Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Martin Luther King Jr.

outubro/2013 - Por Mary Ishiyama

Existem homens que dormem e existem homens que sonham.

Ele sonhou: Eu tenho um sonho. O sonho de que um dia meus quatro filhos viverão em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter…

No dia 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia, nasceu o homem que traria dignidade ao povo negro americano, liberto da escravidão e refém do preconceito racial.

Martin Luther King Jr. sentiu na pele o preconceito e isso só solidificou sua urgência em libertar os negros. Ele tinha o sonho de liderar o povo como fizera Mahatma Gandhi, em quem se espelhava e dizia: Se deu certo na Índia dará certo aqui.

Aos quinze anos, tinha muito claro em seu coração o caminho que deveria seguir. Precisava somente descobrir como fazer. Em um lindo diálogo com a lua, ele viu uma estrela cadente riscando o céu, sentiu como se o peito lhe tivesse sido rasgado e que todo o amor do mundo ali fosse colocado, e disse: É isso! Amor, eis a resposta!

Em 1951, formou-se bacharel em religião, ganhou os prêmios Pearl Plafker e o Lewis Crozer Fellowship, fez doutorado em Teologia Sistemática, em Boston.

Nesse mesmo ano, conheceu Coretta Scott. Sempre muito decidido e direto, pediu-a em casamento, no mesmo dia. Disse não lhe prometer um mar de rosas, mas lhe dar todo seu amor, fidelidade e respeito.

Em choque, ela perguntou: Você não me promete um mar de rosas nem maremoto, né?

Sério, ele olhou em seus olhos, e disse: Talvez um furacão. Deus falou ao meu coração para eu servir ao nosso povo. Minha missão é libertar o povo negro da discriminação. E para isso não medirei esforços.

Em 18 de junho de 1953, casaram-se.

Martin assumiu a Igreja Batista de Montgomery, Alabama, onde o preconceito era muito forte.

A hora da sua missão foi acionada no dia 1º de dezembro de 1955, quando Rosa Parks se recusou ceder lugar no ônibus a um branco, sendo presa. Martin convocou todos a fazerem boicote aos ônibus, pediu que distribuíssem panfletos, que os pastores falassem, nas suas pregações. Logo, tudo estava nos jornais. Esse boicote durou cerca de um ano.

Começaram as ameaças à vida de Martin e sua família, cartas e telefonemas, diariamente. Sua casa foi bombardeada, mas nada o deteve.

Martin conseguiu que o Supremo Tribunal determinasse que a segregação racial fosse vista como inconstitucional e, assim, deixou de haver segregação racial nos ônibus.

O sucesso obtido em Montgomery com o boicote aos ônibus desencadeou boicotes e protestos por todos os lados. Os negros e os diversos sindicatos precisavam estar unidos. Por isso, Martin passou a viajar para onde precisassem dele. Fez mais de duzentos discursos pelo país, foi preso diversas vezes, pelos mais variados motivos.

As atrocidades que os negros sofreram, como represália, foram terríveis e lastimáveis. Violências sofridas, mas não retribuídas. Grupos de crianças e jovens, cantando Nós queremos liberdade, foram covardemente agredidos, nas ruas, por jatos potentes de água, cachorros foram soltos sobre eles. Tudo era noticiado pelos repórteres, aos quais Martin agradecia. Sem a presença da imprensa, o mundo raramente teria acreditado nos horrores perpetrados.

Em 28 de agosto de 1963, Martin promoveu a Marcha sobre Washington, em comemoração ao centésimo aniversário da abolição dos escravos nos Estados Unidos. Ele esperava em torno de cem mil pessoas mas foram duzentos e cinquenta mil homens brancos e negros que caminharam juntos, em direção ao Lincoln Memorial, cantando We Shall Overcome (Nós vamos vencer), portando cartazes com os dizeres: Pedimos, em 1963, a liberdade que foi prometida em 1863.

Martin, então, pronunciou o conhecido discurso: Eu tenho um sonho. Naquele dia, muitos jornais anunciaram que ele se tornara o não oficial Presidente da América Negra.

Apenas um mês depois do assassinato do Presidente John F. Kennedy, a Igreja Batista da Rua 16, ponto de encontro dos líderes do movimento, em Birmingham, sofreu um atentado a bomba. Quatro meninas foram mortas e muitas crianças ficaram feridas.

Nesse dia, Martin previu seu assassinato: Isso vai acontecer comigo.

Em outubro de 1964, Martin Luther King Jr. recebeu o Prêmio Nobel da Paz. De imediato, iniciou uma campanha exigindo direito a voto. Em verdade, estava estabelecido que os negros tinham direito a voto, contudo, precisavam se cadastrar na Junta Eleitoral, o que nunca conseguiam.

Em 1965, realizada uma marcha pacífica em direção ao Tribunal Eleitoral de Montgomery, foram todos presos, inclusive Martin, que afirmou haver mais negros com ele na cadeia do que na lista de votação. A campanha alcançou êxito.

No dia 3 de abril de 1968, em Memphis, para onde fora para dar apoio à Campanha das pessoas pobres, realizou um sermão no Templo Mason, ponto de encontro dos grevistas.

Em dado momento, desabafou: Assim como qualquer pessoa, eu gostaria de viver por muito tempo. Mas não estou certo de que isso possa acontecer. Quero apenas atender a vontade de Deus. Ele me permitiu subir à montanha. E eu olhei de lá e vi a terra prometida. Eu não posso estar lá com vocês. Mas quero que saibam, esta noite, que nós obteremos a terra prometida. Estou feliz esta noite. Não estou preocupado com nada. Não estou com medo de ninguém. Meus olhos viram a glória que vem do Senhor.1

No dia seguinte, Martin, pessoas do sindicato e seu amigo confidente, Ralph W. Abernathy, passaram o dia inteiro no quarto 306 do Hotel Lorraine, traçando estratégias para uma marcha prevista para a semana seguinte. Por volta das dezoito horas, pronto para ir ao evento que haveria no Templo Mason, ele pediu ao cantor Ben Branch que cantasse Precious Lord e foi até o terraço de seu quarto. Ouviu-se um estampido, que se assemelhava a uma explosão de dinamite, segundo testemunhas. E assim foi calada a voz de uma nação, aos trinta e nove anos de idade.

Com certeza, cumprira sua tarefa. Como previra, desejaria viver por muitos anos, mas deveria apenas atender a vontade de Deus.

Ele é o único negro americano que tem um dia de feriado nacional. O dia de Martin Luther King Jr.

 

Referências bibliográficas:

  1. SCHLOREDT, Valerie. BROWN, Pam. Tradução de Carmen Carril e Nairton José Bàdue.  Marthin Luther King Jr. São Paulo: Globo, 1993.
  2. CURY, Fernanda. Martin Luther King, o Pacificador. São Paulo: Minuano, 2006.
  3. WHITMAN, Christy. O jovem Martin Luther King. São Paulo: Nova Alexandria, 2004.
  4. veja.abril.com.br/historia/morte-martin-luther-king/pesadelo-americano-assassinato-tiro-memphis.shtml
Assine a versão impressa
Leia também