Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Lições para a vida

A saga de uma mãe

agosto/2014

Ela nunca vai esquecer aquele dia. Médicos, uma assistente social e até um padre a levaram e o marido para uma sala do hospital e perguntaram se o desejo do filho seria seguir a vida como um vegetal ou se iria preferir desligar os aparelhos que o mantinham vivo. O caso aconteceu em outubro de 2012, em Phoenix, no Arizona, com a família da empresária Rosana Polisel, após o filho Tomás, então com vinte e nove anos, ter sofrido um acidente de paraquedas.

Deus me deu meu filho e eu não assinei nenhum contrato dizendo que só iria tê-lo comigo enquanto ele estivesse bem. Ele será sempre meu filho e digo que Deus me dá forças todos os dias pois meu lado humano de mãe não suportaria tudo isso, relata Rosana, que também é mãe de Maíra e Vitor.

O acidente com Tomás aconteceu no dia 26 de outubro, durante as férias dele. O paraquedas não abriu, o reserva se enroscou com o principal fazendo com que ele caísse praticamente em queda livre. Ele ficou tetraplégico.

Tomás era um jovem bem sucedido. Analista de sistemas,  havia acabado de ganhar um carro da multinacional onde trabalhava. Não teve, no entanto, nem a chance de ver o veículo. Apaixonado por esportes radicais tinha experiência com cinquenta e três saltos no Brasil, sendo que o dia do acidente foi seu primeiro salto no Exterior.

Cerca de quarenta dias após o acidente, a família conseguiu fazer a remoção do jovem para o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Ele passou por várias cirurgias.

A empresária diz que cada dia é uma conquista. A primeira delas foi em setembro de 2013, quando o filho pôde, enfim, ir para casa, onde foi montada uma verdadeira estrutura para recebê-lo.

No dia 11 de fevereiro de 2014, Rosana diz que foi um dia marcante. O filho conseguiu fazer sinal de positivo, pela primeira vez.

Foi uma alegria, euforia, choro, muita emoção, relata. Atualmente, ele se comunica com a família e com os profissionais que o atendem com os olhos. Uma piscada mais forte, por exemplo, quando quer dizer sim.  Ele escolhe desde a roupa dele até se quer receber visita, se deseja passear,  ficar na cama ou na cadeira de rodas, comenta Rosana.

Para ficar mais próxima dos cuidados do filho, ela largou a profissão. Segundo ela, pacientes como seu filho precisam de alguém acompanhando de perto seu quadro pois qualquer  alteração pode indicar um problema mais sério.

Ela diz que assim como ela, muitas mães passam por situações semelhantes e que tem certeza que só a maternidade pode dar essa força que é dada a todas essas mulheres. Se pudesse dar um conselho a essas outras mães, diria: Não desistam, lutem com toda força mesmo que lhes digam o contrário. Coloquem seus filhos na mão de Deus que Ele ampara.

A empresária diz que tem seus momentos de tristeza, uma dor de saudade como a vontade de receber um abraço, um sorriso ou ouvir Tomás a chamá-la de mamusca, como sempre fazia.

O fato de o filho estar vivo é que a faz levantar todos os dias e deixar a tristeza de lado. Ela se considera uma felizarda. Quantas mães não tiveram a mesma chance que estou tendo. Quando penso nisso, rezo por todas elas.

Folha de São Paulo, 9.5.2014, reportagem de Giovana Balogh.

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