Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88
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Manes, Lares, Penates

novembro/2019

O culto aos mortos aparece entre os povos mais antigos. Antes de conceber e de adorar Indra ou Zeus, o homem adorou os seus mortos. Teve-lhes medo e dirigiu-lhes preces. Parece que o sentimento religioso do homem começou com esse culto.

Encontramo-lo entre os helenos, os latinos, os sabinos, etruscos e arianos da Índia.

Os mortos eram tidos como entes sagrados. Para o seu pensamento, cada morto era um deus. Não era necessário ter sido homem virtuoso; tanto era deus o mau como o homem de bem.

Somente o mau continuaria na sua segunda existência (desencarnado) com todas as suas más inclinações já reveladas durante a sua primeira vida (encarnado).

Os túmulos eram os templos dessas divindades. Diante do túmulo havia um altar para os sacrifícios igual ao que havia em frente dos templos dos deuses.

Os que viviam sobre a terra os deveriam honrar, alimentar. Quando eram seres benfazejos eram chamados lares. Para eles eram dirigidas as preces e pedidos de graças. A família fazia oferendas.

No entendimento dos antigos, esses deuses tutelares continuavam a tomar parte nos negócios humanos. Ofereciam seus favores e seu apoio. Também podiam conceder bênçãos espirituais, rogando-lhes que os beneficiassem com um coração casto e mãos puras.

Os gregos chamavam às almas humanas de demônios ou heróis. Os latinos os denominavam manes, fazendo a distinção entre os benfazejos e os malfazejos. Os primeiros eram os deuses lares, os segundos, larvas.

Mais tarde, o culto aos antepassados evoluiu para a crença em um grupo de deuses. Aqueles que cuidavam das casas e das encruzilhadas eram chamados lares. Já aqueles que cuidavam das despensas, dos celeiros e dos armazéns, ou seja, do armazenamento de comidas e bebidas, denominavam Penates. Durante as refeições, era costume lhes oferecer comida.

Ao que parece, a morte teria sido o primeiro mistério, colocando o homem no caminho de outros mistérios. Elevou o seu pensamento do visível ao invisível, do transitório ao eterno, do humano ao divino.

 

Referência:

COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: Martins Fontes, 1987. livro primeiro, cap. II.

 

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