Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87

Jesus e o Natal

dezembro/2017 - Por Oduvaldo Mansani de Mello

Originalmente, o Natal era comemorado, nos países eslavos e ortodoxos, no dia 7 de janeiro, pelo nascimento do Deus Sol (solstício de inverno).

A partir do século III, a Igreja alterou essa data para o dia 25 de dezembro, para comemorá-la como o aniversário de Jesus.

Por esse motivo, culturalmente, todo mês de dezembro vivemos as festas natalinas, culminando com a noite de Natal, no dia 25.

Mas, por que, nesse período, se fala tanto em Papai Noel e tão pouco em Jesus, deixando o aniversariante do mês, de lado, meio esquecido?

Tudo começou com o exemplo de vida de Nicolau de Mira, Turquia, nascido na segunda metade do século III, desencarnado em 6 de dezembro de 326 e que, sob o Império de Diocleciano (244-311) foi encarcerado por se recusar a negar sua fé em Jesus.

Tido como acolhedor dos pobres, principalmente das crianças carentes, se preocupava muito com a educação e a moral tanto das crianças quanto de suas mães.

Possivelmente por tais qualidades, sua imagem, mais tarde, foi transformada no mito do Papai Noel, um velhinho barrigudo e de barba branca, trazendo um saco cheio de presentes nas costas, transformando o Natal em uma grande festa comercial, cujo principal objetivo é o comércio e não o amor.

A imagem do velhinho gordo e barrigudo foi criada no século XIX pelo desenhista alemão Thomas Nast (1840-1902) e aprimorada, em 1931, por Haddon Sundblom (1899-1976),  publicitário norte-americano, a pedido da The Coca-Cola Company.

Seria errado então comemorar no Natal? Claro que não, desde que os presentes trocados estejam envoltos pelo amor ao próximo, pela fraternidade, pela caridade e também pelo amor de Jesus e a Jesus.

Dessa forma, o Natal seria, então, uma grande oportunidade para convidarmos Jesus, o verdadeiro aniversariante do dia, para estar presente em nossa festa de Natal, para lembramos que Ele, com toda Sua grandeza se fez pequeno para tornar grandes os pequenos, pois com toda a Sua doçura e bondade, nos estendeu a mão, reduziu a Sua luz, tomou uma veste carnal e veio até nós trazer Sua sabedoria, um manual do bem viver, nosso sublime legado, e todos Seus ensinamentos foram pautados pela pedagogia do exemplo, pois todos eles tiveram Seu testemunho pessoal.

Jesus foi o grande Mestre, um Espírito Missionário, que veio para combater o paganismo e mostrar a existência do mundo espiritual, ensinando-nos também o processo da conversão do materialismo para o espiritualismo.

Por isso, devemos ter sempre Deus como inspiração e Jesus como exemplo, pois entre a manjedoura e o calvário Ele nos traçou o caminho da vida.

Como nos diz Emmanuel, através de Chico Xavier, a manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade, e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a “noite silenciosa, noite santa”.

Chico ainda nos lembra que Jesus não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros.  

O hábito de se colocar presentes em meias começou no século XII, quando freiras francesas, inspirando-se no exemplo de Nicolau, enchiam-nas com frutas, nozes e laranjas e as deixavam nas portas das casas de pessoas pobres, à noite e em silêncio, hábito esse que se espalhou rapidamente por toda a Europa.

Os ossos de Nicolau encontram-se hoje na cidade de Bari, Itália, roubados que foram do seu túmulo em Mira, nos idos de 1087, por sessenta e dois marinheiros italianos.

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