Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Jornal Mundo Espírita

abril/2016

Há 84 anos cumprindo seus nobres objetivos

As crenças são generalizações que fazemos a nosso respeito, acerca de outras pessoas e do mundo ao nosso redor. Elas são os princípios que orientam nossas ações e efetivamente formam nosso mundo social.

Steve Beckman disse, com muita propriedade: Você faz suas escolhas, e suas escolhas fazem você.

Ninguém está isento da sua realidade, porquanto é parte integrante de cada vida.

O homem é aquilo que ele acredita, conforme Anton Tchecov.

Nessa linha de raciocínio, se pode concluir também, que se mudarmos uma só crença, modificará muito do nosso comportamento.

Exemplo conhecido pela História quando Saulo de Tarso dirigia-se a Damasco, a fim de impor dura reprimenda ao movimento cristão nascente, conforme estava autorizado pelo Sinédrio. Às portas de Damasco, ele se depara com a notável visão de Jesus, em Espírito, que lhe pergunta: Saulo, por que me persegue?

Numa conversão instantânea de crença, deixa de ser o perseguidor e passa a ser seguidor de Jesus, perguntando, naquela ocasião, por sua vez, ao Meigo Rabi: Senhor, que deseja que eu faça?

Diante da vida, precisamos indagar a nós mesmos o que fazemos, o que desejamos, a que propósitos atendemos e a que finalidades se destinam.

Se você quiser ser feliz, determine um objetivo e comande seus pensamentos, liberte suas energias e inspire suas esperanças. – Andrew Carnegie.

No caso da crença ou fé religiosa, a regra é a mesma.

O fato de saber sobre certa religião, o fato de frequentar templos religiosos, não significa que tenha se estabelecido a crença a respeito. E, enquanto isso não se dá, o novo comportamento decorrente não chega. A reforma íntima prevista não acontece, pelo fato de que valores existenciais até então continuam os mesmos. Os ensinos novos recebidos ainda não alcançaram entendimento a ponto de despertarem necessidades pessoais de reformular pensamentos, valores e atitudes. Ainda não terá havido suficiente estímulo para mudanças, uma vez que o ensino novo não foi bem entendido, não se fez conhecimento adquirido em intensidade suficiente para alterar crenças antigas.

Na medida da compreensão, o conhecimento vai deixando o nível do consciente para penetrar paulatinamente em direção do subconsciente, em trabalho contínuo de reformulações e ou substituições, de desidentificações com certos paradigmas, e, por fim, se instala no inconsciente, território do já pensado, do já sabido e do já assimilado, onde se movimentam e de onde eclodem nossos hábitos, que externamos em ações no cotidiano, como estado de espírito.

O que ali já está armazenado (ou que vai se armazenar), que vai alterado pelo esforço da persistência de uma vontade determinante, naturalmente procede da ancestralidade do próprio homem, resultado de experiências objetivas ou não, que se lhe implantaram no inconsciente e cada vez mais se fixa pelo processo automático em que se fundamenta.

É do finalismo de Deus, que o de melhor nos dominará o ser, logo mais no futuro, que não está tão próximo, mas também não está tão distante, de modo que um dia repetiremos com o Apóstolo Paulo[1]: Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.

E já podemos perceber a perfeita integração e transcendência, mesmo que palidamente, da profunda afirmação de Jesus[2]: Eu e o Pai somos um.

São ensinos de Emmanuel[3], Espírito:

A árvore da fé viva não cresce no coração, miraculosamente.

A conquista da crença edificante não é serviço de menor esforço.

E escreveu Allan Kardec[4]:

Diz-se vulgarmente que a fé não se prescreve, donde resulta alegar muita gente que não lhe cabe a culpa de não ter fé. Sem dúvida, a fé não se prescreve, nem, o que ainda é mais certo, se impõe.

Não; ela se adquire e ninguém há que esteja impedido de possuí-la, mesmo entre os mais refratários.

Falamos das verdades espirituais básicas e não de tal ou qual crença particular. Não é à fé que compete procurá-los; a eles é que cumpre ir-lhe ao encontro e, se a buscarem sinceramente, não deixarão de achá-la.

A compreensão da Doutrina Espírita produz diversos efeitos, conforme esclarece Allan Kardec[5]O primeiro e mais geral consiste em desenvolver o sentimento religioso até naquele que, sem ser materialista, olha com absoluta indiferença para as questões espirituais.

Inegável a falta que faz Jesus no coração dos homens. A falta que faz cristãos autênticos na vida cotidiana.

No entanto, há de mudar. Eis a disposição de todos nós, desde 18 de abril de 1857, com a mensagem do Espiritismo, revivendo os ensinos de Jesus, ampliando os horizontes da esperança, despertando a religiosidade em todos nós, dirigida ao coração e à razão.

Não foi por outra razão que Allan Kardec, o escolhido para embaixador do Espírito de Verdade, conceituou: Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade.

Com o objetivo de espalhar a Boa Nova de Jesus, em artigos e notícias, pelas letras do Espiritismo, este periódico circula desde 4 de abril de 1932, cumprindo seus nobres propósitos.

 

[1] BÍBLIA, N.T. Epístola aos Gálatas. Bíblia Sagrada. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap. 2, vers. 20.

[2] ______.João. Op. cit. cap. 10, vers. 30.

[3] XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2005. cap. 40.

[4] KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001. cap. XIX, item 7.

[5] ______. O livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1974. Conclusão, item VII.

 

 

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