Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2019 Número 1621 Ano 87

Livros e crianças

janeiro/2012 - Por Adeilson Salles

No processo de transição pelo qual o planeta passa, vale a pena ressaltar o papel do livro infantojuvenil nesse contexto.

Ganha força significativa a literatura espírita infantojuvenil, haja vista o esforço e investimentos que a FEB e outras federativas como a FEP e FERGS vêm fazendo nesse sentido.

Ressaltemos mais uma vez, que a veneranda Doutrina Espírita, não é proposta teológica salvacionista, mas sim pedagogia educativa por excelência.

Em tempos em que as referências educativas escasseiam, o livro segue como instrumento precioso de edificação.

Evocando para nossa breve reflexão à questão 383 de O Livro dos Espíritos:

Qual, para este, a utilidade de passar pelo estado de infância?

“Encarnado, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

Sabemos que na infância o espírito está mais suscetível a agregar os valores educativos que lhe são apresentados, por isso, é preciso tratar desse assunto com a maior seriedade possível.

Uma criança educada pela proposta esclarecedora da Doutrina Espírita será um adulto mais equilibrado amanhã.

A infância é campo fértil para a semeadura de valores imperecíveis para a vida imortal.

No trato educativo com a criança, não se pode esquecer que o educador está educando o espírito, e não o corpo infantil.

Todo e qualquer teor educativo apresentado à criança terá repercussões em sua trajetória de imortalidade.

A criança é uma grande observadora do comportamento do adulto e procura imitá-lo em suas ações.

Podemos afirmar que os conceitos equivocados a respeito das verdades espirituais são outorgados à criança como herança educativa inibidora das potencialidades da alma, pois que, há séculos, a educação proposta pelas religiões é meramente punitiva.

Com o advento do Espiritismo, chega a era da educação do espírito imortal.

Nesse processo educativo, a literatura infantojuvenil espírita cumpre papel decisivo.

O adulto tem vasta literatura para compilar nos momentos mais difíceis.

A criança começa a receber em nossos dias livros espíritas bem cuidados, em seu aspecto gráfico e de conteúdo.

O jovem ainda está à deriva de uma literatura espírita de qualidade, que fale sua língua e responda suas indagações.

Os pais, como primeiros educadores do espírito imortal, devem se valer da presença do livro na vida de seus filhos.

O livro, a contação de histórias desde o berço é instrumento que cria profunda intimidade entre pais e filhos.

A criança que ouve uma história contada pelos pais, jamais irá esquecer do momento mágico em que teve sua imaginação excitada pelos pais amorosos.

Os pais que leem com e para os filhos, estabelecem um vínculo de confiança, que, se nutrido sistematicamente, irá perdurar por toda a vida.

A contação de histórias entre pais e filhos é processo intimista, agregador e criador de laços afetivos dos mais nobres.

A criança que se desenvolve com essa prática educativa terá nos pais os amigos de todas as horas.

Com isso, na fase juvenil, no período da adolescência, tido como o mais tempestuoso, o jovem educando se sentirá confortável emocionalmente para buscar os pais em suas dificuldades.

A educação pelo livro, pelas histórias, é um dos mais belos recursos educativos dos nossos tempos.

Quando a tecnologia apresenta produtos cada vez mais atraentes em recursos e diversão, o livro ainda ocupa o seu espaço, pois mexe com a imaginação.

Criança que lê se emancipa para a vida.

Pais que leem na frente dos filhos desde tenra idade, educam pelo exemplo das boas ações.

Refletindo pelas páginas luminosas de O Evangelho segundo o Espiritismo transcrevemos:

“Ó espíritas! compreendei hoje o grande papel da Humanidade; compreendei que quando produzis um corpo, a alma que nele se encarna vem do espaço para progredir; sabei vossos deveres e colocai todo o vosso amor em aproximar essa alma de Deus:” (Cap. XIV 9)

Convidamos os pais a conversarem com seus filhos em todas as horas.

Os pais são as referências por excelência.

Cada gesto realizado pelos educadores é massa que modela o caráter do educando.

Cada palavra emitida pelos educadores é vibração que marca a alma do educando.

Quem grita dentro de casa, verá seus filhos gritarem amanhã.

Quem é violento com os filhos, será ferido pela violência exemplificada.

Transmitir os postulados da Doutrina Espírita através dos livros infantojuvenis é tarefa inadiável para os dias atuais.

Presenteie as crianças com livros e leia com elas.

Livros são asas que levam o espírito ao voo da própria redenção.

Assine a versão impressa
Leia também