Jornal Mundo Espírita

Janeiro de 2019 Número 1614 Ano 86
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La Bonne Maman

dezembro/2018 - Por Mary Ishiyama

Rufina Noeggerath, cujo sobrenome de solteira era Temmerman, nasceu no dia 10 de outubro de 1821, em Bruxelas, Bélgica.

De família abastada, foi estudar em Bonn, na Alemanha que, à época, já possuía uma universidade famosa. É ali que Rufina toma gosto e se ajusta ao meio científico, artístico e literário.

De retorno a Bruxelas, tenta se adequar à antiga vida, mas não a satisfazem, como anteriormente, as viagens, os bailes, as festas. Ansiava por um mundo diferente.

Com esse pensamento, segue para Antuérpia. Hospedada em casa de amigo, se inscreve em um curso de pintura, o que revela ser uma mulher à frente de seu tempo, considerando que, em 1840, mulheres que pintavam eram consideradas marginais.

Ela enfrentou o preconceito na própria pele e por isso dava apoio e proteção para quem igualmente o sofria, algo comum em uma sociedade machista e sectária, o que lhe valeu o apelido de Senhorita Dom Quixote.

Conheceu Charles Noeggerath, importante médico e hipnotizador, casando-se em 1846. Tinha uma vida boa, era rica, bela e amada.  Viveu completa felicidade conjugal por seis anos, quando enviuvou.

Além de ter que lidar com a ausência do marido, descobriu-se arruinada financeiramente. Buscou consolo no Espiritismo que, ao que parece, fora apresentada pelo marido, um estudioso do magnetismo animal e do sonambulismo magnético.

Com interesse nas provas de sobrevivência após a morte,  a respeito das quais escreverá, de forma científica, estudou a Doutrina e, durante anos, observou e analisou fenômenos de escrita direta, incorporações, levitações, transportes e materializações.

Fundou seu próprio grupo, com sessões mediúnicas às quartas-feiras em um salão literário, frequentado pela elite da sociedade, intelectuais, filósofos, artistas, pintores, escritores, responsáveis por grandes jornais e espíritas, de um modo geral.

Médiuns como Florence Cook, Monsieur Husk, Anna Rothe e Charles Miller participavam das sessões e produziam número impressionante de materializações de Espíritos, por vezes, conhecidos de pessoas presentes à reunião, o que facilitava a sua identificação e a veracidade do fenômeno.

Mulher de excelente qualidade moral, por acolher a tantos necessitados de pão material como de pão espiritual e de consolo, Rufina procurou viver a escola do Espiritismo amor, recebendo o apelido de Bonne Maman (Boa Mãe).

Escreveu muito sobre Espiritismo. Em 1897, publicou sua principal obra espírita La Survie, com prefácio de Camille Flammarion. Composta de dois volumes, trata da sobrevivência da alma, sua realidade, sua manifestação e sua filosofia, material obtido durante vinte e quatro anos de comunicações dos Espíritos.

Rufina foi contemporânea e amiga de Gabriel Delanne e Léon Denis.

Mulher intelectualizada e lúcida, ao atender uma solicitação, em 1905, de M. Malgras para que falasse sobre Espiritismo, disse, entre outras coisas: O Espiritismo me parece ser a solução mais lógica e mais satisfatória dos grandes mistérios que procuramos penetrar. A prática do Espiritismo é simples, como tudo o que é sublime e verdadeiro. Para compreendê-lo, ouçamos o que diz Jesus, o mais poderoso dos médiuns: reuni-vos três ou quatro; fechai-vos no vosso aposento e chamai-me que eu virei.

Essa mulher incrível viveu tudo o que pregou. Desencarnou aos oitenta e sete anos, em 15 de abril de 1908. Suas últimas palavras foram: Que luz ofuscante me rodeia!

Seu corpo foi enterrado no cemitério Père Lachaise, recebendo homenagens de vários amigos, entre eles, Léon Denis.

Na mesma noite, um médium, não nominado, descreveu a emoção de Rufina ao chegar ao mundo espiritual e ser recebida por amigos que a antecederam. Citou nomes; um, em especial, Charles Noeggerath, seu marido.

E para mostrar que a vida não termina com a morte do corpo físico, ela se materializou, espontaneamente, dois meses depois de sua desencarnação, em uma reunião mediúnica de seu antigo grupo, através do médium Miller.

Tudo sob supervisão de Léon Denis e Gabriel Delanne. Sua filha a reconheceu, imediatamente.

A respeito de Rufina, disse Denis: A vida dessa mulher é uma maravilha. Sem desfalecimento ela consagrou quarenta longos anos de cultivo das verdades espíritas, ainda desconhecidas ou repudiadas por muitos, estas verdades que pertencem ao futuro porque se apoiam na ciência experimental, na filosofia e na mais alta e pura moral.

 

Referências:

1.LARDIN, Romain. Rufina Noeggerath, Bonne Maman, uma mulher a serviço do espiritismo. Cultura Espírita, ano VIII, n. 111, jun. 2018.

2.RODRIGUES, Wallace L. V. Rodrigues. Madame Rufina Noeggerath. Anuário Espírita 1975, ano XII, n. 12. Araras: IDE.

3.MADAME Ruffina Noeggerath. Revista Internacional de Espiritismo, ano LXXIX, n. 11, dez. 2004.

4.www.feparana.com.br/topico/?topico=740

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