Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Lições para a vida

Com morte cerebral, jovem dá à luz gêmeos

maio/2017

Foram cento e vinte e três dias de uma batalha pela vida. De carinho, de dedicação, de acreditar no que parecia impossível. Frankielen da Silva Zampoli chegou ao hospital com uma hemorragia grave no cérebro. Três dias depois, os médicos constataram a morte cerebral.

Ela não tinha mais chances de viver mas, dentro dela, batiam mais dois corações. A gestação estava apenas no segundo mês. A equipe médica tinha, então, o desafio de manter o corpo da mãe funcionando para que os dois bebês pudessem se desenvolver.

Foi uma gravidez monitorada vinte e quatro horas por dia e comemorada nos detalhes por médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde.

Frankielen foi atendida pelo Sistema Único de Saúde – SUS. Entre os cuidados, estava uma ecografia todos os dias. O principal desafio era a de fazer com que os bebês sentissem o afeto que a mãe não podia dar. Para isso, família e equipe acariciavam a barriga, conversavam e cantavam para eles.

Trouxemos canções para as crianças: canções de crianças, canções improvisadas, canções que  fizemos exclusivamente para elas. A UTI ficou cheia de músicas de amor e afeto, conta a capelã e musicoterapeuta Érika Checan.

Os bebês nasceram no dia 22 de fevereiro de 2017: Ana Vitória com um 1,4 quilo, um pouquinho maior do que o irmão Azaphi, que veio ao mundo com 1,3 quilo

Para o pai e a avó dos irmãos, a hora mais importante do dia é o momento da visita aos bebês. É um encontro especial, de olhares apaixonados, de preencher o coração machucado. Os médicos avaliam que ainda é cedo para arriscar dizer como eles vão se desenvolver e se ficou alguma sequela. Porém, o histórico deles, certamente, aponta para a superação.

Foi um momento, para mim, muito bom, dia após dia. Lá dentro, a felicidade transborda. Não tem preço. A força vem deles para minha vida. Da minha esposa, vai ficar a saudade e o aprendizado, explica o pai das crianças, Muriel Padilha.

Após o nascimento dos bebês, a família decidiu doar os órgãos de Frankielen.

Karine Garcia e Lina Hamdar, do G1 Paraná.

 

A história dessa jovem, que desejava ardentemente ser mãe, é um exemplo de defesa pela vida. Na qualidade de espíritas, nos perguntamos se ela, Espírito, não estaria vibrando, a cada dia vencido pelos seus bebês, até virem à luz.

Louve-se o empenho da família e de toda a equipe do hospital.Louve-se a renúncia, ainda, pela opção de doação dos órgãos de Frankielen.

Com certeza, duas grandes lições de amor e desprendimento.

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