Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Lições para a vida

Lição de amor e de cidadania

julho/2017

Pedro nasceu com uma malformação que obstruía o sistema digestivo. Em junho de 2015, com dois anos, passou por uma cirurgia para a colocação de uma bolsa de colostomia, que deveria ter sido retirada cinco ou no máximo seis meses depois. Mas, a criança permaneceu com a bolsa junto ao corpo.

De acordo com a família, o menino cresceu sem poder participar de brincadeiras como um jogo de futebol, ou nadar em uma piscina. Na escola, chamava o pai para limpar a bolsa, com medo de que o cheiro das fezes recolhidas no coletor fosse sentido pelos colegas.

O grampeador linear necessário para a cirurgia estava em falta na rede pública de saúde do Distrito Federal. A família de Pedro lutava para que o equipamento, que permitiria a retirada da bolsa de colostomia, fosse adquirido. Mesmo com decisões judiciais favoráveis, o grampeador não foi comprado.

Uma juíza do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro soube da história do menino, por meio de uma reportagem, em maio passado. Enfrentou uma série de dificuldades para conseguir comprar o grampeador e entregá-lo ao hospital.

O grampeador linear custou R$ 878,00 e foi entregue ao Hospital de Base (DF). Na quinta-feira, 18 de maio, Pedro foi submetido à cirurgia. No dia seguinte, Fabrício de Souza, pai do menino, disse que ele tomara café da manhã, uma sopa ao meio-dia e gelatina durante a tarde. A família espera uma vida normal para o menino, a partir de sua total recuperação.

A doadora carioca, que até então havia pedido total anonimato, permitiu fosse revelada sua profissão e mandou uma mensagem à família e a todos que torceram por um final feliz para Pedro:

Hoje é um dia de muita alegria para o pequeno Pedro e muita comemoração para os envolvidos nesse difícil processo de doação. Foi necessária muita insistência e a ajuda valiosa dos engajados profissionais de jornalismo envolvidos para que a doação fosse concretizada.

A sociedade brasileira precisa fortalecer a sua autoestima. É indispensável e urgente que a sociedade exija respeito à dignidade dos seus cidadãos. Precisamos saber que quando o Governo não cumpre suas obrigações, quando as decisões judiciais não são respeitadas, a força da sociedade civil não está fulminada. Não sejamos conformistas, pois a mudança é possível. A nova vida de Pedro legitima a força da sociedade civil de bem.

Os brasileiros têm direito a ter sua dignidade respeitada. Pedro tinha direito a viver sem a bolsa de colostomia, desnecessariamente mantida no seu corpo há dois anos. Não é um luxo. Não é favor. Era direito dele. Se a sociedade civil não insistir e lutar para fazer valer o direito à dignidade de UM, estará enfraquecendo o direito à dignidade de todos!

Condensado de Maria Helena Martinho, do G1, DF

Assine a versão impressa
Leia também