Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2021 Número 1639 Ano 88
Genialidade e mediunidade Envie para um amigo Imprimir

Ludwig Van Beethoven

fevereiro/2021

Conta-se que os críticos de Beethoven observavam que algumas passagens das suas composições musicais ultrapassavam a capacidade dos instrumentos para os quais tinham sido escritas.

A eles respondia o gênio alemão: Acreditam que eu possa pensar num simples violino quando converso com o Espírito? Seria o mesmo que esperar que um vulcão vertesse as suas lavas em moldes artificiais preparados por mãos humanas.

 Infelicitado pela surdez, desde os vinte e dois anos, não podia ouvir as suas grandiosas composições. Não é surpreendente que toda a obra que compôs nessas condições é a mais esplendorosa?

Como ele podia ouvir senão pelo Espírito? Ele se refugiava nos bosques para sentir as vibrações maravilhosas da natureza. Recebia divinas inspirações. Por isso, levava sempre consigo um caderno de apontamentos para registrá-las.

Depois de compor suaves harmonias, exclamava: Tive um êxtase. Era médium.

Referindo-se à fonte das suas obras-primas, descrevia:

Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de harmonia provenientes do foco da inspiração. Procuro acompanhá-las e delas me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, torno a apreender com ardor a inspiração, arrebatado, multiplicando todas as modulações, e venho, por fim, a me apropriar do primeiro pensamento musical.

 Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência.

Quando se sentava ao piano, o rosto se transfigurava, intumesciam-se-lhe as veias, o olhar ficava como que fixado no infinito, os lábios tremiam, seu aspecto era o de um feiticeiro vencido pelos próprios Espíritos evocados.

Alguém descreveu os seus cantos como suspiros da alma, que são como a voz dos Espíritos.

As vozes da Espiritualidade que ele podia ouvir com a própria alma, graças à sua faculdade mediúnica.

 

Referência:

1 SOARES, Sylvio Brito. Grandes vultos da humanidade e o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1975. cap.  Ludwig Van Beethoven.

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