Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Meditemos nisso

junho/2009 - Por José Passini

Nós, trabalhadores da seara espírita, devemos meditar profundamente sobre as exigências a que se devem submeter aqueles que, ao serem transferidos para o Mundo Espiritual, pretendem continuar suas tarefas. Aqui, em nome da  tolerância, da fraternidade, e, até mesmo da pieguice, aceitam-se trabalhadores que têm pouca noção de responsabilidade. Há muitas pessoas que não têm coragem para abandonar de vez a tarefa, mas também não a têm para se esforçarem, no sentido de se capacitarem cada vez mais para darem conta delas. Enganam-se a si próprios que estão trabalhando…

No livro “Nosso Lar”, temos algumas situações vivenciadas por André Luiz, quando se candidatou ao trabalho. Na obra “Os Mensageiros”, ele anota as instruções do nobre instrutor Aniceto, que lhe passa algumas noções do regulamento a ser observado por aqueles que quisessem trabalhar com ele.

Aniceto, o instrutor espiritual, revela-se, ao longo da obra, como Espírito que alia bondade imensa a conhecimento profundo. Trata-se de verdadeiro modelo de virtudes, entre as quais se destaca a disciplina, tanto para si quanto para aqueles que trabalham com ele. Aqui na Terra, se chefiando alguma equipe de trabalhadores da seara espírita, por certo encontraria forte resistência entre os trabalhadores, que o julgariam excessivamente exigente.

André Luiz registra, nos capítulos 2 e 3, algumas recomendações dele aos candidatos. Nos capítulos de 9 a 12, lê-se o relato de vários Espíritos que, embora bem preparados antes da encarnação, falharam no desempenho das tarefas a que se propuseram, talvez porque não tenham tido os alertamentos que temos agora!

Eis alguns tópicos dos capítulos 2 e 3:

Nosso serviço é variado e rigoroso. O departamento de trabalho, afeto à nossa responsabilidade, aceita somente os cooperadores interessados na descoberta da felicidade de servir. Comprometemo-nos, mutuamente, a calar toda

espécie de reclamação. Ninguém exige expressão nominal nas obras úteis realizadas, e todos respondem por qualquer erro cometido. Achamo-nos, aqui, num curso de extinção das velhas vaidades pessoais, trazidas do mundo carnal. Dentro do mecanismo hierárquico de nossas obrigações, interessamo-nos tão somente pelo bem divino. Consideramos que toda possibilidade construtiva vem de nosso Pai e esta convicção nos auxilia a esquecer as exigências descabidas de nossa personalidade inferior.

Mais adiante, Tobias comenta a função do Centro de Mensageiros:

            Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de

 aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do

conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso

Centro de Mensageiros.

Diante do que diz Tobias, não seria prudente examinarmos a possibilidade de termos sido preparados para alguma tarefa relacionada à difusão do Espiritismo? Não seria, por certo, a consulta a um médium o meio de nos certificarmos se temos algum compromisso firmado antes da nossa atual encarnação. Bastaria que observássemos quais as oportunidades de trabalho que nos são oferecidas, buscando na oração a lucidez necessária para nos esclarecermos, mesmo porque, as referências aos que fogem dos compromissos é preocupante:

Saem milhares de mensageiros aptos para o serviço, mas são muito raros os que triunfam. Alguns conseguem

execução parcial da tarefa, outros fracassam de todo. O serviço legítimo não é fantasia. É esforço sem o qual a obra não pode aparecer nem prevalecer.

Aqui na Terra, quantas vezes não se ouvem reclamações quanto às exigências de um companheiro guindado à posição de dirigente de um grupo de trabalho? Ao solicitar observância de horário, assiduidade, seriedade na execução da tarefa aos companheiros, quantas vezes aquele que dirige recebe demonstrações de desagrado, muitas vezes comentários descaridosos? Aniceto, se encarnado, dificilmente não seria tachado de “mandão”, ao expressar-se assim:

Esclareça ao novo candidato os nossos regulamentos e venham juntos para as instruções após o meio-dia.

André Luiz, que já assimilara as normas de trabalho, pondera:

Notei que o trabalho no Posto se desenvolvia em ambiente da mais bela camaradagem, não obstante o respeito natural às noções de hierarquia.

Diante do que acabamos de ver, podemos sentir-nos na posse de belíssima oportunidade de serviço no bem, porta a dentro da nossa própria individualidade. Animados desse entendimento de reforma íntima, aproveitemos as oportunidades que nos são concedidas, aqui na Terra, onde as exigências são menores. Se as aproveitarmos, estaremos nos capacitando a integrar, no futuro, equipes de trabalho no Mundo Espiritual. Caso contrário, teremos – na melhor das hipóteses – longo período de reeducação espiritual antes de sermos admitidos no trabalho efetivo sob a égide de Jesus.

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