Jornal Mundo Espírita

Julho de 2017 Número 1596 Ano 85
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Mary Jane McLeod Bethune, a conselheira do Presidente

julho/2017 - Por Mary Ishiyama

Para que muitos brilhem é necessário haver homens e mulheres que trabalhem em silêncio, criando alicerces e, muitas vezes, jamais partilhem do brilho dos seus sucessores.

Uma dessas personagens é, sem dúvida, Mary Jane McLeod Bethune. Foi educadora, filantropa, ativista humanitária e dos direitos civis para mulheres negras.

Em 10 de julho de 1875, em Mayesville, Carolina do Sul, Estados Unidos, décima quinta filha entre dezessete, ela nasceu para ser pioneira em muitas coisas.

Desde muito nova, teve grande interesse em sua própria educação. Em uma época onde negros não eram considerados, ela estudou em uma escola de missionários. Conseguiu uma bolsa de estudos e foi para Chicago onde se graduou, em 1890, no Instituto Dwight Moody para Missões Domésticas e Internacionais.

Seu sonho era ir em missão à África. Com o passar dos anos e o distanciamento da realização desse sonho, iniciou o projeto de escolas da região de Daytona Beach, na Flórida.

Casada com Albertus Bethune, fundou, em 1904, uma escola para meninas negras. Ela conseguiu três caixotes de cebola, colocou-os debaixo de uma árvore e começou a ensinar suas seis alunas a ler e escrever.

Sua escola cresceu rapidamente e fundiu-se com o Instituto Cookman para meninos. A qualidade de ensino da instituição ultrapassou em muito os padrões de educação para alunos afro-americanos na época e rivalizava com as melhores escolas para estudantes brancos da região.

Mary Jane trabalhou incansavelmente para assegurar o financiamento e a manutenção de sua escola, usando-a como vitrine para turistas e doadores em potencial, expondo o que crianças afro-americanas educadas poderiam realizar, otimizando ao máximo todo o seu enorme potencial.

Mais tarde, filiou-se à Igreja Metodista Unida e se tornou faculdade, atualmente, Universidade Bethune-Cookman.

Mary Jane participou de organizações de mulheres afro-americanas, como a Federação de Mulheres Negras da Flórida, a Associação Nacional de Mulheres de Cor, e a Comissão de Bem-Estar Infantil, onde conheceu Eleanor Roosevelt, esposa do presidente Franklin D. Roosevelt, de quem recebeu apoio incondicional.

Em 1935, mudou-se para Washington e fundou o Conselho Nacional de Mulheres Negras (National Council of Negro WomenNCNW). Nesse mesmo ano, o presidente Roosevelt nomeou-a diretora da Divisão de Assuntos Afro-Americanos da Agência da Juventude, o que fez dela a primeira mulher negra a dirigir uma divisão em uma Agência Federal.

Participou, também, do grupo informal de assessores denominado gabinete negro, que Roosevelt consultava sobre assuntos das minorias e relações inter-raciais. Esse gabinete era composto por quarenta e cinco negros, tendo uma única mulher, a senhora Bethune. A maioria dos membros não eram políticos, mas líderes comunitários, acadêmicos e ativistas, com fortes laços com a comunidade afro-americana.

Na Administração Nacional da Juventude (National Youth Administration – NYA) o objetivo era ajudar jovens negros desempregados, entre dezesseis e vinte e cinco anos, que não frequentavam a escola. Era a única negra e teve que ser firme para garantir os direitos dos negros nessa divisão.  Trabalhou para garantir que alunos negros fossem amparados através de programas escolares e assegurou a participação das faculdades negras nesse programa.

A determinação de Bethune ajudou as autoridades nacionais a reconhecerem a necessidade de melhorar empregos para os jovens negros. O relatório final do NYA, publicado em 1943, declarou: Mais de 300.000 homens e mulheres jovens negros receberam emprego e treinamento de trabalho em projetos do NYA, capacitando a maioria deles para trabalhos para os quais não se achavam qualificados.

Tendo se tornado amiga pessoal da senhora Roosevelt, Mary Jane granjeou franco acesso à Casa Branca. Chegou a sentar-se, em um jantar, no lugar de honra, ao lado direito do presidente.

Isso tudo contribuiu para granjear-lhe inimigos brancos, que lhe renderam ameaças a sua vida, como a Ku Klux Klan e, mesmo entre alguns afro-americanos que não viam com bons olhos seu trabalho junto aos brancos.

Mas ela trabalhou sem descanso para influir nas leis que diziam respeito aos afro-americanos e às mulheres em especial. Foi uma importante voz na defesa dos direitos humanos até sua morte em 18 de maio de 1955.

Ela teve um filho que lhe deu cinco netos mas, no seu testamento, menciona as filhas, que são as mulheres que assumiram seu trabalho, deixando-lhes um lindo recado:

Deixo-lhes amor. Deixo-lhes esperança. Deixo-lhes o desafio de desenvolver a confiança entre uns e outros. Deixo-lhes a vontade de continuar educando. Deixo-lhes o respeito ao uso do poder. Deixo-lhes fé. Deixo-lhes dignidade racial. Deixo-lhes o desejo de viver em harmonia com seus cônjuges e, finalmente, deixo-lhes a responsabilidade de nossa gente jovem.2

 

Bibliografia:

  1. www.cookman.edu.

2.https://noticias.terra.com.br/mary-mcleod-bethune-a-conselheira-presidencial-filha-de-escravos,a0483af1594fa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

  1. https://www.wdl.org/pt/item/4013/
  2. https://www.floridamemory.com/onlineclassroom/marybethune/

Educator and Civil Rights activist Mary McLeod Bethune reading a document, 1940. (Photo by Afro American Newspapers/Gado/Getty Images)

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