Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Movimento Espírita em programa televisivo

agosto/2019 - Por Carlos Seris Giese

Foz do Iguaçu completou 105 anos de fundação no passado junho e em reportagem da Rede Massa – TV Naipi, que buscou mostrar a história da cidade, mereceu destaque o Movimento Espírita local, no Programa Caminhos do Oeste, no dia 4 de junho.

A repórter Rafaelle Gerhardt visitou as dependências do Centro Espírita Paz, Amor e Caridade – CEPAC, primeiro Centro Espírita da região sudoeste do Estado, nascido aos oito anos de fundação da cidade, para entrevista com a sua vice-presidente, Márcia Edith de Souza Pinto, que brilhantemente falou a respeito da Doutrina Espírita, o amplo trabalho dos pioneiros e a ação social, de tantas décadas.

 

O Centro Espírita

Em 6 de janeiro de 1922,  José Vicente Ferreira, sua esposa Selestina Eufrásia Ferreira e a cunhada Etelvina Eufrásia da Silva, fundaram o CEPAC. O grupo  se reunia desde 1918 na sua residência.

O Espiritismo era discriminado, as reuniões eram proibidas, obrigando-os a realizá-las em locais secretos e diferentes para fugirem das perseguições.

Em 1890, o Código Penal tornou o Espiritismo, por não considerá-lo uma religião, assunto para delegacias de polícia. Praticar o espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismans e cartomancias para despertar sentimentos de ódio ou amor, inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis, enfim, para fascinar e subjugar a credulidade publica [art. 157, na grafia da época] era crime punível com prisão cellular por um a seis mezes e multa de 100$000 a 500$000 [100 mil a 500 mil réis].

Prisão celular é o mesmo que privação de liberdade, em regime fechado, cumprida em penitenciária. A multa máxima correspondia a cerca de US$ 270 pelo câmbio de 1890. Os efeitos práticos desse artigo se estenderam até a década de 1960 (mesmo com as alterações do Código de 1940, vigente até hoje).

Contudo, os espíritas não desanimaram, continuaram atendendo, aconselhando e divulgando o Espiritismo. Graças ao Coronel Jorge Schimmelpfeng, que foi o primeiro prefeito do município de Vila Iguaçu (a denominação passou a Foz do Iguaçu, em 1918) instalado em 10 de junho de 1914, essa perseguição oficial aos espíritas deixou de existir.

 

A Escola

Nos anos 1940, com a preocupação pelo alto índice de pessoas socialmente carentes e órfãos, sem a possibilidade de poderem estudar, teve início o funcionamento da Casa Escolar Jorge Schimmelpfeng, nas dependências do Centro Espírita.

Essa escola foi usada, na época, pelo 1º Batalhão de Fronteira, para alfabetização dos recrutas, cujas aulas eram ministradas à noite, por professores voluntários: Dileta Maran da Silva e seu esposo 1º Sargento João Victor da Silva.

Com o sucesso do empreendimento, em setembro de 1945, auxiliados pela sociedade iguaçuense, construíram sede própria ao lado do CEPAC, sendo inaugurada em maio de 1947, atendendo a setenta alunos carentes, fornecendo educação, uniformes e materiais escolares.

No período de 1953 a 1958, com o patrocínio de  José Acelino de Castro foi criada a Casa da Sopa, que atendia aos alunos com merenda escolar.

Em 30 de março de 1968, o CEPAC, pelos serviços prestados à Comunidade, recebeu o título de Utilidade Pública Municipal, conferido pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo Prefeito Ozires Santos através da Lei nº 518.

Em 1974, tendo cumprido o objetivo pelo qual havia sido criada, a Escola foi desativada.

No período de 1989 a 1993, o local passou a funcionar como Clube da Criança, projeto em parceria com a Prefeitura de Foz do Iguaçu, atendendo crianças no contraturno escolar.

Depois de 1993, o prédio serviu à Assistência Social, com atendimento às gestantes socialmente carentes, trabalho hoje realizado nas dependências do Centro Espírita. Também foi utilizado para as reuniões de grupos de estudo da Doutrina Espírita e Evangelização Infantojuvenil.

Atualmente, encontra-se desativado, por apresentar problemas em sua estrutura, carecendo de grandes reformas. Encontra-se somente disponível para visitações, de forma esporádica, por conservar, em suas dependências, a história de um movimento nascente, que se preocupou, desde sempre, pela instrução e pelo amenizar das necessidades físicas e espirituais de toda ordem.

Fotos: Carlos Seris Giese

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