Jornal Mundo Espírita

Novembro de 2021 Número 1648 Ano 89

Jesus!

setembro/2021

Em todas as épocas, desde aquelas nas quais o princípio inteligente iniciou o seu processo de crescimento, encontrou outros seres que se caracterizaram pela ferocidade e percepções elevadas da vida.

Passaram gerações que se sucederam como as ondas do mar, desenvolvendo as ambições bélicas e os sentimentos de submissão à crença nas Forças Superiores que governam o mundo.

Mesmo nas gerações mais bárbaras existia o temor a respeito da existência humana antes que fosse definida e compreendida, surgindo os cultos terríveis de submissão e respeito, assim como as alegrias de agradecer e obedecer.

No imenso período pré-cristão, surgiram homens e mulheres dotados de poder e força, conhecimento e temor, que se impuseram como líderes e comandantes dos grupos desarvorados que se entredevoravam inconscientes da responsabilidade.

Surgiram Nabucodonosor, na Babilônia; Assurbanípal, na Assíria; Ciro, na Pérsia; Alexandre Magno, na Macedônia; Kwan Kung, na China; Júlio César, em Roma, e, simultaneamente, além dos belicosos e cruéis que criaram e destruíram impérios grandiosos, os missionários do amor e da sabedoria também surgiram.

Krishna, Lao-Tsé, Confúcio, Moisés, Zoroastro ou Zaratustra, Akhenaton, os deuses gregos e romanos assim como os de todas as mitologias e doutrinas animistas, exaltando a imortalidade, ao mesmo tempo que convidavam as pessoas à fé e ao respeito pelo Soberano Máximo da Vida.

Profetas e pítons, feiticeiros e xamãs, intermediários do mundo das sombras a fim de que se pudesse atender e desenvolver as boas inclinações, falando sobre o rio do esquecimento e o despertamento feliz, ou amargurado quando retornavam para advertir os transeuntes carnais.

Deuses e anjos estranhos quão violentos lutavam com aqueles bons e gentis, anunciando o prosseguimento da vida e elucidando os enigmas existenciais.

Pensadores variados mergulharam nas interrogações do Universo e sua grandeza, procurando respostas que explicassem a razão do existir, a questão das dores e das alegrias do bem e do mal. Após reflexões às quais se entregaram em regime total, também contribuíram com a sabedoria adquirida à libertação da vida e à sua extinção em colossais propostas filosóficas, que prosseguem conduzindo o pensamento humano.

Num período em que a Humanidade encontrava-se em paz política sob o imperador Otaviano, nasceu Aquele a que se referiam todas as profecias: Jesus!

Num pequeno burgo onde a natureza esplendia, uma gruta de calcário tornou-se deslumbrante entre animais domésticos, porque ali nasceu o Rei Terrestre, humilde e luminoso, como o zimbório estrelado.

Assistido por pastores e suas ovelhas, sob o domínio tirânico de Herodes, o Grande, homicida e insensível, astuto e cruel, que logo soube da Sua chegada à Terra através da ingenuidade de visitantes que vieram do Oriente, a fim de trazer-Lhe presentes.

Esteve sob armadilha desumana, transferiu-se para a sombra da Esfinge e das pirâmides do Egito, correu nas praias abençoadas do Rio Nilo, até o dia que retornou à pátria, após a morte do tirano enganado e enganador. Cresceu com a espontaneidade do lírio do campo e a beleza dos amanheceres diários, ricos de sol e bons como o mel produzido pelas abelhas laboriosas.

Viveu em modesto lugar, onde a simplicidade das condutas e a pureza dos corações cantavam hosanas ao Senhor, assinalando todos com a ternura angelical do amor.

Jesus é o excelente Filho de Deus, que se ofereceu em holocausto humano para ensinar amor às criaturas humanas, cujo desenvolvimento moral era ainda muito limitado, em razão da pobreza e da cultura então reinante.

Poderoso era aquele que podia execrar e ferir, dominar e matar.

Rico também era quem possuía moedas e valores que o tempo desgasta, os ladrões roubam e sempre ficam, jamais acompanhando os seus mordomos por muito tempo, sempre passando de mãos.

Os sentimentos de respeito e dever confundiam-se ao medo e à soberania dos que se apresentavam como fortes.

O povo era ignorado, vivia do solo ou do mar, dos modestos negócios para a manutenção do corpo.

Ele veio ensinar plenitude e felicidade.

O indivíduo vale pelo que é, e não pelo que carrega com medo e perde no meio do caminho.

A bondade é espontânea como os frutos que nascem das flores, e o ar que sopra sem saber-se de onde vinha e para onde ia.

Foi por essas e muitas outras razões que Ele se tornou especial.

A Sua existência é a mais bela história de vida que se conhece.

A música da Sua mensagem ainda ressoa como a mais grandiosa sinfonia de que se tem notícia cantada na pauta da Natureza, enquanto a brisa do entardecer  musicava aplaudindo cada verso e as primeiras estrelas do anoitecer colocavam lanternas mágicas de luz incomparável nas sombras.

Nunca mais foi olvidada a Sua canção de bem-aventuranças em exaltação das almas sedentas de paz.

Nas atividades magnas, não se permitiu obscurecer pela treva densa e declarou:

Eu sou a luz do mundo!

Continua até hoje como o norte espiritual da Humanidade em claridade sublime.

Ante o desespero dos famintos de alimentos, foi lúcido ao declarar:

-Eu sou o pão da vida.

Prossegue nutrindo os habitantes do planeta fartamente em todos os tempos.

Quando os tumultos desejaram confundir os Seus seguidores, falou, compassivo:

Eu sou o Caminho.

Jamais alguém que O seguiu perdeu a trilha.

À medida que os inimigos se eriçaram e partiram para os ataques ruidosos, Ele confirmou:

Eu sou a Verdade.

No transcurso de vinte séculos, nada substituiu a Sua ética de amor e de paz.

Por fim, quando a falência de muitos aumentou as lutas que se estabeleceram cruéis, Ele proclamou:

Eu sou a Vida e ninguém vai ao Pai senão por mim.

Jesus é a rocha viva para nos apoiarmos sempre.

Nada O abala ou O afasta do foco que nos reserva, que é a plenitude.

*

(…) Lembra-te dEle e nada temas.

Tudo no mundo é transitório, e logo mais o Seu Amor estará sempre contigo e O ouvirás afirmar:

– Tem bom ânimo! Eu sou Jesus!

 Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco,
na noite de 21.9.2020, na Mansão do Caminho,
em Salvador, Bahia.

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