Jornal Mundo Espírita

Julho de 2019 Número 1620 Ano 87
Trabalhadores do Bem Envie para um amigo Imprimir

Joanna de Ângelis

janeiro/2013 - Por Maria Helena Marcon.

Um Espírito Amigo – desta forma são assinadas duas mensagens em O Evangelho Segundo o Espiritismo, uma no cap. IX, item 7 (A paciência) e outra no cap. XVIII, item 15 (Dar-se-á àquele que tem).

Convidada pelos Espíritos Superiores a integrar a equipe do Espírito de Verdade, que traria à Terra a Terceira Revelação, Joanna iniciou sua trajetória cristã nos tempos primeiros da Boa Nova.

Chamava-se, então, Joana, esposa de Cusa, intendente de Ântipas. Ouvindo Jesus, encantou-se pela mensagem, especialmente por ser uma mulher que sofria, pela indiferença do marido, conforme nos relata, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, o Espírito Humberto de Campos.

Vestindo-se de forma simples, para não ser percebida, embora não deixasse de o ser, Joana de Cusa em meio ao povo, nas pregações do lago, ouvia atentamente o meigo Rabi.

Seu marido tinha uma vida de vícios graves e de desrespeito ao santuário doméstico. Saturada da situação e se desejando libertar, Joana buscou Jesus, que lhe falou da necessidade de ser fiel ao marido a quem ela, em existência anterior, na própria Roma, havia prejudicado.4

Depois desse encontro pessoal com Jesus, sua vida se modificou. Posteriormente, teve uma convivência mais estreita com João Evangelista e com Simão Pedro, chegando mesmo a colaborar de alguma forma com as pequenas instituições que derivavam da renovação cristã, em face da sua condição socioeconômica relevante.4

Após a morte do esposo, que caíra em desgraça política, tendo os seus bens tomados pelo Império, Joana necessitou prover a sua e à subsistência dos dois filhos. Tornou-se serva em casa de família abastada, que mais tarde se transferiu para Roma, levando-a e aos filhos.

Foi ali, em uma tarde de agosto do ano 68 d.C., que Joana de Cusa foi martirizada com seu filho mais jovem e em torno de quinhentos cristãos, que tiveram seus corpos queimados de tal forma que as chamas iluminaram a cidade.

Quando, no século XII, o Sol de Assis brilhou entre os homens, Joana retornou à Terra tomando vestes femininas outra vez. Nasceu em 1192, filha de Hortolana e de Favarone, na abastada e nobre família dos Offreducci.

Sua mãe era uma mulher de muita fé e, desde cedo, Clara desenvolveu grande compaixão pelos pobres. Por vezes, se abstinha do próprio alimento para dá-lo aos famintos.

Como as demais jovens do seu tempo, ela ouviu falar a respeito de Francisco, de suas pregações, do seu carisma. Segundo seu biógrafo Tomas de Celano, em companhia de apenas uma pessoa de confiança da família, a jovem deixava a casa paterna para encontrar secretamente o homem de Deus, cujas palavras pareciam chamas, e cujas obras superavam as possibilidades humanas.5

Francisco logo percebeu a vocação de Clara mas a nada a forçou. Ela mesma, desejosa de servir a Jesus, nos moldes franciscanos, fugiu de casa e foi ao encontro dos frades na Igreja de Santa Maria da Porciúncula.

Fez os votos de pobreza, castidade e obediência e Francisco lhe cortou os cabelos, à semelhança de um rito de iniciação. Embora seus parentes a viessem buscar e tentassem utilizar a força para levá-la de retorno ao lar, nada a dissuadiu.

Ela se fixou na Igreja de São Damião, atraindo com seu exemplo, em breve, outras jovens desejosas de levar uma vida semelhante à sua. Sua coragem foi demonstrada em alguns momentos de perigo para a cidade, chegando a comparecer, com suas companheiras, frente ao conquistador que sitiara Assis, Vitale d´Anversa, para pedir misericórdia.

O gesto dissuadiu o poderoso capitão do seu intento, o exército foi dispersado e a cidade poupada.

A Clara de Assis são atribuídas várias curas. O próprio Francisco a ela enviava casos de obsessão e de problemas físicos graves, todos solucionados com preces, toque de mãos, a sua presença moralizante e magnetizante.

