Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Madre Teresa de Calcutá – a mãe dos pobres

dezembro/2012

“Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

— As mais eloquentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide.

Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.”

(Livro: Jesus no Lar – Cap. 16 O Auxílio Mútuo – Francisco Cândido Xavier
pelo Espírito Neio Lúcio – Editora FEB – 10ª Ed.)

Iniciamos este artigo com as palavras retiradas do livro citado, para falarmos de um Espírito encarnado que transitou na Terra durante 87 anos e 10 dias aplicando, durante este tempo, os ensinamentos de Jesus.

Madre Teresa nasceu em 26 de agosto de 1910, na cidade de Skopje, atual Macedônia, com o nome de AGNES GONXHA BOJAXHIU. Família de origem albanesa, filha de Nickola e Drane Bojaxhiu. Teve forte influência da mãe e do padre jesuíta da paróquia da cidade onde morava. Aos 18 anos entra para o Instituto da Beatíssima Virgem Maria, congregação religiosa conhecida como Irmãs de Loreto, para seus votos iniciais. Ao ser aceita na ordem muda seu nome para Maria Teresa (Santa Teresa de Lisieux).

Em setembro de 1928 parte para Calcutá, chegando lá em Janeiro de 1929, ensinando na St. Mary´s High School (escola para garotas), lecionando Catecismo e Geografia.

Fez seus votos finais em 24 de maio de 1937, a partir daí chama-se Madre Teresa. Em setembro de 1946, em viagem de trem entre Calcutá e Darjeeling (onde fazia seu retiro anual), segundo suas palavras, recebe inspiração de Jesus quando ele lhe revela o desejo de irradiar seu amor às almas, convocando-a para ser a Sua Luz. A partir daí Madre Teresa estabelece uma comunidade religiosa chamada Missionárias da Caridade que se dedicaria ao atendimento dos necessitados entre os mais necessitados.

Aproximadamente dois anos depois recebe permissão das autoridades da Igreja Católica para iniciar o trabalho. Em Agosto de 1946, ela vestiu pela primeira vez o hábito que ficou famoso – sari branco com bordas azuis. Passou pelos portões do seu amado Convento de Loreto para entrar no mundo da pobreza.

Após pequeno curso com as Irmãs Missionárias Médicas, em Patna, volta à Calcutá e estabelece uma residência temporária para iniciar o trabalho efetivo, junto aos pobres, leprosos e excluídos da sociedade local.  Visitando famílias, lavando feridas, e atendendo a todos os que necessitavam de ajuda.

Em 1950, a Congregação Missionárias da Caridade foi estabelecida na Arquidiocese de Calcutá. No início da década de 60 começa a enviar as Irmãs Missionárias da Caridade para outras partes da Índia. A partir da década de 80, Madre Teresa abre casas ao redor do mundo, inclusive em países comunistas (União Soviética, Albânia e Cuba).

Durante sua vida, Madre Teresa recebeu muitos títulos e reconhecimento internacional pelo seu trabalho. Sendo que em 1979, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Era avessa a esse tipo de reconhecimento, recebeu-o para a glória de Deus e em nome dos pobres segundo suas palavras.

Nos últimos anos da sua vida teve sérios problemas de saúde, mas nunca deixou de trabalhar em favor dos pobres. Nesta época, a congregação por ela fundada, tinha mais de 4.000 membros, estabelecidas em 610 fundações, distribuídas em 123 países, inclusive no Brasil.

Em 5 de setembro de 1997, morre Madre Teresa. Seu enterro teve honra de chefe de estado, concedido pelo Governo da Índia. Menos de dois anos, após a sua morte, o Papa João Paulo II permitiu iniciar o processo de canonização. Em dezembro de 2002 ele aprovou, por decreto papal, suas virtudes e milagres, sendo parte do processo de canonização. Seu maior título foi ser chamada de Mãe dos Pobres.

Desde o início da sua vida, sempre trabalhou muito. Primeiro para atender as necessidades da família, logo após a morte de seu pai. Depois, para conseguir o reconhecimento da sua congregação. Sua luta contra os preconceitos da sociedade contra os excluídos. Teve várias vezes que responder perante as autoridades da Índia, pois seus vizinhos não aceitavam que ela atendesse seus pobres em habitações próximas das suas residências. Lutou sempre com muito esforço para conseguir recursos materiais para sustentar sua obra, vivendo sempre da Caridade para a Caridade.

Algumas frases desta trabalhadora do bem, para que possamos aquilatar sua grandeza de Espírito:

– Não! Não voltarei atrás. A minha comunidade são os pobres. A sua segurança é a minha. A sua saúde é a minha. A minha casa é a casa dos pobres; não apenas dos pobres, mas dos mais pobres dos pobres. Daqueles de quem as pessoas já não querem aproximar-se com medo de contágio e da porcaria, porque estão cobertos de micróbios e vermes. Daqueles que não vão rezar, porque não podem sair nus de casa. Daqueles que já não comem, porque não têm forças para comer. Daqueles que se deixam cair pelas ruas, conscientes de que vão morrer, e ao lado dos quais os vivos passam sem lhes prestar atenção. Daqueles que já não choram, porque se lhes esgotaram as lágrimas.

– A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.

Certa vez alguém lhe disse que não daria banho em um leproso nem por um milhão de dólares. Ao que Madre Teresa respondeu: O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.

Certo repórter, em entrevista lhe fez a observação de que seu trabalho era pequeno em relação ao número de pobres do mundo. Madre Teresa lhe respondeu: Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

– Muitas pessoas são muito, muito preocupadas com as crianças da Índia, com as crianças da África onde muitas delas morrem de fome. Muitas pessoas também são preocupadas com toda a violência nos Estados Unidos. Estas preocupações são muito boas. Mas frequentemente estas mesmas pessoas não estão preocupadas com os milhões que estão sendo mortos pela decisão deliberada de suas próprias mães. E isto é que é o maior destruidor da paz hoje – o aborto que coloca as pessoas em tal cegueira.

– Algumas pessoas reivindicam e protestam em público por justiça e direitos humanos. Nós não temos tempo para isto. Há seres humanos em grande número que estão morrendo de fome e desprovidos de amor. Em pessoas assim é que servimos a Jesus, vinte e quatro horas ao dia.

– Em 1946 foi o “Dia da Inspiração”, que ocorreu quando eu estava indo de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Não é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade, devido ao amontoamento de homens e animais, detritos, cestos, galinhas cacarejando… Naquele trem, com os meus trinta e seis anos, percebi no meu interior um chamado para que renunciasse a tudo e seguisse a Cristo nos subúrbios, servindo-Lhe através dos mais pobres dos pobres. Foi quando compreendi que Deus desejava isso de mim…

– Por sangue, eu sou albanesa, por cidadania sou hindu, por fé sou uma freira católica, pelo meu chamado eu pertenço ao mundo, pelo meu coração eu pertenço inteiramente ao Coração de Jesus.

Pesquisa:        

http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20031019_madre-teresa_en.html

(pesquisado dia 18/11/2012, às 8h)

http://missionariasdacaridade.blogspot.com.br/2009/12/casas-das-missionarias-da-caridade-no.html

(pesquisado dia 18/11/2012, às 12h)

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