Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

João Ghignone

junho/2013 - Por Marco Antonio Negrão

Neste mês de junho, completam-se trinta e cinco anos que o nobre companheiro e ex-presidente da Federação Espírita do Paraná – FEP, João Ghignone, retornou à pátria Espiritual. Assim está escrito no Jornal Mundo Espírita do dia 30 de junho de 1978: No dia 8 do mês que hoje finda, às 22:30 horas, em sua residência nesta Capital – na Rua Carlos de Carvalho, 431 – desencarnou o venerável cidadão João Ghignone…

Ghignone foi eleito Presidente da Federação Espírita do Paraná no dia 10 de janeiro de 1932, permanecendo no cargo até sua desencarnação, ou seja, quarenta e seis anos.

João Ghignone nasceu em 11 de fevereiro de 1889, na cidade de Serravale Sesia (Piemonte – Itália). Com cinco anos de idade, sua família mudou-se para o Brasil. Seu pai era engenheiro civil e trabalhou na implantação de diversas fábricas de papel.  Após percorrer alguns Estados, seus pais fixaram raízes no Estado do Paraná, inicialmente em Morretes.  João tinha onze anos e lá viveu a sua mocidade, casando-se com uma imigrante italiana – Itália Dall’igna Ghignone. Teve oito filhos – cinco mulheres e três homens. Foi músico, tipógrafo, dono de restaurante, comerciante. Transferiu residência para Curitiba e, em 1925, estabeleceu-se como livreiro, construindo uma sólida empresa no ramo – Livrarias Ghignone.

Foi o 11º Presidente da FEP e foi reeleito entre o ano de 1932 até 1978, tendo ingressado na FEP em 1919.

João de Mattos Lima, ex-companheiro de João Ghignone, fez muitas viagens pelo interior do Paraná, já na década de sessenta e conta que: Sempre viajávamos com a caminhonete Chevrolet do João e os companheiros de viagem custeavam as despesas do próprio bolso.

Participou ativamente da transferência do Lar Mariinha (hoje, Creche Mariinha), que estava instalado em Palmeira e que, por razões administrativas, foi reinstalado em Campo Largo.

Em 1935, autorizou os estudos econômicos para a construção da nova sede da Federação. Em 1938, autorizou o reinício das obras do Sanatório Bom Retiro (hoje, Hospital Espírita de Psiquiatria Bom Retiro), que seria inaugurado em 28 de março de 1945.

Seu grande coração sempre esteve ligado à assistência social e, na sua gestão, foi criada a Associação Protetora do Recém-Nascido, na FEP.

Outras obras que foram iniciadas e concluídas durante a sua administração, ao lado de companheiros valorosos que faziam parte da Diretoria da Federação: o Albergue Noturno, Lar Icléa, Lar Hercília de Vasconcellos (Paranaguá), Creche Josefina Rocha, Instituto Lins de Vasconcellos (Escola).

Fez-se presente nos acontecimentos históricos do Espiritismo no Brasil, seja nos Estados vizinhos ao Paraná, seja na antiga capital federal (RJ), sempre participando de Seminários, Congressos, Encontros.

Escreveu Lauro Schleder, no Jornal Mundo Espírita, de 31 de julho de 1978, homenageando o companheiro que tinha retornado à pátria espiritual: Assim podemos dizer com toda segurança: João Ghignone foi um homem de bem que sempre honrou seu nome na vida civil como na vida comercial. E, mais ainda como espírita convicto, sincero e leal que soube ser, dedicando o melhor de sua longa existência terrena no trato dos assuntos da sua querida Federação Espírita do Paraná cuja presidência exerceu por 46 anos. Além desse largo período na direção da Federação Espírita, Ghignone já outros cargos exercera na mesma instituição, totalizando 50 anos a serviço do Bem, a serviço do Espiritismo… dado seu alto espírito de tolerância, granjeou no meio paranaense, a mais elevada simpatia para o Espiritismo, notadamente para as suas obras sociais…

Escreveu Honório Melo, companheiro de João Ghignone, seu 2º Vice-Presidente, no período de 1974 a 1978: …João Ghignone, dedicado ao comércio de livros nesta Capital, foi um homem inteiramente voltado para as nobres causas, tendo merecido sempre o respeito e consideração das grandes empresas que mantinham relações com sua firma comercial…

Durante a sua gestão, a Federação Espírita passou por momentos importantes na consolidação tanto dos seus trabalhos assistenciais quanto doutrinários. Sua contribuição, juntamente com os seus companheiros, com os quais conviveu dentro da federativa, Sebastião Paraná, Vicente Montepoliciano do Nascimento Jr, João Pedro Schleder, José Nogueira dos Santos, Arthur Lins de Vasconcellos Lopes, Flávio Ferreira da Luz, Marcolino José Monteiro, Abibe Isfer, Honório Melo, dentre outros. Foi um homem que se dedicou à causa e soube levar a todos que com ele conviveram, o respeito, a lealdade e a capacidade de trabalho.

O Movimento Espírita paranaense deve muito a esse companheiro valoroso e dedicado.

BIBLIOGRAFIA

MINI-BIOGRAFIA JoãoGhignone. Presença Espírita, Salvador, ago. 1980, ano VII, n. 78, p. 22.

JOÃO Ghignone. Mundo Espírita, Curitiba, nov. 1988, ano LVII, n. 1252, p.1.

AOS 89 anos, tomba “o velho jequitibá”. Op. cit., 30 jun. 1978, ano XLVI, n. 1128, p. 1.

SCHLEDER, Lauro. Um homem de bem: João Ghignone. Op. cit., 31 jul. 1978, ano XLVI, n. 1129, p. 2.

RELEMBRANDO João Ghignone, de saudosa memória. Op. cit., 30 jun. 1979, ano XLVI, n. 1140, p. 1.

ANUÁRIO ESPÍRITA. Araras: IDE, 1979, ano XVI, n. 16.

FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO PARANÁ.  Federação Espírita do Paraná 77 anos: seus presidentes. Curitiba, [1979]. 36 p.

_____. 110 anos semeando a boa nova por um mundo melhor. Curitiba, 2012. Não paginado.

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