Quatro cartas lhe são atribuídas, escritas entre 1235 e 1253, dirigidas a Agnes, filha do rei Ottokar I, da Boêmia, que se tornará sua seguidora e fundadora de uma família religiosa de mulheres pobres em Praga.

Clara desencarnou, aos sessenta anos de idade, em 11 de agosto de 1253.

No século XVII, ela reaparece no cenário do mundo, para mais uma vida dedicada ao Bem. Renasce em 1651, em uma cidadezinha a oitenta e um quilômetros da capital do México, San Miguel Nepantla, e recebe o nome de Juana de Asbaje y Ramirez de Santillana.

Aos três anos, aprende a ler. Aos cinco, faz versos. Aos treze anos, está na Corte mexicana, tão pomposa e brilhante quanto a Corte europeia, e ali mostraria seus dotes literários, escrevendo poemas de amor, ensaios e peças teatrais, que até hoje são citados e representados em programas de rádio e TV.

Como sua sede de saber fosse mais forte que a ilusão de brilhar na Corte, ingressou no Convento das Carmelitas Descalças e, mais tarde, transferiu-se para a Ordem de São Jerônimo da Conceição, tomando o nome de Sóror Juana Inés de la Cruz.

Ficou conhecida como a Monja da Biblioteca, intercambiando conhecimentos e experiências com intelectuais europeus e do Novo Mundo. Estudava, escrevia poemas, ensaios, dramas, peças religiosas, cantos de Natal e música sacra. Criou fama como pintora miniaturista, fez-se competente em Teologia Moral, Dogma, Medicina, Astronomia e Direito Canônico.

Aprendeu o latim e o português.

Morreu em 1695, aos quarenta e quatro anos de idade, durante uma epidemia de peste na região, após socorrer durante dias inteiros as suas irmãs religiosas enfermas.

Sessenta e seis anos após, ela renasceu na cidade de Salvador (BA), como Joana Angélica.

Ingressando no Convento da Lapa, como franciscana, atestando o seu amor de ternura infinita por aquele que é o irmão da natureza2, tomou o nome de Sóror Joana Angélica de Jesus.

Foi a conselheira que, na calada da noite, deixava sua cela e se dispunha a ouvir e aliviar as dores dos corações sofridos de muitas daquelas mulheres, simplesmente trancadas no convento, por decisão familiar, e que traziam a tormenta na alma desejosa de viver de outra forma.

Em 1815, tornou-se Abadessa do Convento e, no dia 20 de fevereiro de 1822, morreu defendendo corajosamente o Convento, a casa do Cristo, assim como a honra das jovens que ali moravam(…), sendo (…) assassinada por soldados que lutavam contra a Independência do Brasil.2Tinha sessenta e um anos de idade.

No dia 5 de dezembro de 1945, esse Espírito Amigo iniciou a orientar, inspirar e manifestar-se mediunicamente através de Divaldo Pereira Franco. Em 1949, iniciou seu trabalho de ensaio psicográfico junto ao médium. Várias das suas mensagens figuraram nas páginas da revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, em 1956, todas assinadas por Um Espírito Amigo. Nesse mesmo ano, ela se revelaria como Joanna, e passaria a assinar Joanna de Ângelis, brindando-nos com sua primeira obra psicografada, em 1964, Messe de Amor. Depois dessa, sua produção tem sido incessante.

Por sua iniciativa, criou-se na Bahia uma cópia imperfeita da Comunidade onde ela estagia no Plano Espiritual, dando origem à Mansão do Caminho, iniciada em 1947.

É esse Espírito Amigo que nos exorta, na última mensagem da sua obra Após a tempestade: (…) E unidos uns aos outros, entre os encarnados e com os desencarnados, sigamos.

Jesus espera: avancemos.

Bibliografia consultada:

1. Boa Nova, Humberto de Campos/ Francisco Cândido Xavier, ed. Feb, cap. 15.

2. A veneranda Joanna de Ângelis, Celeste Santos/Divaldo Pereira Franco, ed. Leal, cap. 4 a 8.

3. Enciclopédia Mirador Universal, v. 14, verbete México, 3.2.6.

4. Joanna e Jesus, uma história de amor, Divaldo Pereira Franco/Cezar Said, ed. Fep.

5. Vida de Santa Clara de Assis, Tomas de Celano, ed. Minerva.

6. Os expoentes da Codificação Espírita, Maria Helena Marcon, ed. Fep.

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