Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Lições para a vida

Coral brasileiro conquista primeiro lugar na Terra de Mozart

setembro/2019

Fundado em 1999, o Coro Juvenil São Vicente A Cappella é formado por alunos e ex-alunos do Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, Rio de Janeiro, além de jovens dos arredores da instituição.

O objetivo é desenvolver um repertório sem acompanhamento instrumental, explorando peças com um grau de dificuldade considerável e abrangendo diversos períodos da música brasileira erudita ou popular, como baião, maracatu e samba. Os cantores têm entre 12 e 24 anos e as apresentações sempre têm um quê de artes cênicas.

Participando do maior festival de música jovem de orquestras, coros e bandas do mundo, o Suma Cum Laude — International Youth Music Festival, realizado em Viena, o coral obteve o primeiro lugar. Conquistou os jurados ao apresentar Ave verum corpus, de Mozart.

Sem qualquer patrocínio, os jovens e a professora Patrícia Costa, diretora do grupo, prepararam duas campanhas de financiamento coletivo, além de feijoada, rifas e concertos com bilheteria, para conseguir viajar. As famílias dos estudantes também ajudaram, e o grupo conseguiu arrecadar o que precisava para custear passagens e hospedagem dos cantores, que só tinham uma experiência internacional no currículo, uma participação no Festival de Mendoza, em 2013, na Argentina.

Um coro brasileiro ganhar o primeiro lugar cantando Mozart na terra de Mozart é demais para a gente. E isso porque nós cantamos sobretudo música brasileira,  contou Patrícia, que levou balões brancos para o palco quando os jovens cantaram Lua, lua, lua, de Caetano Veloso. Já Águas de março, que fechou a apresentação do grupo na Europa, foi encerrada com uma simulação de chuva, técnica aprendida com o músico paulistano Fernando Barba, do grupo Barbatuques, de percussão corporal.

Após o sucesso em Viena, o coral recebeu convite para participar do Festival da Bratislava, na Eslováquia.

Pelo sétimo ano participando do coral, o jovem João Pedro Romano, de 22 anos, deseja que o título, que não tem prêmio em dinheiro, seja usado como um trampolim para a divulgação do canto coral no Brasil.

Acredito que deveria ser obrigatório nas escolas. Cria uma relação de confiança tão forte entre os membros, além de apresentar novos estilos musicais. É muito estranho chegar  na Europa e ver criancinhas tocando milhares de instrumentos, cantando músicas sacras, populares, diversos estilos, belíssimas enquanto  o canto coral no Brasil é associado a coisa de velho ou igreja — declara João Pedro.

www.sonoticiaboa.com.br, de 12.7.2019

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