Jornal Mundo Espírita

Agosto de 2020 Número 1633 Ano 88
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

José Lopes Neto

março/2020 - Por Maria Helena Marcon

Nascido em 1882, desde os 15 anos, o valoroso moço fez-se o esteio de numerosa família, provendo-lhe a subsistência e dispensando carinhos verdadeiramente paternais aos irmãozinhos menores, cuja educação foi o produto da sua vontade de aço através dos mais ingentes sacrifícios. (…) O quanto lhe permitiram os minguados recursos do seu trabalho de operário, instruiu-se bastante para ocupar mais tarde cargos de confiança, que sempre desempenhou com brilho e honestidade, e para distinguir-se na tribuna e na imprensa como batalhador intemerato dos nobres ideais de paz, de igualdade e de fraternidade.1

Jovem, fez-se espírita. Sua vida foi consagrada à caridade, dispensando àqueles que lhe estendiam a mão o auxílio, visitando os enfermos, aos quais ministrava com solicitude os recursos inesgotáveis da sua preciosa mediunidade.1

Embora não tenha assinado a Ata de fundação da Federação Espírita do Paraná – FEP, consta como sócio fundador.

A seu respeito, escreveu Lins de Vasconcellos: Espírito sensato, caráter puro, José Lopes Neto ficou em cenário restrito e seu nome é venerado apenas no Paraná. Todavia, o seu esforço honesto de homem pobre que criou e educou vários irmãos ( um médico, um advogado e várias professoras normalistas), sem contrair matrimônio para não prejudicar ninguém, o seu esforço, repito, vale por um poema e deve servir de inspiração a muitos pobres que desanimam sob a violência das primeiras procelas, como se a vida não fosse sempre assim.

Foi o primeiro orador espírita a sair para o interior do Estado levando a palavra da Nova Revelação. Inaugurando as jornadas espíritas, em 22 de outubro de 1905, ofereceu sua oratória vibrante, nas cidades de Piraquara, Paranaguá, Antonina e Ponta Grossa.

Foi 2º e 1º Secretário da FEP, Vice-Presidente, membro da Comissão Central, órgão equivalente a um Conselho Soberano e Secretário Geral.

Presidente da FEP de abril de 1909 a janeiro de 1912, e de janeiro de 1914 a janeiro de 1915, declinando de novo mandato, escolhido que fora nas eleições realizadas.

Durante sua gestão como Presidente da FEP, em 1911, defendeu a ideia de criação de um sanatório, já esboçada por João Huy e Manoel Antonio Ferreira da Cunha.

Esse sonho viria se concretizar 34 anos após, com a inauguração, em 31 de março de 1945, do Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro.

Lopes Neto jamais se afastou de suas atividades nos trabalhos doutrinários, sobretudo com atuação de sua lúcida qualidade de médium vidente, sonambúlico, psicógrafo, curador e audiente, além de orador inspirado, vibrante e vibrátil, segundo palavras de Lins.

Ao desencarnar, em 8 de outubro de 1917, após alguns dias de dolorosos padecimentos, suportados com a firmeza e a resignação de quem bem compreendia a razão de ser das dores humanas, destacava-se como diretor das revistas A Luz e A Doutrina e do Monitor Espírita, cuja publicação manteve sempre, a despeito das dificuldades que se lhe anotavam, como colaborador distinto da Revista de Espiritualismo e como secretário da Sociedade Publicadora Kardecista.1

Era, nesse ano, Diretor Interino do Albergue Noturno.

Em 27 de outubro de 2006, em Amsterdam, Holanda, o Espírito Camilo psicografou, servindo-se da mediunidade de Raul, mensagem que viria compor a apresentação da obra Em nome de Deus2.

O nosso nobre amigo José Lopes Neto (…) há muito se destaca nas praias do Invisível por sua continuada dedicação ao trabalho em prol do seu próprio progresso e do de quantos a ele se acham vinculados, com o propósito de ser útil na obra fecunda do nosso Criador.

Tendo estado no mundo físico numa existência bastante curta, (…) deixou uma formosa folha de serviços realizados com esforço e com esmero, apesar das fragilidades da saúde física que amargava sem lamentações, tendo em vista uma problemática cardíaca, por meio da qual teve ensejo de redimir-se de velhas quão graves pendências que pesavam sobre a sua consciência moral, decorrentes de reencarnações forjadas na desconsideração às divinas leis.

Lopes Neto3, em bela página preambular, informa que, no mundo espiritual, se dedica, desde alguns anos, a ministrar pequenos cursos, por módulos regulares, para as classes de desencarnados em preparação para novas reencarnações, com foco no modo de se pensar em Deus.

Em 2010, pela pena mediúnica do baiano Divaldo, encontramos Lopes Neto como mestre de cerimônias em uma reunião na Colônia espiritual Redenção, em que comparecem, entre tantos Espíritos nobres, Francisco e Clara de Assis.

Os objetivos em pauta se referem à orientação do trabalho de quinhentos Espíritos que viriam à Terra, em missões específicas de preparação da nova era, abrindo espaço para as reencarnações em massa dos migrantes [dez mil]  de uma das estrelas da constelação das Plêiades* [Alcíone], na tarefa sublime de ajudar a Terra a alcançar o patamar de “mundo de regeneração”.4

Raul Teixeira, como âncora do programa televisivo Vida e Valores, da FEP, revelou que José Lopes Neto era o coordenador espiritual da tarefa, desenvolvida de 2005 a 2009.

 

Referências:

  1. LUZ, Flávio; VASCONCELLOS, Arthur Lins de. Revista de Espiritualismo, Curitiba: Sociedade Publicadora Kardecista, ano II, n. 10, out. 1917.
  2. TEIXEIRA, Raul. Em nome de Deus. Pelo Espírito José Lopes Neto. Niterói: Fráter, 2007. cap. Sobre o trabalho de Deus.
  3. Op. cit. cap. A respeito da crença em Deus.
  4. FRANCO, Divaldo Pereira. Transição planetária. Pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Salvador: LEAL, 2011. cap. 13.
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