Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Juntos podemos muito mais

outubro/2017

Há um lugar por onde passa uma linha desativada de ferrovia, a qual serviu para antiga mina de ouro, que deixou de ser explorada.

Ali, as crianças brincam, disputando quem anda mais tempo equilibrando-se sobre um dos trilhos.

No entanto, logo adiante do vilarejo, a estrada de ferro passa por sobre um rio, deixando de ser seguro para elas. Mas, do outro lado, há um tentador pomar, com várias frutas, que fica como que chamando-as sem parar.

Certo dia, duas amigas que, costumeiramente, ali brincam, se puseram a olhar mais detidamente para a outra margem e decidiram transpor a ponte.

Como fazer? Havia o risco da queda, tantas vezes experimentada enquanto se equilibravam sozinhas ao longo dos trilhos…

Uma delas subiu num dos trilhos e pediu que a outra fizesse o mesmo no trilho ao lado.

Levantou e estendeu seu braço até tocar o ombro da amiga ao seu lado, apoiando-se. Recomendou que a outra fizesse exatamente o mesmo e se apoiasse, por sua vez, no seu ombro.

E formaram um elo de apoio mútuo. Ensaiaram os primeiros passos, aprenderam a cadência para caminharem juntas com equilíbrio e constância, e, sentindo-se seguras pela unidade que formaram, pois podiam caminhar contrabalançando-se entre si, foram em direção à pequena ponte, mirando a outra margem, e, voilá!, alcançaram finalmente o sonhado pomar, onde puderam se refestelar. Ato contínuo, chamaram os outros amigos a formarem suas duplas e caminharem juntos pela estrada dos valores, para vencerem os obstáculos, minimizarem os riscos e poderem fruir das frutas bem maduras e adocicadas que os esperavam.

Juntos, gritavam elas, se pode muito mais… Venham logo!

*

Em se tratando de Movimento Espírita, logo nos vem à lembrança a memorável frase do venerando Benfeitor Espiritual, Bezerra de Menezes, que nos convoca à União: Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.

Em todas as línguas de todos os povos, a união de pessoas, de forças, de nações, é enaltecida como um excelente recurso para se triunfar nos propósitos.

Há muitos e muitos exemplos dos que se amparam na união para fortalecer seus princípios e mais facilmente alcançarem seus objetivos.

No campo das relações humanas harmoniosas, o eu deve entregar-se ao nós, fazendo-se um só ser coletivo.

A união não invalida valores individuais. Os valores de uns são postos a serviço dos demais. Agregam-se, formando valores maiores, mais capazes, mais poderosos. A harmonia contempla as diferenças, combinando-as, não eliminando-as.

Toda força é fraca se não é unida, recitou Jean de la Fontaine.

Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade – é lição encontrada em Eclesiastes 4:12.

Foi Paulo, o Apóstolo dos Gentios, quem rompeu fronteiras e levou a semeadura da Boa Nova para outros povos, cujas sementes ali foram depositadas, vindo a frutificar na sucessão dos tempos, permitindo o florescer do Evangelho em muitos rincões, o que nos permite deduzir que se não fosse essa capilaridade aberta dramaticamente pelo Grande Apóstolo, possivelmente a Boa Mensagem viesse a ser abafada na sua própria terra pelas forças então dominantes, e tornada muito pequena, cujo desenvolvimento posterior demandaria um longo e bem maior tempo para se propagar.

É ele que desde então recomendava, conforme 1ª Cor., 1:10: Guardai a concórdia uns com os outros, de sorte que não haja divisões entre vós; sede estreitamente unidos no mesmo espírito e no mesmo modo de pensar.

Em outro momento e com outras palavras, questiona, no mesmo texto (3:3): Se há entre vós inveja e rixa, não estais vos comportando de modo meramente mundano?

Ele, Jesus, nos conclama a amarmo-nos uns aos outros, como Ele nos amou.

De nossa vez, nos autoquestionemos:

Que diferença terá feito em nós a mensagem do Cristo, de quem nos dizemos discípulos e servidores?

O que estaremos fazendo de especial em prol da vivência e legítima propagação da Boa Nova?

*

Neste mês de outubro, dia 3, nós, os espíritas, queremos render justas e sinceras homenagens pelo nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), mas é preciso que fale alto nosso coração, o coração de quem não só se faz presente no meio espírita, mas de quem está comprometido em conhecer e viver os postulados espíritas, os princípios cristãos.

Como a metáfora do início deste artigo, que propõe a união como solução, sozinho se pode bastante, juntos podemos muito mais. E a Federação Espírita do Paraná reprisa: Vem, vamos caminhar juntos pela Estrada dos Valores Cristãos, pois o anúncio do Cristo é para todos nós: “Eu sou o Caminho da Verdadeira Vida.”

Juntos, comprometidos com o bem do próximo, apoiados uns nos outros, ombro a ombro, de corações concordes, registremos nossa reverência ao Apóstolo da renovação humana, repetindo do fundo de nossas almas: Ave, Allan Kardec, nas luzes do infinito! O seu trabalho é luz para o mundo. Operários do Cristo, aqui estamos para conduzir sua obra, conhecendo-a e vivenciando-a, com destemor e humildade, fazendo de nossas mãos, suas mãos; de nossa fala, sua fala; de nosso coração, seu coração, quais cartas vivas do Evangelho Redentor.

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