Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2021 Número 1648 Ano 89
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José Herculano Pires

setembro/2014 - Por Marco Antonio Negrão

Nasceu na Freguesia de Rio Novo (atual Avaré/São Paulo), no dia 25 de setembro de 1914, o jornalista, filósofo, educador, escritor, romancista, poeta e tradutor das obras de Allan Kardec, JOSÉ HERCULANO PIRES, completando seu centenário de nascimento, no mês em curso.

Filho do farmacêutico José Pires Correia e da pianista Bonina Amaral Simonetti Pires. Fez seus primeiros estudos em Avaré, Itaí e Cerqueira César. Revelou sua vocação literária precocemente, pois, aos nove anos escreveu seu primeiro soneto. Aos dezesseis,  publicou seu primeiro livro, Sonhos Azues (contos) e, aos dezoito, o segundo, Coração (poemas livres e sonetos).¹

Tornou-se espírita aos vinte e dois anos, assim descrevendo esse momento:

Eu não queria saber do Espiritismo, que por minha formação considerava um amontoado de superstições. Um dia, meu saudoso amigo Dadício de Oliveira Baulet me desafiou a ler O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. A contragosto aceitei o desafio e o estou lendo e estudando até hoje. Tornei-me espírita pelo raciocínio. Isso ocorreu em 1936…²

Neste mesmo ano, foi eleito presidente do primeiro centro espírita que dois amigos seus fundaram na cidade de Cerqueira César/São Paulo.

Foi secretário do I Congresso Espírita da Alta Paulista (30/3 a 4/4/1936), na cidade de Marília/São Paulo, onde apresentou a tese, aprovada por unanimidade, intitulada O Espiritismo e a Construção de um Mundo Novo – Estabelecimento do Reino de Deus na Terra, que discutia a organização de um amplo movimento social desprovido de qualquer aspecto sectarista, que integrasse pessoas espíritas ou não, com o objetivo único de implantar no mundo os princípios do Reino de Deus contidos no Evangelho. ²

Casou-se com Maria Virgínia de Anhaia Ferraz em dezembro de 1938. Conta Heloísa Pires que, aos domingos, seu pai levantava cedo e ia à feira comprar rosas e acordava mamãe com a braçada de flores. Virgínia, muito prática, dizia que era tolice, que morreriam logo. Não adiantava, Herculano estava sempre enchendo os vasos com flores.²

Foi um dos fundadores da União Artística do Interior – UAI, em junho de 1932, que promoveu dois concursos literários.

Em outubro de 1946, mudou-se para São Paulo e seu primeiro emprego foi como colaborador efetivo do Jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo).

Repórter, redator, secretário, cronista parlamentar e crítico literário dos Diários Associados (Grupo Assis Chateaubriand), exerceu essas funções por cerca de trinta anos.

Autor de oitenta e um livros de Filosofia, Ensaios, História, Psicologia, Pedagogia, Parapsicologia, Romances e Espiritismo, vários em parceria com Chico Xavier, sendo a maioria inteiramente dedicada ao estudo e divulgação da Doutrina Espírita.

Lançou a série de ensaios Pensamento da Era Cósmica e a série de romances e novelas de Ficção Científica Paranormal. Alegava sofrer de grafomania, escrevendo dia e noite. Não tinha vocação acadêmica e não seguia escolas literárias. Seu único objetivo era comunicar o que achava necessário, da melhor maneira possível.

Graduado em Filosofia pela USP em 1958, publicou uma tese existencial: O Ser e a Serenidade. De 1959 a 1962, exerceu a cadeira de Filosofia da Educação, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara.

Espírita, não poupou esforços na divulgação falada e escrita da Doutrina codificada por Allan Kardec, tarefa essa à qual dedicou a maior parte da sua vida. Durante vinte anos manteve uma coluna diária de Espiritismo nos Diários Associados, com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Durante quatro anos manteve, no mesmo jornal, uma coluna em parceria com Chico Xavier sob o título Chico Xavier pede Licença.

Em dezembro de 1970, fundou e dirigiu a revista Educação Espírita e Pedagogia,  publicada pela EDICEL – fundada por ele, Frederico Giannini e Júlio Abreu Filho, cujo objetivo era ser um instrumento permanente de ligação entre os núcleos educacionais espíritas, um instrumento de trabalho para a elaboração das coordenadas da pedagogia espírita e uma livre tribuna para o debate de toda a problemática educacional.

Foi membro titular do Instituto Brasileiro de Filosofia, seção São Paulo, onde lecionou Psicologia. Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo de 1957 a 1959 e professor de Sociologia, no curso de Jornalismo, ministrado pelo mesmo Sindicato.

Foi presidente e professor do Instituto Paulista de Parapsicologia. Organizou e dirigiu cursos de Parapsicologia para os Centros Acadêmicos da Faculdade de Medicina da USP, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, da Escola Paulista de Medicina e em diversas cidades e colégios do Interior.

Fundou o Clube dos Jornalistas Espíritas de São Paulo, em  23 de janeiro de 1948, que funcionou por vinte e dois anos. Foi membro da Academia Paulista de Jornalismo, ocupando a Cadeira Cornélio Pires, em 1964.

Pertenceu à União Brasileira de Escritores, onde exerceu o cargo de Diretor e Membro do Conselho, em 1964.

Foi Chefe do Subgabinete da Casa Civil da Presidência da República no governo Jânio Quadros, em 1961, até sua renúncia.

Em 1954, publicou Barrabás, que recebeu um prêmio do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, constituindo o primeiro volume da trilogia Caminhos do Espírito, completada em 1975, com Lázaro e o romance Madalena.

Traduziu, cuidadosamente, as obras da Codificação Espírita, enriquecendo-as com notas explicativas nos rodapés, traduções doadas a diversas editoras espíritas no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha.

Colaborou com Júlio Abreu Filho na tradução da Revista Espírita.

Ao desencarnar, deixou vários originais, que vêm sendo publicados pela editora Paideia,³ fundada em 21 de julho de 1976,  por ele, com o objetivo de publicar obras espíritas que contivessem conceitos kardequianos, em defesa da pureza doutrinária.

No dia 9 de março de 1979, retornou à Pátria Espiritual. Seu corpo foi sepultado no cemitério São Paulo, naquela cidade.

 

Bibliografia:

¹ – Site – http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=163

² – RIZZINI, Jorge; PIRES, J. Herculano. O homem, a vida, a obra. Ed. Paideia

³ – Site – http://www.fundacaoherculanopires.org.br 

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