Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87
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Leon Nikolaievich Tolstoi

setembro/2015 - Por Mary Ishiyama

Leon Tolstoi 1,  nascido em Iasnaia Poliana, em 1828, afirmou:  Pertenço à categoria dos loucos mansos.  E diz que sua vida tem quatro fases distintas: a da inocência poética e maravilhosa, a da juventude ao serviço do orgulho e vícios, a do casamento à ressurreição espiritual e a quarta, da sua redenção moral. A tudo isso nada desejo mudar, escreveu, a não ser os maus hábitos contraídos no decurso dos períodos anteriores.

Em 1857, viajou pelo Exterior e retornou à Rússia, ardendo de desejo de ajudar o seu povo. Fundou, em sua propriedade, uma escola para crianças e adultos, buscando aplicar o que vira no Ocidente, empregando um método que se baseava na compreensão e na bondade e que excluía o castigo físico.4

Reencontrando Sofia Andrieievna, amiga de infância, casou-se, em 1862, e viveu em relativa felicidade e tranquilidade até 1869, quando concluiu Guerra e paz. Nesse período, ocorrem as mortes de três de seus filhos e Sofia adoece.

Tolstoi está escrevendo Ana Karenina, que foi classificado como uma perfeita obra de arte, por Dostoievski, mas se sente abatido e vazio, com dificuldades emocionais para concluir a obra. Reconhece ter tudo, é escritor renomado, tem saúde, dinheiro, ama e é amado, mas a vida perdeu o sentido.

Ele deseja conhecer a razão da vida, a diferença entre o bem e o mal, como se deve viver, o que é a morte. Nenhuma filosofia consegue aplacar a dor de sua alma. Resolve ir em busca da religião, dialoga com religiosos e aprofunda-se no Evangelho. Descobre o quanto a religião está na superficialidade daquela obra magistral, decepciona-se e resolve pregar o cristianismo e viver os seus ensinos.

Na frase de Jesus, que não resistais ao mal (Mt 5:39) ele, de fato, encontra um caminho. Procura viver de forma condizente com seu novo credo, funda uma doutrina, o Tolstoísmo, que pregava o não revidar o mal, falava da necessidade de amar ao próximo como a si mesmo, pregava a renúncia das riquezas, a abstinência sexual entre os casais, evitar o ócio.

Entretanto, ele próprio se esforçava por seguir o que pregava. Ao tratar da abstinência sexual, sua esposa dava à luz ao seu décimo terceiro filho. Em relação ao ócio, afirmava que a minha preguiça é tal que a ociosidade se tornou para mim uma exigência.

Apesar de cuidar dos seus servos não pôde se desfazer de toda a riqueza, por impedimentos familiares.

Foi enorme o impacto dessa fase de sua vida sobre o mundo. Gandhi, que conhecia parte da obra de Tolstoi, leu a Carta a um Hindu, em uma tradução de Tchertkov e captou o conceito de resistência passiva pela não violência.  Ambos mantiveram uma correspondência densa, porém breve, interrompida definitivamente pela morte de Tolstoi.

O escritor russo Gorki define Tolstoi como um homem de humanidade, nem melhor nem diferente dos outros, mas um homem que sentia melhor, sofria mais, vivia mais intensamente. 2

Em sua obra, datada de 1886, A morte de Ivan Ilitch, fica evidente que, para ele, a caridade é o segredo para a salvação.

No final da vida ele queria viver no recolhimento, na paz, na simplicidade. Sofia desejava a corte. Ele foge de casa em outubro de 1910, está com oitenta e dois anos. Não vai muito longe. Doente e cansado, detém-se para descanso na aldeia de Astápovo, onde vem a desencarnar, a 7 de novembro [os autores são contraditórios, citando alguns o dia 14 e outros o dia 20].

Em todo o mundo rendeu-se-lhe o tributo de uma admiração e de um reconhecimento sem limites. Tolstoi é considerado grande – não pelos seus ensaios, mas pelas obras de ficção que tantas vezes rejeitou em vida; não pelas doutrinas que criou, pelas previsões de sociedades do futuro, pelos arroubos de misticismo… mas pelo fato de ter lutado para tentar pôr suas ideias em prática, pela visão de mundo que transmitiu, pelo conhecimento profundo da alma humana que captou com maestria e registrou em sua obra4.

No ano de 1961, o Espírito Tolstoi se apresentou para a médium Yvonne do Amaral Pereira, dizendo-lhe do seu propósito de escrever por seu intermédio.

O primeiro foi o conto O sonho de Rafaela que, junto a outros cinco e dois pequenos romances reunidos deram vida, em 1963, ao livro Ressurreição e vida, editado pela Federação Espírita Brasileira – FEB, onde aborda, de forma brilhante, a reencarnação, a imortalidade, a obsessão e o psiquismo humano.

Em 1973, no livro Sublimação [ed. FEB], nos brinda com quatro contos.

 

Bibliografia:

1. GIGANTES: Leão Tolstoi. Verbo, 1972.

2. NETO, Aureliano Alves. Tolstoi. Presença Espírita, ano IX, n. 108, fev. 1983.

3. AS Ideias espíritas de Leon Tolstoi. Revista Internacional de Espiritismo, ano LXXVIII, n. 09, out. 2003.

4. http://feparana.com.br/topico/?topico=739

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