Jornal Mundo Espírita

Dezembro de 2018 Número 1613 Ano 86

Mansão do Caminho – Selo Personalizado e Carimbo Comemorativo

dezembro/2012 - Por Maria Helena Marcon

Terá pensado o jovem baiano, naquele distante 1952, que tudo culminaria dessa forma?

Até que ponto terá penetrado a sua visão psíquica, durante aquela sua curta viagem de trem de menos de dez quilômetros, visão que o levou a fundar a Mansão do Caminho?

À semelhança do Codificador da Doutrina Espírita, a quem os Espíritos haviam pressagiado as dores e as calúnias, as torpezas que os homens lhe promoveriam, a partir do momento em que abraçasse a sua missão, não o informando das bênçãos que recolheria, ao longo dessa jornada, terão os Celestes mensageiros permitido a Divaldo Pereira Franco entrever os júbilos que desfrutaria?

Possivelmente, com sua sabedoria, nada lhe terão dito a respeito, mesmo porque somente uma pequena ponta do véu de Ísis deverá ter sido erguido na oportunidade.

Isso porque os Espíritos Superiores não nos tolhem o livre-arbítrio e dosam, com exatidão, suas informações.

Enfim, os anos se somaram. Uma farta semeadura. Colheita dos frutos opimos: Sessenta anos de fundação da Mansão do Caminho.

Hoje, a Mansão do Caminho, situada no bairro do Pau da Lima, na capital baiana, é um complexo de cinquenta e duas edificações, que atendem a gestante, desde o pré-natal, à criança a partir de dois meses até a conclusão do ensino fundamental, englobando atendimento a toda a família.

Das diversas atividades socioeducacionais, podem se enumerar a entrega dos enxovais para os bebês, creche, escolas de ensino fundamental, Informática, Cerâmica, Panificação, Bordado, Reciclagem de Papel, Centro Médico, Laboratório de Análises Clínicas, Atendimento Fraterno, Caravana Auta de Souza, Casa da Cordialidade e Bibliotecas.

Os idosos merecem especial atendimento. Essas criaturas, que foram pais e mães,  trabalharam e, na velhice, encontram a solidão e o abandono, como frutos da ingratidão dos que ainda não aprendemos a ser ao menos gentis com quem tanto contribuiu, ao longo de sua vida.

A mais recente edificação é o Centro de Parto Normal Marieta de Souza Franco, inaugurada na manhã radiosa de 26 de agosto de 2011.

O projeto pioneiro é audacioso, com instalações físicas modernas e funcionais. Seu objetivo é acolher a gestante, avaliar as suas condições, propiciar o acompanhamento durante o parto e garantir assistência ao recém-nascido.

Está equipado com seis leitos PPP – Pré-parto, parto e pós-parto, conferindo o máximo de conforto e funcionalidade. Em caso de situações de risco ou emergência médica, uma ambulância, totalmente equipada, possibilita a transferência imediata da gestante para hospital conveniado.

Na madrugada seguinte à inauguração, dia 27, nasceu a primeira criança, do sexo feminino. Divaldo Franco, presente nessa hora, exultou de alegria, comemorando esse nascimento com a equipe de técnicos, com a parturiente e sua filha.

Até outubro de 2012, conforme informações colhidas in loco, somente houve um caso de transferência da parturiente a hospital conveniado, por não ser possível o parto normal.

Com o Centro de Parto, Divaldo realiza seu sonho: cuidar da criança desde o nascimento até a conclusão de sua escolaridade básica.

Ainda no dia 26 de agosto de 2011, foi inaugurado o Memorial Divaldo Pereira Franco, cujo objetivo é registrar documentalmente a história da Mansão do Caminho e a trajetória de Divaldo Franco ao longo de seus sessenta e cinco anos de divulgação da Doutrina Espírita.

Mas foi no dia 11 de outubro de 2012, no Salão de Convenções do Hotel Iberostar  Bahia, na Praia do Forte, ao ensejo da abertura do Encontro Fraterno com Divaldo Pereira Franco, que o trabalho da Mansão do Caminho recebeu o reconhecimento nacional.

