, acostu­mado à sistemática da lógica e da argumentação, mas também conhecedor das angústias humanas, respondeu:

“Toma a posição.”

“Pronto!” — Retrucou o moço.

“Ama!” — Elucidou Hilel.

“Só isso?! E o resto, que existe na Bíblia?” — In­quiriu, apressadamente.

“Basta o amor.” — Concluiu o austero religioso. — “Todo o restante da Bíblia é somente para explicar isso.”[13]

O que estamos esperando, afinal?



[1] João 13:17.

[2] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o Espiritismo, cap.VI, item 5, ed. FEB.

[3] João 1:38.

[4] Mateus 5:47.

[5] Mateus 16:15.

[6] Lucas 8:25.

[7] FRANCO, Divaldo Pereira. Aos espíritas. Organização de Álvaro Chrispino. Espíritos diversos, cap. 10, ed. LEAL.

[8] Idem. Cap. 14.

[9] XAVIER, Francisco Cândido. Fonte viva. Emmanuel, cap.152, ed. FEB.

[10] João 14:6.

[11] Mateus 14:27.

[12]FRANCO, Divaldo Pereira. Crestomatia da Imortalidade. Espíritos diversos, cap.18, ed. LEAL.

[13] _______. Estudos espíritas. Joanna de Ângelis, cap. Estudos espíritas, ed. FEB.

Assine a versão impressa
Leia também