Jornal Mundo Espírita

Junho de 2019 Número 1619 Ano 87

Muita ciência e muita ignorância

agosto/2008 - Por Rogério Coelho

“Espírito e matéria são os dois elementos gerais do Universo.”
“O Livro dos Espíritos” – q. 27

Foi até chocante!  E, por que não dizer: tétrico!…   A televisão mostrou, no mesmo ambiente, o desfile da Ciência ao lado da ignorância.   Pode parecer paradoxal, mas é a mais pura e insofismável realidade: Existe uma Instituição científica nos Estados Unidos da América do Norte cuja precípua finalidade é… Congelar cadáveres , com a intenção de fazê-los voltar à Vida no futuro!?

Assim, para quem tem mais recursos financeiros, congela-se o corpo todo; para os financeiramente menos aquinhoados, congela-se apenas a cabeça.

Como para toda loucura deste mundo sempre existem adeptos, também para esta não houve exceção: Um adepto da moda luta na justiça postulando o seu próprio congelamento em Vida!…

É no que dá a sofisticada tecnologia apartar-se da Ciência do Espírito, fazendo com que o homem se arraste pelo chão da Terra sem lograr alçar o voo para as alcandoradas regiões do Espírito.

E pensar que há quem se diga espírita e “torce o nariz” para o principal aspecto do Espiritismo que sem sombra de dúvida é o aspecto religioso!   Enquanto a ciência e a filosofia espíritas nos mantêm na superfície do solo, a religião espírita no eleva aos altiplanos espirituais.

Sem as informações que nos mostram a realidade das Leis Divinas e o mecanismo da evolução, em nome da ciência, em pouco tempo estaríamos também imitando a exótica Instituição norte-americana.

Antigamente embalsamavam-se os cadáveres na esperança de que tornariam à Vida, rodeando-os de seus pertences e até de escravos que eram enterrados vivos.

Segundo as escolas materialista e monista, a alma não é senão uma resultante das funções cerebrais.   Um de seus representantes, Haeckel, afirmou do alto pedestal em que o colocou a própria empáfia:  “As células do cérebro são os verdadeiros órgãos da alma, e esta depende da integridade daquele.   Consequentemente, crescem, decaem e desaparecem juntos.  O gérmen material contém o ser completo, físico e mental.”

Jesus e Kardec falam coisa bem diferente!…

“O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é Espírito1.”

O confrade Milton Luz, de Porto Alegre (RS), escreveu o seguinte no periódico “Roteiro Espírita” nº 20, editado em Belo Horizonte (MG):

“A matéria não pode gerar qualidades que ela não tem. Átomos, sejam triangulares, circulares ou aduncos, não podem representar a razão, o gênio, o amor puro, a caridade sublime. O cérebro, dizem, cria a função. É caso compreensível que uma função possa conhecer-se, possuir a consciência e a sensibilidade? Como explicar a consciência, a não ser pelo Espírito? Vem da matéria? Quantas vezes não está a primeira em luta com a última? Vem do interesse e do instinto de conservação? Revolta-se ela contra eles e leva-nos até ao sacrifício!  

O organismo material não é o princípio da Vida e das faculdades; é, ao contrário, o seu limite.  O cérebro é um simples instrumento que serve ao Espírito para registrar as suas sensações.”

Por ignorar coisas tão simples e elementares é que cientistas, por um lado tão lúcidos e inteligentes, por outro assinam um superlativo atestado de apoucamento, contidos que estão nos limitados horizontes da matéria, sem a mínima visão da Vida estuante além-tumba que se perde nos incomensuráveis horizontes espirituais.

Bem o afirmou Ferdinando, um Espírito Protetor2:

“Não vos ensoberbais do que sabeis, porquanto esse saber tem limites muito estreitos no mundo em que habitais.  Quem assim procede atravessará existências miseráveis e cheias de humilhações, até que se curve diante d`Aquele a quem tudo deve.

A inteligência é rica de méritos para o futuro, mas, sob a condição de ser bem empregada. Se todos os homens que a possuem dela se servissem de conformidade com a vontade de Deus, fácil seria, para os Espíritos, a tarefa de fazer que a Humanidade avance. Infelizmente, muitos a tornam instrumento de orgulho e de perdição contra si mesmos. O homem abusa da inteligência como de todas as suas outras faculdades e, no entanto, não lhe faltam ensinamentos que o advirtam de que uma poderosa mão pode retirar o que lhe concedeu”.

 

[1] – João, 3:26.

2 – KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 121.ed. Rio de Janeiro:FEB, 2003, cap. VII, item 13.

Assine a versão impressa
Leia também