Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89

Momento de decisão feliz

fevereiro/2021

Dizemos que querer é poder. E é.

Porém, se faz necessário complementar a frase, a fim de maior assertividade quanto ao resultado.

Entre o que queremos, examinar o que precisamos e o que podemos fazer.

Importa saber com clareza o que realmente precisamos, e, a partir de então, o que queremos.

Uma vez o desejo formulado, examiná-lo se pode e se deve ser realizado. Afinal, tudo podemos, mas nem tudo nos convém, e, mais ainda, nem tudo o que supomos precisar, efetivamente precisamos.

Definido o objetivo, conveniente se necessário, legítimo se possível, consistente se pode ser feito, eclode o que é função direta do eu, do ser: a vontade.

Sem um objetivo consciente não pode haver vontade pura.

A vontade não é apenas, e simplesmente, força de vontade, como concebemos usualmente.

Além de levar a tomar decisão, a ação da vontade pede capacidade executiva, persistência e dedicação, afirmação, foco e direcionamento realizador organizado.

Em síntese: esforço pessoal!

Atitude esta devida para vencermos as más tendências, como indica a Doutrina Espírita.

Entre saber que é preciso a superação dos limites pessoais e fazermos o que é preciso, há um intervalo somente superado pela vontade firme.

Lemos em O Livro dos Espíritos1:

Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!

O Espírito Emmanuel2 aponta que há quem fixa a mente na luz divina e segue adiante, enquanto há aquele que parou o pensamento nas próprias limitações.

E acrescenta:

O “mas” é a conjunção que, nos processos verbalistas, habitualmente nos define a posição íntima perante o Evangelho. Colocada à frente do Santo Nome, exprime-nos a firmeza e a confiança, a fé e o valor, contudo, localizada depois dele, situa-nos a indecisão e a ociosidade, a impermeabilidade e a indiferença.

Três letras apenas denunciam-nos o rumo.

 — Assim recomendam meus princípios, mas Jesus pede outra coisa.

 — Assim aconselha Jesus, mas não posso fazê-lo.

Através de uma palavra pequena e simples, fazemos a profissão de fé ou a confissão de ineficiência.

Lembremo-nos de que Paulo de Tarso, não obstante apedrejado e perseguido, conseguiu afirmar, vitorioso, aos filipenses3: “Tudo posso naquele que me fortalece.”

Em dias como os atuais, em que a impermanência é palavra que cabe em quase todas as rotinas sociais, na formulação de novos planos, no assumir de compromissos futuros e até no nosso próprio porvir pessoal, afirmar e reafirmar, fazer coro com o grande Apóstolo da Gentilidade: Tudo posso naquele que me fortalece, é enriquecimento de forças espirituais das mais necessárias.

A descontinuidade provável do dia de amanhã-social, não deve se dar quanto aos nossos propósitos alicerçados pela fé, que deve ditar padrão de fortaleza para o nosso amanhã-existencial-comportamental.

Ao invés de alimentar a mente com incertezas semeadas pela incredulidade dos corações desnutridos pela ausência da mensagem consoladora, revigorar ânimo, ouvir com ouvidos de ouvir, o Celeste Convite4: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Ao invés de nos transtornarmos com as desinformações que campeiam pelas redes sociais, apoiar-nos, confiantes, nos ditos do Senhor, como se lê, no Sermão Profético5, quando Ele nos alertou, preparou nossos corações, que haveria guerras, terremotos em vários lugares, fomes, pestilências e outras coisas espantosas, bem como grandes sinais do céu, mas o fim não seria logo.

Ao invés de nos descompensarmos emocionalmente, agarrarmo-nos à certeza da Divina Presença em nossos dias. Afinal, Ele nos ensinou a observar, e tirar lições de sustento da coragem, ao lecionar que as aves nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus as alimenta.

Sabemos que nada, em toda a Criação, está oculto aos olhos de Deus.

Formulemos objetivos conscientes, lídimas intenções de crescimento espiritual, e acolhamos primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas essas coisas nos serão acrescentadas nos momentos adequados da jornada evolucionária.

Façamos desses dias momentos de reflexão, encontremos significação edificante para nosso existir.

Ao invés de formular obstáculos em nossos passos, aproveitemos o agora para aceitar as mãos desde sempre distendidas dAquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Seja este o nosso momento de decisão feliz!

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 3, cap. XII, q. 909.
  2. XAVIER, Francisco Cândido. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1982. cap. 79.
  3. BÍBLIA, N. T. Filipenses. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 4, vers. 13.
  4. Op. cit. Mateus. cap. 11, vers. 28.
  5. Op. cit. Lucas. cap. 21, vers. 5 a 19.
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