Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Metempsicose

outubro/2019

Do gr. μετεμψύχωσις,  meta – além depsique – alma, é o termo genérico para a teoria da transmigração da alma, de um corpo para outro, seja este do mesmo tipo de ser vivo ou não. Essa crença abrange a possibilidade da alma humana encarnar em animais ou vegetais.

O termo é encontrado em Pitágoras e Platão. Segundo Platão4, os homens que nunca compreenderam a natureza do céu por não usarem a inteligência, por castigo, na próxima vida habitarão o corpo de animais ferozes (leão, tigre). Explica que esse tipo de ser humano nascerá com quatro patas ou mais porque a divindade fez com que os seres humanos de pouca inteligência tivessem maior base de sustentação para arrastar-se pela terra. O filósofo vai além, afirmando que os seres humanos mais atrasados nasceriam sem patas para que rastejassem com o corpo todo pela terra (cobra, centopeia, entre outros).  Sobre os animais marinhos afirma que são almas contaminadas por toda a sorte de faltas, portanto, não dignas de respirar o ar puro, vivendo nas profundezas dos oceanos.

A Doutrina Espírita opõe-se a essa doutrina, pois a transmigração da alma do homem para o animal implicaria na ideia de retrogradação evolutiva, o que entra em desacordo com um dos principais pontos da doutrina, que diz que o Espírito nunca retrocede.

Ensinando o princípio da pluralidade das existências corporais, os Espíritos renovam uma doutrina que teve origem nas primeiras idades do mundo e que se conservou no íntimo de muitas pessoas, até aos nossos dias. Simplesmente, eles a apresentam de um ponto de vista mais racional, mais acorde com as leis progressivas da Natureza e mais de conformidade com a sabedoria do Criador. (…)1

A reencarnação se fundamenta na Justiça Divina e tem por objetivo a expiação e o melhoramento progressivo da Humanidade, tornando-se, depois das sucessivas reencarnações Espírito bem-aventurado; puro Espírito.2

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan. O livro dos Espíritos. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. pt. 2, cap. V, q. 222.
  2. cit. pt. 2, cap. IV, q. 167 e ss.
  3. cit. pt. 2, cap. XI, q. 611 e ss.
  4. 4.PLATÃO. Timeu. Diálogos. Trad. Carlos Alberto Nunes. Universidade Federal do Pará, 1977.
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