Logo após a abertura do Encontro, a que compareceram setecentas e setenta e três pessoas, de vinte e dois Estados e do Distrito Federal, representando cento e três cidades brasileiras e quatro países: Alemanha, Áustria, Paraguai, Suíça, Telma Sarraf, que conduzia os trabalhos, em nome da Mansão do Caminho, anunciou que estavam presentes os representantes da Empresa de Correios e Telégrafos – ECT, entregando o comando da solenidade, a partir de então, ao Cerimonial dos Correios para o lançamento do Selo Personalizado e Carimbo Comemorativo aos Sessenta anos da Mansão do Caminho.

A  mestre de cerimônias assomou à tribuna e convidou o Diretor Regional Adjunto dos Correios na Bahia, Marcelo Schwab Rodrigues, representando o Diretor Titular, Cláudio Moras Garcia, para se posicionar junto à mesa de lançamento.

Para entendermos da importância do ato e das peças filatélicas que contemplam essa significativa data, importante se atente às palavras da Mestre de Cerimônias:

O Ministério das Comunicações e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, por meio da Diretoria Regional da Bahia, lançam, nesta oportunidade, no universo do colecionismo postal, um selo personalizado e um carimbo comemorativo, assinalando os Sessenta anos da Mansão do Caminho.

O carimbo comemorativo é uma marca postal que registra e documenta a História, fixando os acontecimentos importantes do país, situando-os no tempo com a data e, no espaço, com a indicação do local. Circula nas peças filatélicas e correspondências das Instituições que pleiteiam sua emissão, propagando, por meio da imagem e legenda, o tema que lhe deu origem. Tem local de lançamento e período de circulação definidos, com base nos fatos e eventos que comemora.

Para efetivação do lançamento do carimbo comemorativo aos Sessenta anos da Mansão do Caminho, será lançado sobre um selo personalizado, criado especialmente para este evento, que é composto por duas imagens distintas, separadas pelo picote: o selo postal e a vinheta.

O selo postal traz elementos significativos dos símbolos nacionais: o mapa do Brasil, preenchido por um ipê florido e a bandeira nacional tremulando sobre o céu azul.

A vinheta é composta à direita pela bela imagem de Joanna de Ângelis, mentora espiritual e idealizadora do Projeto da Mansão do Caminho. À esquerda, pela imagem de Francisco de Assis, que deu a ela o aval para a realização do Projeto e, ao centro, pela imagem do primeiro prédio da Mansão do Caminho. Abaixo, a inscrição: 60 anos – 1952 – 2012.

Informamos que as peças carimbadas e assinadas pelas autoridades convidadas para o ato, passarão a fazer parte do acervo filatélico dos Correios e servirão como fonte de pesquisa e registro de tão importante acontecimento no contexto histórico e sócio-cultural.

Para o ato de aplicação do carimbo e assinatura da cartela de lançamento, o diretor regional adjunto dos Correios na Bahia convidou Divaldo Pereira Franco, que foi apresentado como professor, médium, orador espírita e fundador da Mansão do Caminho;

– o também fundador da Mansão, Nilson de Souza Pereira;

– o representante da Federação Espírita Brasileira, João Pinto Rabelo;

– os representantes dos colaboradores da Mansão, Ana Maria Veronese Beira e Jonas Pinheiro Leitão.

Em seu pronunciamento, Marcelo Rodrigues disse ser uma grande honra para nós, da ECT, participarmos desta justa homenagem dos Sessenta anos da Mansão do Caminho. Afinal, são seis décadas de História de espaço, que nasceu para acolher crianças órfãs, mas que ganhou, ao longo dos anos, uma grande dimensão, tornando-se referência, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Solidariedade, fraternidade, entrega, doação – palavras que definem o líder espiritual Divaldo Franco, homem que dedicou sua vida a ajudar o próximo e que fundou a Instituição, com Nilson de Souza Pereira, nos idos de 1952.

Em seguida, historiou a participação dos Correios, na promoção da solidariedade e da cidadania, por meio de ações de responsabilidade social ou patrocinando projetos nas áreas de cultura, educação, esporte e sustentabilidade.

