Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87

Mundo Espírita chega aos 80 anos!

abril/2012

O Jornal Mundo Espírita começou a escrever sua história com Henrique Andrade, na cidade do Rio de Janeiro, a 4 de abril de 1932. Àquela época, portava abaixo do nome Semanário noticioso e doutrinário. Tinha formato de quatro páginas impressas em tipografia preto e branco, com rara utilização de fotografias.

Seu objetivo inicial estava inserido no contexto de discussões político-religiosas que compunham o cenário da Primeira República. Em artigo comemorativo aos 40 anos do Mundo Espírita, Francisco Raitani, então Diretor do Jornal, descreveu o seu surgimento como uma proposta para lutar pelas justas liberdades do ser humano, notadamente as de consciência, e contra as inferioridades espirituais em suas mais variadas modalidades (…) a luta em prol da difusão da DOUTRINA DOS ESPÍRITOS… (30/04/1972 – edição no. 1.054).

Arthur Lins de Vasconcellos, em artigo redigido em 1948, na edição em que assumiu a direção do jornal, lembra que o jornal surgiu em 1926 (e não em 1932), mas teria passado por um período de agitação em que permaneceu “adormecido”: Nascido em 1926, num momento de agitação nacional contrária à intromissão, indébita e nociva, da Igreja católica romana na reforma da constituição de 1891, MUNDO ESPÍRITA, logo que se verificou a vitória dos republicanos liberais contra as pretensões clericalistas, ensarilhou as penas brilhantes que iluminaram suas colunas e suavemente adormeceu para despertar em 04 de abril de 1932.

Por dezesseis anos, até o ano de 1948, Mundo Espírita foi dirigido por Henrique Andrade, passando, então, à direção de Lins de Vasconcellos. Na primeira edição sob a nova direção, Lins de Vasconcellos escreveu manifestando uma das causas que o levou a aceitar a tarefa: … se esquecem do dever fundamental de amparar a imprensa espírita e da qual só lembram para exigir dela a divulgação do que fazem… E continuou, lembrando que … viveu o jornal crises, momentos incertos, instantes tormentosos (…). A causa que nos congrega, porém, merece todos os sacrifícios e não seria digno que, dispondo de meios, eu e outros confrades não buscássemos solucionar e vencer as dificuldades. (…) devo declarar que ele (MUNDO ESPÍRITA) permanece na liça para desempenhar uma função mais ampla do que até há pouco. O seu papel será o de unir os homens, pelo amor, para ajudar a realização da obra da paz espiritual, que possibilite a propaganda da verdade por todos os quadrantes do país. (04/04/1948 – edição no. 740).

Em 1951, como início de uma nova etapa, o jornal passou a ter periodicidade mensal e mudou o subtítulo para Órgão noticioso e doutrinário. Em 1952, com a desencarnação de Lins de Vasconcellos, a direção do jornal passou para as mãos de Carlos Imbassahy por apenas uma edição (19/04/1952 – edição no. 824). Não saíram outras edições do jornal até o ano seguinte, quando, no mês de março, Lauro Schleder assumiu a responsabilidade de levar a cabo os planos de Lins.

Foi assim que, a 21 de março de 1953, saiu, já em Curitiba, o primeiro número da fase paranaense, sob a direção de Lauro Schleder, então Presidente do Conselho Deliberativo da Federação Espírita do Paraná – FEP. O acervo do Mundo Espírita foi todo transferido para Curitiba a pedido de João Ghignone, Presidente da FEP, ao lado de Abibe Isfer e Genaro de Menezes Povoa.

De 1953 até 1971, Lauro Schleder e Francisco Raitani revezaram-se na direção do jornal. Após quarenta anos de existência, em abril de 1972,  Mundo Espírita passou pela sua primeira reforma gráfica. Victor Ribas Carneiro, novo Diretor, explicou a nova feição gráfica nesses termos: 1. adaptá-lo ao melhor rendimento de máquina recentemente adquirida; 2. pô-lo em dimensões de mais fácil manuseio; 3. dar-lhe cunho mais prático (para quem queira guardá-lo ou arquivá-lo); 4. barateá-lo na respectiva mão de obra; 5. tornar mais rápida sua confecção e expedição; e 6. modernizá-lo de certo modo.” (30/04/1972 – edição no. 1.054).

A logomarca foi alterada, passando a ter uma imagem de Allan Kardec, e a diagramação foi modernizada, com a utilização de mais fotos e a redução para cinco colunas de texto. A mudança mais profunda foi que o jornal passou a ter doze páginas, ao invés de quatro.

Na sequência, sob a direção de Célio Trujillo Costa ocorrem novas mudanças visuais na diagramação do jornal. A primeira página assume a função de capa, com manchete e chamadas que remetem ao interior do jornal (espécie de índice ).

Em agosto de 1992 a logo do jornal é modificada, modernizada e, novamente, em 2005, por ocasião do aniversário do jornal, em fevereiro de 2008, ganhando a versão atual em janeiro de 2009.

Em dezembro de 2002, o jornal ganhou sua primeira capa colorida e, a partir de fevereiro de 2008, a edição passou a ser toda colorida.

Em fevereiro de 2012, o jornal modifica seu tamanho mais uma vez para se adaptar aos novos tempos e ganha, definitivamente, vinte páginas mensais que, desde meados de 2010 oscilavam entre quatorze e vinte e quatro páginas.

Aos oitenta anos, o jornal alcançou 1.530 números, sob critérios kardequianos, objetivando sempre o leitor, dando-lhe oportunidade de se inteirar dos acontecimentos do Movimento Espírita Nacional e Internacional, de assuntos doutrinários, examinar temas da atualidade à luz do Espiritismo, entrevistas, reportagens, biografias, etc.

Desejamos, sinceramente, continuar levando aos corações a mensagem de consolo e esclarecimento. Como dissemos, em nossa edição de abril de 1992, de nº 1293:

Consolo e esclarecimento. Ou, ainda, consolo pelo esclarecimento espírita, tal a lei que seguimos no “Mundo Espírita”. Tal a lei que todos os periódicos espíritas deveriam adotar, pois não é outra a razão de ser do Espiritismo na face da Terra. Não é outra a missão do jornalismo espírita no planeta.”

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