Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Melhores

junho/2018 - Por Antônio Moris Cury

No Discurso do encerramento do ano social (1858-1859), que se encontra na Revista Espírita de julho de 1859, assinala o Codificador que a finalidade do Espiritismo é a de tornar melhores os que o compreendem.

Vê-se, então, que uma das propostas da veneranda Doutrina Espírita é a de tornar melhores as pessoas que a compreendem. E para compreendê-la é necessário ler as obras básicas (O Livro dos Espíritos, O Livro dos médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A gênese), estudá-las, refletir. A compreensão resultará da leitura, do estudo e da reflexão. O único requisito exigido é o de saber ler. Quem sabe ler [e estamos diante de considerável maioria] está em condições de examinar, de refletir, de aprender e, principalmente, de compreender.

A leitura, como se sabe, é um hábito que pode ser adquirido a qualquer momento por quem saiba ler e tenha esse interesse, de todo conveniente, porque só agrega valor e enriquecimento. Enriquecimento de conhecimento, de vocabulário, de novas ideias, de incontáveis comparações que se podem fazer. E é de muito simples aquisição, pois se somos capazes de cultivar e adquirir facilmente hábitos que só nos trazem danos e prejuízos para a nossa saúde, física e mental [de que são exemplos o tabagismo e o alcoolismo], por que não seríamos capazes de incorporar o hábito da leitura, do estudo e da reflexão, que só nos trazem benefícios, e benefícios de variadíssima ordem.

É claro que podemos! Basta que tenhamos vontade. A propósito, como registrou o eminente Léon Denis, um dos clássicos da Doutrina: O princípio superior, o motor da existência, é a vontade. A Vontade Divina é o supremo motor da Vida Universal.1

Se realmente temos vontade, conseguimos. Se efetivamente desejamos, realizamos. Às vezes, pode-se deparar com a preguiça, que talvez tenha levado o escritor Mário Quintana a afirmar: O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler e não lê. Entretanto, essa questão será facilmente ultrapassada por quem estiver disposto a ler, estiver com vontade de progredir, de avançar. Bastam vontade e alguma disciplina.

Se pararmos para pensar melhor, veremos que a leitura e o estudo, além do que foi apontado anteriormente, são capazes de nos auxiliar, por exemplo, em nosso autoconhecimento, pela aluvião de ideias que nos proporcionam a cada passo. E o autoconhecimento é de importância ímpar, até mesmo para que amemos ao próximo, uma vez que só poderemos amar ao próximo se nos amarmos, e para que nos amemos é preciso que nos conheçamos, daí porque o conhecimento de si mesmo [o autoconhecimento] é a chave do progresso individual.2

Isso também claramente implica a aplicação prática do ensinamento maior de Jesus, o Cristo, que resumiu toda a lei e os profetas numa milenar, magnífica e enxuta sentença: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo que, em outras palavras, significa que devemos fazer ao próximo somente aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse.

A proposta do Espiritismo de tornar melhores os que o compreendem é, por si, extraordinária.

Com efeito, com a compreensão da Doutrina, seguramente, seremos pessoas melhores, mais tolerantes, mais compreensivas, mais dispostas a perdoar as falhas e os erros dos outros diante da irrecusável conclusão de que estamos, nesta existência, num planeta de expiações e de provas, onde ainda predominam o mal e a imperfeição, isto é, nós também podemos incorrer nas mesmas falhas e nos mesmos erros, e muito, provavelmente, incorremos com frequência.

Além disso, como decorrência da compreensão doutrinária, certamente seremos mais fraternos, mais conciliadores, dispostos a construir o diálogo e o entendimento entre as pessoas, conscientes de que A boa vontade e a cooperação representam as duas colunas mestras do edifício da fraternidade humana.3

Igualmente, procuraremos ser mais agradáveis, mais simples, despidos de qualquer tipo de afetação, que em nada ajuda, mais cooperadores com a obra divina, especialmente por sabermos que Deus não nos entregou o planeta pronto e acabado.

Com a compreensão do Espiritismo passaremos a enxergar no próximo um irmão e, repetindo para reforçar, fazer a ele apenas o que gostaríamos que ele nos fizesse. Ver no próximo um irmão, que, assim como nós, também está a caminho do crescimento, da evolução, do progresso intelectual e moral, na busca da perfeição relativa e da felicidade suprema, a que todos aspiramos e que, um dia, certamente alcançaremos.

 

Referências:

1.DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor.  Rio de Janeiro: FEB. pt. 3, cap. XX.

  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB. pt. …, cap. ….q. 919.

3.XAVIER, Francisco Cândido. Momentos de reflexão. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. Cidade: Planeta do Brasil. cap. Fraternidade.

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