Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2019 Número 1623 Ano 87

Movimento Espírita do Paraná

Jacob Holzmann Netto

agosto/2007 - Por Laércio Furlan

O presente mês de agosto assinala a passagem do 13º aniversário da desencarnação de Jacob Holzmann Netto, ocorrida no dia 26, do ano de 1994.

Jacob nasceu a 28 de julho de 1934, no rigoroso inverno de Ponta Grossa (PR) e ali passou sua infância, ao lado dos pais, irmãos, tios e primos.

Mudou-se para a Capital do Estado, aos dez anos de idade e ingressou na Escola de Aplicação, anexa ao Instituto de Educação do Paraná.

Foi Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná – UFPR (1958) e Bacharel em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná (1972). Licenciado em Psicologia pela mesma Faculdade em 1972.

Sua vida acadêmica foi plena de premiações, como melhor aluno, recebendo inclusive o Prêmio “Rui Barbosa”, em 1958, instituído pela Prefeitura Municipal de Curitiba, ao melhor aluno do Curso Jurídico da UFPR e o Prêmio “Universitário do Ano” – Medalha de ouro – 1958, instituído pela União Paranaense dos Estudantes, ao acadêmico que mais se destacou em todo o Estado do Paraná.

Distinguiu-se na Oratória, tendo sido o 1º colocado no Curso de Oratória, realizado durante a 1ª Semana Paranaense de Estudos Jurídicos e Sociais – Medalha de ouro – 1956; 2º colocado no Concurso realizado durante a 1ª Semana Interamericana de Estudos Jurídicos e Sociais; 1º colocado entre os participantes de Língua Portuguesa, em Porto Alegre, em 1956; 2º colocado no Concurso de Oratória, realizado durante a 1ª Semana Nacional de Estudos Jurídicos e Sociais, comemorativa ao aniversário do Centro Acadêmico “Cândido de Oliveira”, órgão do corpo discente da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil- Rio de Janeiro – 1957.

Foi eleito 2º orador do Centro Acadêmico “Hugo Simas”, órgão do corpo discente da Faculdade de Direito da UFPR – 1956.

Foi orador da Turma “Prof. Napoleão Teixeira”, dos bacharéis de 1958, formados na UFPR e  orador da Turma “Sigmund Freud”, dos Psicólogos de 1973, formados pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Católica do Paraná.

Dominava, além da língua pátria, o inglês e o francês, tendo feito seus Cursos na Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa (Certificado de Habilitação da Universidade de Cambridge – 1956) e na Alliance Française (Certificado de Habilitação da Universidade de Nancy – 1956).

Foi convidado pelas formandas do Instituto de Educação do Paraná, no final de 1957, para que transmitisse uma mensagem àquelas que seriam responsáveis pela educação de tantas crianças.

Nas palavras de Deolindo Amorin: Não foi um discurso feito nos moldes triviais das orações de formatura… Não. O discurso de Jacob foi de outro feitio, na forma e no fundo, porque foi um estudo muito sério de psicologia à luz da reencarnação… ele soube trazer questões de pedagogia, de ética, de psicologia infantil para o terreno doutrinário, em face do Espiritismo. Mostrou e de modo seguro, que a Doutrina Espírita, com a sua extensão, com sólida contextura moral e filosófica, é um roteiro certo para o educador moderno.

Como orador espírita, foi em Ponta Grossa, no dia 7 de janeiro de 1957, na Sociedade Espírita Francisco de Assis que proferiu a palestra Humildade, Fraternidade e Responsabilidade, abrindo-se-lhe, a partir de então, as portas da tribuna espírita.

A sua apresentação foi feita pelo Dr. Lauro Schleder, Juiz do Tribunal de Contas do Paraná, que acentuou que poderia parecer paradoxal viesse ele apresentar um filho da cidade…. Mas, que havia uma razão para tal apresentação, pois Jacob saíra de sua terra aos 10 anos de idade e agora voltava com uma apreciável cultura, eis que estudioso e inteligente, amealhara conhecimentos que o faziam digno de admiração, como orador de largos recursos.

