Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Lins de Vasconcellos – traslado para o recanto

julho/2013 - Por Mary Ishiyama

Foi na tarde de 18 de setembro de 2012, que se realizou o traslado dos despojos de Artur Lins de Vasconcellos Lopes, da antiga sede do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro (Rua Nilo Peçanha, bairro Bom Retiro, em Curitiba) para Balsa Nova, no Recanto que leva seu nome.

Tudo se realizou em ambiente tranquilo, onde era sentida a paz com que esse grande Espírito sempre nos brinda.

Fizeram-se presentes o Presidente da Federação Espírita do Paraná – FEP,  Luiz Henrique da Silva e esposa; o Primeiro Vice-Presidente, Francisco Ferraz Batista e esposa; João de Matos Lima, conselheiro; Clayton Reis, conselheiro, e sua esposa; José Virgílio Góes, Diretor do Departamento de Expansão do Movimento Espírita e Assessor da Presidência; Alexandre e Maderli Sech, do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro; Evandro Rabel e João Edson Alves, Diretor e Vice-Diretor do Departamento de Programação e Eventos Doutrinários; Maria Rabel, Coordenadora do Setor de Atendimento Espiritual na Casa  Espírita; Lolari Caneparo e Magali Sanches, Diretora e Vice-Diretora do Centro de Educação Infantil Mariinha, de Campo Largo; Ana Maria Boschirolli, Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas Espíritas; João Sérgio Boschirolli, do Departamento Editorial; Marco Antonio Negrão, gerente da FEP; Mary Ishiyama, Vice-Coordenadora da Área de Comunicação Social Espírita; funcionários e voluntários.

A retirada dos despojos foi realizada, com muito carinho e respeito, lembrando o grande homem que habitara aquelas vestes. Um clima de emoção envolvia o grupo de corações amigos.

Luiz Henrique agradeceu a presença de todos e, principalmente, a Lins de Vasconcellos pelo muito que fez pela Doutrina Espírita no Paraná e no Brasil.

Foi realizado um culto ao ar livre, com a leitura inicial, por Marco Antonio Negrão, do capítulo Altar íntimo, do livro Fonte Viva, da psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel; em seguida, Francisco procedeu à apropriada leitura do item Missão dos espíritas,  de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

João de Matos Lima, memória viva do Movimento Espírita no Paraná, proferiu sentida prece, relembrando feitos desse grande servidor de Jesus, agradecendo o muito que realizou e continua fazendo pela Federativa estadual e, naturalmente, pelo Movimento Espírita do Paraná.

Os presentes, como lembrança do significativo ato, foram agraciados com a publicação da FEP, datada do ano de 2004: Lins, neste mundo e no outro, com especial dedicatória alusiva ao evento.

Caía a tarde e o sol, qual imensa bola de fogo, projetava seus raios em direção ao local previamente escolhido, entre os pinheiros e o gramado imenso, no Bosque das Araucárias, quando a caravana dos amigos de Lins chegou ao Recanto.

Sob as bênçãos da tarde, os pássaros que vieram se aliar, com seu canto, às emoções do momento, a urna foi depositada no seio da generosa terra, presente que, conforme as informações espirituais  através de Divaldo Pereira Franco, era um presente de Lins à Federativa.

José Virgílio Góes teceu considerações a respeito da vida de Lins, encerrando com as palavras escritas pelo próprio, algumas horas antes de sua desencarnação: Transmito ao papel essa exposição para que seja útil aos meus semelhantes. Os que dispuserem de muitos recursos, não se dispensem de realizar obras benéficas, em pequenas ou em grandes proporções. Uma coisa, porém, nunca descuidem: é a realização delas com a máxima humildade e buscando interessar nelas todo o mundo. Nunca desprezem o concurso dos que podem menos ou, aparentemente, são incapazes ou como tais se consideram. Procurem despertar neles as iniciativas modestas e verão como é possível e grandioso o desabrochar de forças desconhecidas. Todos são convocados ao trabalho demonstrativo dos sentimentos de amor ao próximo.

Não tenho medo do que chamamos morte, mas não gostaria de partir sem deixar as coisas em ordem. Isso me atormenta mais que o fenômeno da “morte” em si mesmo. O que ora estou escrevendo é uma espécie de despedida. Sem tempo de meditar. Vou lançando os pensamentos como se estivesse conversando com os companheiros que vão ficar. Não há tempo para fazer literatura, nem corrigir nada. Cada um desculpará os erros, as repetições de palavras, o desalinho das frases. São três madrugadas que se foram. Terei tempo de prosseguir? – São quatro horas. Vou repousar. Se não tiver essa ventura… até breve!

A prece, encerrando o ato, foi feita por Góes, ao som dos pássaros e do vento que salmodiava melodias entre a copa dos pinheiros. A bola de fogo do sol desaparecia, suavemente, por detrás das araucárias.

A caravana foi se dispersando, retornando aos seus lares, com grande paz. A presença de Lins podia ser sentida na intimidade de cada um, nessa certeza de que a morte não extermina a vida e o bom trabalhador prossegue, no Além, as tarefas que o moveram enquanto na carne.

O corpo de Lins recebeu todas as homenagens, e os despojos lá ficaram, no alto, em meio ao Bosque das Araucárias, o canto dos pássaros e a visita diária do sol…

E o perfume da gratidão dos corações está materializado nas flores que lhe ornam a lápide.

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