Informou, por fim, e isso é de importância capital para a propaganda espírita, muito além do reconhecimento oficial de instituição benemérita: As peças filatélicas produzidas especialmente para esta data comemorativa reafirmam o compromisso da ECT, enquanto empresa pública, em apoiar eventos de grande relevância para a História da Bahia e do Brasil.

Divaldo Franco, convidado a se pronunciar, iniciou com a bela frase, que sintetiza o ideal da Instituição homenageada: A Mansão do Caminho é uma experiência de iluminação de consciências.

Historiou do pioneirismo sulamericano da Mansão, na instituição dos lares-família, através dos quais, a partir de 1956, elaborou projeto para apagar a imagem destrutiva do tradicional orfanato e ergueu uma comunidade na qual a criança pudesse ser uma entidade caracterizada pelos seus próprios valores e não apenas um número, assinalado pelo epíteto deprimente de órfão.

Nesse projeto de dignificação da criatura humana e criação de espírito de cidadania, disse Divaldo que mais de setecentas crianças se tornaram adultos, cidadãos do mundo, que já lhe deram mais de duzentos e oitenta netos e onze bisnetos.

Sempre jovial e otimista, disse estar se preparando para receber os tetranetos, o que deve acontecer nos próximos vinte anos, para os quais estamos perfeitamente na expectativa.

Lembrou que, depois da Psicologia Educacional ter demonstrado que qualquer  isolamento da criança do seio da comunidade produz-lhe transtornos psicológicos, aqueles lares-família foram diluídos e os esforços foram direcionados no sentido de reorganização da família, no lugar em que se encontra.

Em números aproximados, mais de vinte e cinco mil crianças já passaram pela Mansão do Caminho, beneficiando-se de suas tantas oportunidades ofertadas. Diariamente, são em torno de três mil crianças presentes no complexo, para as experiências da instrução, da educação. Crianças que, ao concluírem o fundamental, saem da Instituição com uma profissão e também com uma arte, dentro do programa de educação artístico-musical.

Cidadão que conhece o seu país e sua História, recordou Divaldo a fundação dos Correios pelo inolvidável D. João VI, dizendo que a empresa até hoje realiza trabalhos de dignificação, facilitando o intercâmbio entre as criaturas humanas.

Externou sua gratidão, respeito e carinho à ECT, desejando que prossiga no seu mister dignificador de criar a mentalidade do Bem e da cidadania e preservando as glórias do Brasil.

A execução do Hino Nacional foi comovente, com as mais de setecentas vozes se unindo, numa prece evocativa ao país que nos acolhe e possibilita as renovadas ensanchas de progresso.

Finalizando, Divaldo Franco foi agraciado com uma réplica, contendo o carimbo e o selo lançados na solenidade.

Importante se sinalizar que, de forma espontânea, durante dois dias, ficou uma representante dos Correios à disposição dos participantes do Encontro que desejassem adquirir o selo e ter apostado o carimbo comemorativo.

Diga-se que o carimbo ficará, pelo período de sessenta dias, na Unidade Filatélica dos Correios no bairro da Pituba, em Salvador, onde será aposto em todas as correspondências, divulgando esse evento nacional e internacionalmente.

Uma cópia ficará no Rio de Janeiro, para onde colecionadores de marcas postais do mundo inteiro e filatelistas enviam suas peças para serem carimbadas.

O momento foi de uma grande conquista. Nacional e internacionalmente, o Espiritismo foi reconhecido como essa Doutrina de Amor e Doação. Mais ainda, ficou patenteada a admissibilidade da existência dos Espíritos e sua comunicabilidade com os homens, considerando-se que Joanna e Francisco são não somente as figuras destacadas no selo quanto são citadas por empresa pública nacional, como idealizadora e avalista da obra homenageada, respectivamente.

E tudo graças a um homem, um idealista, Divaldo Pereira Franco, que se uniu a outro idealista, Nilson de Souza Pereira, e dedicou os anos da sua juventude a atender os filhos do Calvário, os filhos de ninguém.

A honra com que é distinguida a Mansão do Caminho e seus fundadores alcança o Espiritismo, honrando-o igualmente.

Deus abençoe quem assim semeia, permitindo que a colheita se faça tão auspiciosa.

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