Em fins de março e começo de abril do ano de 1958, acompanhado pelo Dr. Lauro Schleder, iniciou uma grande jornada, proferindo no dia 30 de março, na sede da Federação Espírita do Estado de São Paulo, uma Conferência, tendo por centro a figura inconfundível do mestre de Lyon.

Em 3 de abril, Jacob teve a oportunidade de falar principalmente aos moços espíritas, reunidos em Concentração na cidade de São José do Rio Preto e, a 5 de abril, no Instituto de Cultura Espírita, sediado no Rio de Janeiro.

Ainda durante o ano de 1958, Jacob proferiu Conferências em Londrina, PR e em Taubaté, SP. Em 20 de março, lhe coube proferir a aula inaugural do Curso do Instituto de Cultura Espírita, no Rio de Janeiro, RJ, com o tema “A Pena de Morte à Luz do Espiritismo”.

Nesse ano esteve em Franca (SP), Londrina (PR), Porto União (SC), Campinas e Amparo (SP).

Posteriormente proferiu Conferências em Rio Claro, Curitiba (PR), Manaus (AM), Belém (PA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), João Pessoa (PA), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Salvador (BA), Antonina (PR), Rio de Janeiro, Petrópolis e Niterói (RJ), Araguari, Monte Alegre, Uberaba e Guaxupé (MG), Buenos Aires, Maringá (PR), Sorocaba e Franca (SP), Anápolis (GO), Barretos, Santo André e Marilia (SP), Joinvile (SC), Ponta Grossa (PR), retornando, em muitas delas, variadas vezes e em dias consecutivos.

Jacob Holzmann Neto foi o idealizador e um dos fundadores da Comunhão Espírita Cristã de Curitiba, sediada em Curitiba.

Em 1958, quando o Centro Acadêmico Hugo Simas (UFPR), convidou o venerando Professor Padre Emílio Silva para uma série de Conferências subordinadas ao título de sua livre escolha: Da Licitude e Conveniência da Pena de Morte, ao orador Jacob Holzmann Netto coube saudá-lo.

Jacob lhe elogiou a inteligência, a cultura, os copiosos títulos acadêmicos, mas, afirmou discordar daqueles que faziam  apologia da pena de morte. Concluídas as Conferências, o orador do Centro Acadêmico teve mais um dever a cumprir: agradecer ao convidado.

Jacob se referiu às intelectualizadas peças oratórias produzidas, ao grande pensador e argumentador vigoroso, mas concluiu com Corajosa Afirmação de Princípios:

Embora lhe tenha parecido que minhas palavras, quando eu o saudei há três dias, não tiveram outra força que não o arrebatamento do orador- não é o arrebatamento deseducado que grita em mim: sou cérebro e sou coração (o Padre dissera que só era contra a pena de morte quem apenas agia pelo coração…), sou cérebro e sou coração, quando sou contra a pena de morte. Apenas Vossa Excelência desconhece a doutrina – a um só tempo filosófica, científica e religiosa – que ME DÁ ESTA CONVICÇÃO. Isso importa numa PROFISSÃO DE FÉ: SOU ESPÍRITA e, COMO ESPÍRITA, não poderei, jamais, sem trair minha razão e meu sentimento, aceitar a legitimidade e a conveniência da pena de morte.

E malgrado permaneçamos ambos cristãos – Vossa Excelência mesmo o disse – hoje se me tornou patente que ENCARAMOS O CRISTO SOB PRISMAS DIFERENTES… Talvez algum dia, quando não formos mais o MESTRE e o aluno, o CLÉRIGO e o leigo, a MATURIDADE  e a juventude; em algum lugar, quando livres das contingências da matéria, a vida de um homem ou de um povo nos parecer tão pequena quanto a de um mosquito e, em compensação, a de um inseto tão infinita quanto a de um corpo celeste com toda sua poeira de nações; talvez, nesse dia, possamos compreender, juntos, que todos os homens, de todas as seitas e de todas as filosofias, lutam pela conquista da VERDADE e para ela evolam em sua marcha ascensional até Deus.1

 

1 Jornal Mundo Espírita de 30.04.1971.

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