Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2020 Número 1634 Ano 88

Lenho verde e lenho seco

agosto/2020 - Por Sandra Borba Pereira

Porque se ao lenho verde fazem isso, o que não
farão ao lenho seco? Lc, 23:31

A pergunta acima, registrada apenas pelo Evangelista Lucas, foi proposta por Jesus a caminho do Calvário, dirigida às chorosas mulheres de Jerusalém e que até hoje repercute em nossas vidas de candidatos a seguidores do Mestre Nazareno.

Alguns estudiosos consideram que o Senhor lançou mão de uma expressão proverbial, a do lenho verde que, simbolicamente, representaria o homem justo e sem culpa. Sua indagação poderia então significar que Ele já antevia e prevenia as mulheres sobre os sofrimentos que os outros – os lenhos secos – padeceriam, por suas imperfeições e erros.

O lenho verde conduz a seiva para a planta e simbolicamente representa vida e esperança. O Nazareno é o lenho verde, pois possui a seiva da misericórdia, da compaixão e do amor. Sem culpa, recebeu dos homens em loucura a injusta crucificação entre dois ladrões. Choravam as mulheres pelo Mestre, mas chorariam muito mais pelos seus filhos, repletos de secura nos corações, sem a seiva do amor que liberta e sem a esperança consoladora.

Afirma Emmanuel1:

Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da flagelação e da morte infamante.

Também a pergunta do Senhor pode significar para todo aquele que deseja seguir os passos do Mestre, o alerta reflexivo sobre as dificuldades e testemunhos a enfrentar diante da busca da seiva viva. A incompreensão daqueles que estão a serviço de seus próprios interesses, as lutas interiores de libertação dos próprios vícios e fragilidades, os exemplos de coerência comportamental que a consciência clarificada exige são alguns dos obstáculos que o cristão é chamado a enfrentar. Como carregamos em nós mesmos a condição do lenho seco, fácil não é nossa trajetória em busca da seiva verdadeira que alimentará nossas almas, nos dias de luta e transformação, necessários ao processo de regeneração.

Na mesma mensagem1, Emmanuel nos diz que somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas inutilizaram, em sua fúria destruidora.

Sofremos, assim, por nossa condição e, claro, como madeiros ressequidos, somos mais expostos ao calor do mal que nos alcança como resultado de nossa incúria tendo, no entanto, um resultado que (esperamos!) seja educativo para nos ensinar o valor  da busca da seiva divina da renovação.

 

Referência:

  1. XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2003. cap. 82.

 

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