Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2020 Número 1626 Ano 87

Lá, nossa casa

Recital do coral do Centro Espírita Ildefonso Correia

janeiro/2016 - Por Andrey Cechelero

“O que é o partir, senão o chegar visto de lá?”

Assim se lia na projeção do vídeo de abertura do Concerto realizado pelo Coral do Centro Espírita Ildefonso Correia, no Teatro da FEP.

Logo após, uma imagem intrigante: via-as as costas de um jovem, estático, olhando para o oceano imenso. Não se sabia se estava se despedindo de alguém que ia ao longe ou aguardando uma chegada tão esperada. Em que margem estava? Na margem de lá ou na margem de cá?

Logo após uma outra filmagem se destaca: uma viagem sobre trilhos, como se o espectador estivesse dentro da composição, ou mesmo fosse o próprio trem.

Esta foi a introdução do espetáculo que trouxe, através da música, a visão poética e esperançosa da Doutrina Espírita sobre a morte e a imortalidade da alma.

“Lá onde os pés fincaram alma”, dizia a letra da primeira canção, na voz virtuosa de Liane Guariente, que emocionou a todos com sua interpretação impecável. Liane é integrante do grupo Terra Sonora, instrumentista, professora e também preparadora vocal do Coral do CEIC.

Na primeira parte do concerto, o coral interpretou peças na língua portuguesa que, de alguma forma, traziam a mensagem da continuidade da vida. Intercaladas por textos narrados por Andrey Cechelero, as vozes disseram ao mundo que após este breve tempo na tímida Terra, volvemos todos à Pátria Espiritual, nosso verdadeiro lar, nossa casa.

Quase fora do palco, discreta, com vestes escuras, Doriane Rossi, maestrina do Grupo, trabalhadora voluntária, movia os braços e mãos conduzindo o grupo de forma magistral. Quem pode observar suas expressões em cada peça, em cada frase musical, certamente não conteve a emoção, pois “ouviu” de forma diferente. Doriane “era” cada uma daquelas músicas durante o espetáculo.

No interlúdio do concerto, Andrey Cechelero cantou Blackbird, de Lennon/MCcartney: “Tome essas asas quebradas e aprenda a voar…”

Veio então a segunda parte e o público foi sensibilizado com músicas sublimes, que buscavam consolar todos corações que sofrem com a separação. Em sinal profundo de respeito pela dor alheia, o Espiritismo como consolador é também abraço de amigo, fraternal, compassivo, e nos ensina a aproveitar os momentos de tristeza para realizar uma viagem para dentro de nós mesmos.

Para o final, o concerto reservou uma belíssima peça de Adams/Mason, um hino religioso do século XIX, de nome “Nearer my God to Thee” (Mais próximo, meu Deus, de ti”, encantando a plateia que praticamente lotou o Teatro da Fep nos dois dias de apresentação. “Nearer” teve ainda a participação especial do barítono convidado Cainã Alves.

“Lá, Nossa Casa” é uma grande prova de que a Arte espiritualizada já é uma realidade, que as ideias Espíritas vieram dar às Artes em geral um colorido todo especial e belíssimos temas.

“Lá, Nossa Casa” foi um canto de imortalidade inesquecível na Terra das Araucárias.

“Muitas vezes, os seres que chorais e que ides procurar no cemitério estão ao vosso lado. Vêm velar por vós aqueles que foram o amparo da vossa juventude, que vos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das vossas alegrias e das vossas dores, bem como todas as formas, todos os meigos fantasmas dos seres que encontrastes no vosso caminho, os quais participaram da vossa existência e levaram consigo alguma coisa de vós mesmos, da vossa alma e do vosso coração. Ao redor de vós flutua a multidão dos homens que se sumiram na morte, multidão confusa, que revive, vos chama e mostra o caminho que tendes de percorrer.”

Léon Denis. O Problema do Ser do Destino e da Dor. Cap. X

 

O que é o partir
senão um chegar visto de lá…
Como um novo existir,
eu, nascido Do mais sábio que há.

 

Pontes destes mares…
Ata mil lugares…
E leva-me daqui.

 

Teu profetizares…
Teus mistérios, ares…
Não passam de “porvir”

 

Nestas longas horas
Canto, pranto, choras…
Não sentes teu pulsar

 

Longas, longas horas
Passam, quando oras…
Confias no Deus “lar”

 

O que é um adeus
Senão como aprender a amar…
“Morte do hoje eu

Vida à paz que busco encontrar…”

Andrey Cechelero

 

“Para a maior parte dos homens a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para nós ela é a hora bendita em que o corpo cansado volve à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a pátria eterna. Essa pátria é a Imensidade radiosa, cheia de sóis e de esferas. Junto deles, como há de parecer raquítica a nossa pobre Terra! O infinito envolve-a por todos os lados. O infinito na extensão e o infinito na duração, eis o que se nos depara, quer se trate da alma, quer se trate do universo.”

Léon Denis. O Problema do Ser do Destino e da Dor. Cap. X

 

Ficha Técnica

Baixos

Lucius Kamradt Savi

Nelson Rinaldi Guilherme Christiano

Jorge Albino Fonseca Tavares Santos

Bruno de Souza Pauli

Luiz Fernando Rodrigues Campos

 

Contraltos

Cláudia Helena de Almeida

Lizandra Kamradt Savi

Maria Aparecida Sarmento Almeida

Simone Vulcanis Scuissiatto

Maria Luiza Costa Campos

 

Sopranos

Camila Cavalheiro Maciel

Analigia Fernandes de Oliveira Battini

Juliana Doranen Cechelero

Cleide Maria Costa Campos

Daniela Parada Pavoni

Angela Beatriz Meirelles

Andréa Puppin Romano

Juraci Teresinha Quevedo Schmidt (Taty)

Cynthia Sarmento de Almeida

 

Tenores

Luís Fernando Teixeira

Flavio Terêncio

André Luiz R. Romano

Marco Aurélio Ishiyama

 

Músicos:

Piano: Fábio Cardoso

Cello: Thomas Jucksch

Percussão: Grabriela Bruel

Solistas: Liane Guariente, Luis Fernando Teixeira e Marco Ishyiama

Solista Convidado: Cainã Alves

 

Iluminação: Jean Sanches

Som: Marcelino Filho

Regência e Direção Musical: Doriane Rossi

Direção Geral, Produção, Vídeos, Locução e Solo: Andrey Cechelero

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