Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Lins, Neste Mundo e no Outro

março/2012 - Por Grupo Editorial

Em O livro dos médiuns, o nobre Codificador da Doutrina Espírita disserta a respeito da identidade dos Espíritos. Afirmando que a identidade dos Espíritos de personagens antigas é a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível, diz da maior facilidade de se comprovar a identidade de Espíritos contemporâneos, cujos caracteres e hábitos se conhecem, porque, precisamente, esses hábitos, de que eles ainda não tiveram tempo de despojar-se, são que os fazem reconhecíveis.1

Pois a obra Lins, neste mundo e no outro, é uma dessas extraordinárias em que, sem se ter que buscar em lugares diversos, ali se encontram os escritos do homem terreno e as do Espírito liberto da matéria.

Com belíssima concepção, a capa logo nos remete a um canto de saudade. Repousam sobre o banco de madeira papéis, a caneta, os óculos, exatamente como se o homem tivesse se ausentado há pouco e pretendesse voltar.

E ele voltou.

Lins de Vasconcellos ocupou a Presidência da Federação Espírita do Paraná – FEP, em janeiro de 1916, cargo ao qual retornou outras vezes, no curso dos dezoitos anos em que se dedicou ao Movimento Espírita Paranaense.

Em 1949, transferiu para a FEP a Gráfica e o Jornal Mundo Espírita. Seu sonho era a propaganda espírita e depositou na FEP as suas esperanças de que o jornal prosseguisse a ser o excelente órgão de difusão espírita, sem polêmicas em suas páginas, sem querelas.

Os artigos escritos por Lins e inseridos no Jornal Mundo Espírita mereceram acurada seleção e apresentam-se no livro na ordem em que foram publicados no aludido periódico, iniciando-se pelo ano 1948.

Os assuntos são os mais diversos, mas Lins é aquele que insiste na União, na Unificação dos Espíritas, quanto na propaganda da Doutrina. Assim pode-se ler em artigo de agosto de 1948, A imprensa espírita:

Os sacrifícios de que os idealistas da imprensa espírita dão provas constantes, comovem a quantos sabem ver, nos seus escritos, um cântico de luz e um convite ao trabalho edificante na Seara do Mestre. É necessário, porém, ler e sentir. Quem o fizer e meditar sobre o sacrifício que jornais e revistas representam, não poderá ficar inativo e tudo fará, se tiver consciência do dever, para ajudar a manter essa heroica imprensa sacrificada.

A primeira parte do livro se conclui com o artigo A despedida de Lins de Vasconcellos, escrito poucas horas antes da sua desencarnação: Vou lançando os pensamentos como se estivesse conversando com os companheiros que vão ficar. Não há tempo para fazer literatura, nem corrigir nada.

Mas logo lhe foi possível, retornou ao convívio dos companheiros do Movimento Espírita, escrevendo pela mediunidade de Divaldo Pereira Franco, com o mesmo vigor e entusiasmo que o caracterizavam enquanto no corpo somático.

E, assim, na segunda parte do livro se encontram vinte e quatro mensagens mediúnicas, selecionadas pelo confrade Washington Luiz Nogueira Fernandes, que as retirou de diversas obras da lavra mediúnica de Divaldo.

Quem leia os artigos de Lins encarnado, o reencontrará nos textos psicografados, repetindo-se tantos dos seus temas: a imprensa espírita, o jornalismo e o Espiritismo, a unificação, a fé, a necessidade do estudo.

Publicado em 2004, pela Federação Espírita do Paraná, o livro homenageia Lins de Vasconcellos, pela relevante folha de serviços ao Movimento Espírita e Divaldo Pereira Franco, cidadão honorário de Curitiba e que, naquele ano, completava o cinquentenário de sua oratória nas terras das araucárias.

Com prefácio da benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, a obra é recomendada aos corações que honram com sua gratidão os trabalhadores das primeiras horas e aos estudiosos da Doutrina Espírita, sempre ávidos de ensinamentos mais aprofundados.

Ao recomendá-la, neste mês de março, o fazemos, ainda, recordando a significativa data da desencarnação de Lins, ocorrida há setenta anos, em São Paulo, no dia 21 de março.

Essa homenagem, ademais, não é somente dos espíritas paranaenses mas de todo o Brasil pois ele trabalhou infatigavelmente pela união do Momento Espírita no Brasil, sendo um dos fomentadores da Unificação dos Entidades Espíritas, que teve lugar, na cidade do Rio de Janeiro, na sede da Federação Espírita Brasileira, no dia 5 de outubro de 1949, quando se firmou o documento que se denominou Pacto Áureo.

 

Bibliografia:

1.KARDEC, Allan. Da identidade dos Espíritos. In:___. O livro dos médiuns. 66. ed. Rio de Janeiro:FEB, 2000. pt. 2, cap. XXIV, item 257.

 

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