Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2018 Número 1602 Ano 85
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Liu Xiaobo

dezembro/2017 - Por Mary Ishiyama

Até quando haverá intolerância para com o pensamento discordante do nosso?

Quantos terão que morrer para assegurar a outros homens o direito de ter opiniões próprias?

Entre muitas notícias sobre intolerância, nos chamou a atenção a cadeira vazia, na premiação do Nobel da Paz de 2010. Imagem forte: o agraciado com o Prêmio não pôde recebê-lo porque se encontrava preso.

Em verdade, o que ele desejava era liberdade. Liberdade de expressão, direitos humanos, uma sociedade mais igualitária. Pedia reformas políticas e sociais.

Liu Xiaobo nasceu em Changchun, na província de Jilin, em 28 de dezembro de 1955, numa família de intelectuais. Formado em literatura, com doutorado em filosofia pela Universidade Normal Beijing, ganhou fama no meio acadêmico escrevendo uma série de teses criticando a filosofia de Li Zehou.

Visitou várias universidades na Colômbia, Oslo e Havaí. Durante sua caminhada pelos outros países eclodiram os célebres protestos do movimento estudantil, na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989. Voltou à China para mediar uma retirada pacífica dos estudantes, que protestavam, evitando que a ofensiva militar fosse ainda mais violenta. Nesse dia, Liu teve sua primeira prisão. Outras se sucederam por sua participação em movimento a favor da propaganda antirrevolucionária em 1991. Foi preso e condenado, em 1996, a três anos de reeducação pelo trabalho, por criticar o Partido Comunista da China.

Foi presidente da filial chinesa do Clube Internacional de Escritores PEN em 2003 e recebeu o prêmio Fundação França, em 2004, dos Repórteres sem Fronteira por defender a liberdade de imprensa em seu país.

Em 8 de dezembro de 2008, foi detido por ter ajudado a escrever o manifesto da Carta 08, inspirada na Carta 77 dos dissidentes tchecoslovacos nos anos 70. Entre algumas reivindicações constavam: respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão, eleição dos dirigentes públicos, nova Constituição, criação de uma comissão investigativa da verdade para esclarecer os diferentes episódios de repressão política e indenizar as vítimas.

Ela foi publicada em 10 de dezembro de 2008, no 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, com trezentas assinaturas. Somam, atualmente, mais de dez mil assinaturas, segundo a rede China Human Rights Defenders.

Preso por incitação à subversão, foi condenado a onze anos de prisão. Sua esposa, Liu Xia, mesmo sem qualquer acusação formal, ficou em prisão domiciliar a partir de 2010, não tendo permissão para receber visitas, sem acesso à internet,  raramente podendo falar com familiares, ao telefone.

Em 2010, Liu Xiaobo ganhou o Prêmio Nobel da Paz, por sua luta prolongada e não violenta pelos direitos humanos fundamentais na China.  Liu foi a terceira pessoa a receber o Prêmio Nobel da Paz durante uma prisão, depois do alemão Carl von Ossietzky (1935) e da birmanesa Aung San Suu Kyi (1991).  Foi também a segunda pessoa (o primeiro sendo Ossietzky) a ter negado o direito de um representante receber o Nobel em seu nome.

Em maio de 2017, embora devendo cumprir, ainda, três anos de prisão, por pressão do seu advogado e organismos internacionais, Liu Xiaobo foi libertado para tratamento de um câncer terminal. A liberdade verdadeira veio em 13 de julho de 2017, com a desencarnação.

O câncer de fígado havia sido diagnosticado, há pouco tempo, sem que o governo chinês lhe tivesse concedido o último desejo: buscar ajuda médica no Exterior, junto com sua família e, caso a morte fosse inevitável, que pudesse ocorrer em um país livre.

Suas cinzas foram lançadas ao mar.

Em uma de suas falas, ele disse:  O ódio corrói a sabedoria e a consciência de uma pessoa. O raciocínio em termo de inimigos é capaz de envenenar o espírito de uma nação, destruir tolerância, humanidade e bloquear o caminho para o progresso e a democracia. Quero estar apto a retribuir a hostilidade do regime com as melhores intenções e abrandar o ódio com o amor.

Além do Nobel da Paz, Liu foi agraciado com China Foundation on Democracy Education (2003),       Hong Kong Human Rights Press Awards (2004, 2005, 2006), PEN/Barbara Goldsmith Freedom to Write Award (2009) e o selo da República do Congo (2011).

 

Bibliografia:

1.http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/12/carta-08-um-apelo-a-democratizacao-que-custou-a-liberdade-a-liu-xiaobo.html

2.www.dec.ufcg.edu.br/biografias/LiuXiabo.html

3.www.jb.com.br/internacional/noticias/2010/10/08/dalai-lama-felicita-dissidente-chines-liu-xiaobo-por-nobel-da-paz/

Assine a versão impressa
Leia também