Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87
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Memórias do padre Germano

julho/2015 - Por Marco Antonio Negrão

O título completo deste livro é Fragmentos das Memórias do Padre Germano. Foi publicado, por primeira vez, pela Federação Espírita Brasileira – FEB, no ano de 1909, traduzido por Manuel Quintão.

Trata-se de vários ditados do Espírito Padre Germano ao médium sonâmbulo Eudaldo Pagés, do Centro Espírita A Boa Nova, da ex-vila de Grácia, atual bairro em Barcelona, registrados por Amália Domingo Soler que, em abril de 1880, começou a publicá-los, no Jornal Espírita A Luz do Porvir, sob a forma de novela.

Amália, nascida a 10 de novembro de 1835, na cidade de Sevilha, Espanha, desencarnou a 29 de abril de 1909. Foi figura de grande destaque no seio do Espiritismo espanhol, tendo sua fama ultrapassado as fronteiras da Península Ibérica, alcançando os países americanos de fala castelhana.

Sua vida foi entrecortada de dores físicas e morais. Tudo suportou com estoicismo.

Com a idade de dez anos, começou a escrever; aos dezoito dava à publicidade as suas poesias. Os problemas visuais a acompanhariam por toda vida.

Procurou consolo no seio das religiões tradicionais. Os dogmas não a satisfaziam. Os conceitos da vida no além-túmulo, apregoados por essas religiões, não preenchiam o imenso vácuo que existia em sua alma.

Um dia, tomou conhecimento do Espiritismo.  A partir daí, passou a compreender que o Evangelho de Jesus é, na realidade, uma fonte de água viva que jorra para a vida eterna.

Os cognomes de poetisa das violetas e cantora do Espiritismo lhe foram outorgados, pois o seu nome projetou-se de tal forma que ela se tornou, de direito e de fato, uma das mais apreciadas poetisas de seu tempo.

O trabalho de Amália, no campo da divulgação do Espiritismo, foi de relevante importância, tendo contribuído decididamente para que a Doutrina dos Espíritos passasse a desfrutar de enorme prestígio naquela nação.

Padre Germano foi um sacerdote da Igreja Católica que viveu, provavelmente, entre os séculos XVIII e XIX, na região norte da Espanha e/ou sudoeste da França, próximo ao litoral do Mediterrâneo. Nessa existência quis, por dever, viver o sacerdócio do Cristo.

Consagrou- se à consolação dos humildes e oprimidos, ao mesmo tempo que desmascarava os hipócritas e falsos religiosos da Igreja Romana.

Tal procedimento lhe causou muitos dissabores e perseguições sem trégua, cruéis insultos, perseguições e até ameaças de morte. Vítima dos superiores hierárquicos, assim viveu desterrado em obscura aldeia, ele que, pelo talento, bondade e predicados especiais, poderia ter conduzido a seguro porto, sem perigo de soçobro, a arca de São Pedro.

O livro compreende trinta e três capítulos, nos quais o Espírito relata situações vividas em seu apostolado sacerdotal, suas observações e os ensinamentos que retirou de cada uma delas.

O capítulo três é, possivelmente, dos mais emocionantes porque fala do seu amor por uma mulher. O interessante é que a jovem era apaixonada por ele e o declarou nas quatro vezes em que se encontraram, sem que ele, houvesse, de forma alguma, desrespeitado os seus votos sacerdotais.

Ela chegou a se casar e morreu jovem, em torno dos vinte e quatro anos, vitimada pela peste, sendo ele quem lhe acompanhou os últimos momentos e, na sequência, lhe providenciou a sepultura.

Declara: Foi junto da sua campa que compreendi o valor da Reforma Luterana, e regando as plantas que lhe davam sombra foi que se me dissiparam as sombras da imaginação.

Conheci, mais, quão pequena era a igreja dos homens e grande o templo universal de Deus.

Amor! Sentimento poderoso, força criadora… sois a alma da alma, porque vindes de Deus.

Sacerdotes sem família são como árvores secas, e Deus não quer a esterilidade do sacrifício e sim o amor universal!

O livro retrata a postura de um Espírito cônscio de seu dever. Segundo ele, evitou mais de quarenta suicídios. Isso porque, com sua sensibilidade, conseguia libertar jovens que eram internadas em conventos, obrigadas a tomar votos religiosos, simplesmente por não desejarem determinado consórcio que lhes fora arranjado.

São histórias e mais histórias de um sacerdote que honrou o Evangelho e, sem pensar em si, salvou vidas. Acolheu órfãos e os guiou na jornada terrena.

As predições que fazia, oriundas de seus entendimentos de medicina, os socorros que prestava, as intervenções, as palavras de consolo, tudo foi criando em torno de si um halo de santidade.

Ao final da obra, foi inserida história psicografada por Francisco Cândido Xavier, em 1931, de autoria do mesmo Espírito e que, inicialmente, foi publicada nas páginas da revista Reformador, da FEB, durante o ano seguinte, nos fascículos de 16 de fevereiro, 1º e 16 de março.

É um livro que condensa muitas histórias e que poderia, se levado a um produtor interessado, redundar em vários filmes, de alto valor histórico e moral.

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