Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88

Movimento você e a paz

setembro/2018 - Por Carlyne Paiva

Pela sexta vez consecutiva, em Amparo (SP), mais de cinco mil pessoas, esperançosas em contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de paz, uniram-se em torno da Praça Pádua Salles.

Nessa manhã de 28 de julho, cada uma recebeu, gratuitamente, um kit com uma bolsa, uma camiseta e uma barra de cereal. Balões brancos biodegradáveis, frutas e pontos de distribuição de água também foram disponibilizados para o bem-estar de todos os participantes da Caminhada.

Abriram o evento, Ana Maria Veroneze Beira, que agradeceu a todos os responsáveis pela realização do Movimento, e Divaldo Franco, que agraciou os ouvintes com palavras sobre a paz, encorajando os caminhantes a seguirem determinados na procura interior pela não violência.

Assinalou ele que, nesse glorioso dia de festa, celebrando a paz, seria importante trazer o coração tranquilo, a consciência voltada para o bem e, acima de tudo, deixar para trás as reminiscências amargas, os problemas, os desencantos, repletando-se de votos de amor a Deus e ao dever de educar para a paz.

Citando Jesus Cristo, encerrou sua breve, mas profunda mensagem da manhã, convocando todos a viver em paz, a paz que nasce de um coração harmonioso, de uma consciência reta e de deveres muito bem cumpridos.

Após a Caminhada, guiada por um trio elétrico, que auxiliava na condução dos que avançavam pelos quase quatro quilômetros de atividade reflexiva, houve a apresentação da Orquestra Sinfônica e, logo depois, do Canil da Guarda Civil Municipal.

Brinquedos para as crianças, oficinas e exposição de desenhos sobre a paz, alegravam o ambiente da praça. Foi oferecido um espaço gratuito para corte de cabelos e design de sobrancelhas, além de orientações jurídicas. Já o Espaço Saúde trouxe aos presentes a oportunidade de aferir a pressão arterial, medir a taxa glicêmica, colesterol e realizar o cálculo de IMC, entre outros.

Às 18h, reflexões sobre a paz foram transmitidas pelos líderes religiosos. O Pastor José Lima, da Assembleia de Deus, Ministério do Belém de Amparo, explanou sobre os quatro aspectos da paz: a de Deus para conosco, de nós para com Deus, de nós para o próximo, e a de nós para nós mesmos. Finalizou, asseverando que a verdadeira paz não é aquela que advém de guerras, mas a que provém de Deus. E esta, está personificada em Jesus.

Dom Luis Gonzaga Fechio, Bispo Diocesano de Amparo, assinalou o quanto era importante realizar um renovado compromisso com a paz, fazendo-se agentes construtores da paz, não apenas nos grandes conflitos, pois esses são a soma dos pequenos, mas do desguardo de muitos acontecimentos pequenos e tristes que vão se somando. Um aparente gesto insignificante e gratuito de bondade pode fazer uma enorme diferença para a solução de desentendimentos.

Monja Coen ( Cláudia Dias de Souza, paulistana), budista, iniciou sua fala com um exercício de meditação, ferramenta para que o público pudesse se utilizar nos momentos de raiva. Disse que a raiva deve passar pelo indivíduo, mas jamais tomar conta dele. O ser humano é vida na Terra, movido por energia solar, existindo em relação de interdependência a tudo que há e, por isso, deve conviver pacificamente com os demais seres. É necessário que se utilize da ternura e do respeito para falar do agressor, desenvolvendo, assim, a capacidade de amor ilimitada. Para, verdadeiramente, iniciar um movimento individual pela paz, deve-se expandir um coração de não violência, de não raiva, mas de fazer o que é certo e adequado para o bem maior.

Divaldo Pereira Franco iniciou citando Araci [paranaense de Rio Negro/PR – 5.12.1908 – 3.3.2011, funcionária do Itamaraty em Hamburgo, na Alemanha], esposa do escritor João Guimarães Rosa, exemplo de bondade e promoção de paz, que auxiliou milhares de judeus a se refugiarem no Brasil, durante o Holocausto.

Segundo ele, somente pode haver paz na perfeita identidade entre o Ego e o Self, transformando-se a linha tênue em uma ponte da consciência, quando a exacerbação dos sentimentos básicos do egoísmo cede espaço à luminosidade das  possibilidades infinitas de servir através da lição incomparável do Amor.

Jesus modificou a História por ter tido a coragem de dizer a cada indivíduo a sua necessidade, pois a verdadeira plenitude do ser humano está na fragilidade. E a grandeza do homem está na peculiaridade de mudar sempre, para melhor, e se renovar.  Como bem asseverou o Cristo: De que adianta conquistar o mundo e perder a própria alma (Self), ter tudo e não ter paz.

Citou Gandhi, que foi habilidoso em  promover a paz no mundo através da paz interior. Concluiu da importância do Amor para se atingir a Paz. O Amor que dá vida, quando não se vê saída, para se perceber que a saída é o próprio Amor.

O Movimento foi encerrado com a entrega do Troféu Você e a Paz às Instituições e trabalhadores que se empenham no ideal da Paz, dessa forma reconhecidos e homenageados.

Fotos: Edgard Patrocínio

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