Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Movimento espírita nos Emirados Árabes

agosto/2017

Com um Movimento Espírita organizado, qual o do nosso país, em que se somam esforços das Uniões Regionais Espíritas, Conselhos Regionais, Federativas, para a manutenção do dinamismo, propício à realização das tantas atividades levadas a termo nos centros espíritas, é de nos indagarmos como acontecem as tarefas em um país árabe.

Em edições anteriores, já trouxemos informações a respeito do Grupo Espírita Cristão Despertar, que completou dez anos, em 2017. (Jornal Mundo Espírita de maio 2015, dezembro 2016, janeiro e abril 2017)

Mas não é o único e apresentamos outro grupo de trabalhadores, com sete anos de existência.

Em nosso contato com Ana Elisa Vilhena, relacionamos algumas questões, que ela prontamente respondeu, dizendo-nos de como se desenrolam as atividades, quando não há uma sede própria específica, nem um organismo local para coordenação e suporte aos trabalhadores.

O Grupo Espírita Caminho da Luz foi criado em 2010. O que levou a essa iniciativa?

A ideia foi colocada em prática por mim, pois já era espírita e uma frequentadora assídua no Brasil. Ao chegar em Dubai, em junho de 2010, senti falta dessa frequência. Com minha vizinha e amiga, Renata Araújo, e mais duas pessoas, iniciamos um grupo de estudos. Não conhecíamos Dubai o suficiente, nossas filhas eram pequenas, por isso, iniciamos algo bem despretensioso em minha própria casa.

Onde o Grupo exerce as suas atividades, quais são e de quantos trabalhadores dispõe?

Estamos em um país muçulmano, então, o grupo exerce as suas atividades nas residências: a evangelização espírita infantojuvenil na casa de Renata e Fernando Araújo; o grupo de estudos de André Luiz e O livro dos Espíritos, assim como a atividade assistencial, na casa de Daniela e Ricardo Baich; os demais grupos de estudos (autoconhecimento e mediunidade), a reunião mediúnica, a palestra pública e o atendimento fraterno se desenvolvem em minha casa.

Somos vinte trabalhadores ativos. A atividade assistencial consiste na distribuição, aos domingos, de cento e cinquenta quentinhas de macarrão com ovo e frutas para os trabalhadores de rua.

Anualmente, promovemos cursos para aplicador de passe, estudo básico sobre mediunidade e estudo das obras da Codificação Espírita.

Quem são os frequentadores do Grupo?

São somente brasileiros. As palestras e estudos são em português. Eventualmente, recebemos dois europeus, casados com brasileiras, que frequentam o grupo. Mesmo não entendendo nosso idioma, gostam de vir às palestras públicas, pela energia do local e fazem questão de receber o passe.

Nesses sete anos de existência, o Grupo realizou alguma atividade envolvendo oradores espíritas de outros países?

Recebemos vários oradores espíritas brasileiros, de Curitiba/PR, do Rio de Janeiro/RJ, Belo Horizonte e Juiz de Fora/MG e é sempre uma grande oportunidade de aprendizado. Por sermos um grupo pequeno, os oradores acabam atendendo nossa demanda específica, o que nos auxilia significativamente.

Já tivemos oportunidade de assistir, mais de uma vez, a palestras de Divaldo Pereira Franco, Haroldo Dutra Dias e Andrei Moreira, trazidos a Dubai, pelo Grupo Espírita Cristão Despertar.

A repercussão com a vinda de um palestrante, mesmo sendo Divaldo Franco, acontece de forma discreta, tranquila, positiva mas, somente dentro do grupo de brasileiros espíritas.

Existe algum Encontro ou reunião específica em que ambos os Grupos Espíritas de Dubai confraternizam ou realizam atividade conjunta?

Infelizmente, essa troca não acontece. Eventualmente, quando algum grupo traz um palestrante brasileiro, nos encontramos. Contudo, de um modo geral, todo palestrante visita ambos os grupos.

Quais as maiores dificuldades para a concretização da atividade espírita nessa cidade?

Sinceramente, não vejo dificuldades por estarmos em um país muçulmano. As dificuldades que enfrentamos são semelhantes às de qualquer Centro Espírita no mundo.

Como chegam as novas publicações espíritas? O Grupo dispõe de biblioteca para empréstimo a interessados?

Temos livre acesso a Internet, baixamos livros, trazemos constantemente livros do Brasil, trocamos material entre nós, frequentadores do grupo. Procuramos nos manter atualizados com as últimas publicações.

Considerações que queira fazer ou mensagem/palavras que queira dirigir aos leitores do Jornal Mundo Espírita e/ou espíritas em geral.

Desejo compartilhar uma observação que, talvez, não seja novidade mas, que considero importante ressaltar. Ser humano é ser humano em qualquer lugar do mundo. Estamos todos no mesmo barco, necessitando olhar mais para dentro de nós, de sermos mais, termos menos, e de caminharmos mais unidos.

Foto: Ana Elisa Vilhena

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