Jornal Mundo Espírita

Maio de 2019 Número 1618 Ano 87
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Jean Meyer, o mecenas de Cristo

julho/2016 - Por Mary Ishiyama

Na parábola dos talentos, Mateus 25:14-30, narra que um homem, tendo de partir para fora da sua terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens.
E a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade e, então, partiu.

Todos nós recebemos talentos ao reencarnarmos. Já paramos, alguma vez, para pensar que uso temos feito deles? De que forma os vimos utilizando ou escondendo-os?

Seríamos capazes de doar nossos talentos materiais?

Pois foi o que fez Jean Meyer. Possuidor de grande fortuna material, colocou tudo à disposição do Espiritismo e dedicou-se, de corpo e alma, à tarefa de sua divulgação.

Ele nasceu em Riken, Suíça, no ano de 1855, em uma família modesta de agricultores. Ainda muito jovem mudou-se para a França, adquiriu nacionalidade francesa e, com muito trabalho, tornou-se abastado industrial e comerciante. Conheceu o Espiritismo por intermédio de sua prima, Mme. Demare.

Era filantropo, escritor, cientista e filósofo. Ao ler as obras de Allan Kardec e León Denis, descobriu nelas uma nova filosofia, plena de lógica e de raciocínio, até então desconhecida, tornando-se um dos mais destacados e ilustre espírita de sua época.

A publicação da Revue Spirite havia sido interrompida em 1915. Pretendendo assegurar a sobrevivência desse órgão, criado por Allan Kardec, Jean Meyer assumiu a sua direção em 1916, fazendo-a reaparecer em janeiro de 1917 e, em 1918, adquiriu os direitos da revista de Paul Leymarie, que permaneceu na gerência até o ano de 1924.

Jean Meyer adquiriu uma residência no número 8, da Rue Copernic, a que deu nome de Casa dos Espíritas. Transferiu para lá a revista que reunia, nesse tempo, as mais destacadas personalidades do Espiritismo: Gabriel Delanne, Léon Denis, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, A. Bénezech, Marcel Laurent, General Abaut, Dr. Gustave Geley, Marcel Semezies, Pascal y Matilde Forthuny, Louis Gastin, Henri Sausse, Paul Bodier, Sir Arthur Conan Doyle, Rocco Santolíquido, León Chevreuil, Hubert Forestier, entre outras.

Fundou a União Espírita Francesa, em sua própria residência, a Vila Valrose, em Paris, juntamente com Gabriel Delanne e Léon Denis. Assumiu a vice-presidência da Casa dos Espíritas, foi membro da Sociedade de Estudos Metapsíquicos e do Instituto Internacional de Metapsíquica, que foi reconhecido como de utilidade pública pelo governo francês. Foi vice-presidente do Congresso Espírita Internacional de Haia, vice-presidente da Federação Espírita Internacional, quando ela teve a sua sede em Paris, além de ter sido membro de numerosas entidades científicas da França e de outros países.

Jean Meyer dedicou-se, resolutamente, ao estudo dos aspectos filosófico e científico da Doutrina Espírita, amparou financeiramente várias instituições assistenciais, dentre elas uma obra erguida em Lyon, pelas senhoras Stephen e Dayt.

Grande estudioso dos fenômenos espíritas, principalmente os realizados no Instituto Internacional de Metapsíquica, recebeu de Léon Chevreuil a observação de que sem Meyer a Metapsíquica não existiria.

Fundou, também, a Jean Meyer Éditeur, criada com seu nome para possibilitar a publicação e propagação dos livros espíritas e metapsíquicos.

Com visão de comerciante e objetivo de divulgar a boa nova, Jean adotou algumas atitudes realmente inovadoras. Em 1922, através de sua fundação, lançou a Éditions Mille, disponibilizando, a preços populares, as obras de Allan Kardec e de autores clássicos e contemporâneos. Somente de O livro dos Espíritos, a tiragem foi de setenta mil exemplares.

Em 1925, na Casa dos Espíritas, realizou o Congresso Espírita Internacional, tendo como parceiros Léon Denis e Arthur Conan Doyle, alcançando pleno sucesso.

No Congresso Espírita de Londres, realizado em 1928, Meyer afirmou que é pela União da Ciência com o Espiritismo, com essa fé racional que ele nos dá, auxiliando-se um ao outro, que chegaremos a uma compenetração cada vez mais justa e sempre mais elevada, da obra de Deus.

Na parábola dos talentos temos o retorno do senhor daqueles servos que ajustou contas com eles.

Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.

Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.

Assim, no dia 13 de abril de 1931, em Béziers, França, dando exemplo de resignação, após longos meses de sofrimento, paciente e corajosamente suportados, o servo bom e fiel foi chamado para junto de seu Senhor, deixando imenso rastro de luz.

 

Bibliografia:

1.LUCENA, Antonio de Souza; GODOY, Paulo Alves. Personagens do Espiritismo. São Paulo: FEESP, 1982.

2.http://www.autoresespiritasclassicos.com/autores%20espiritas%20classicos%20%20diversos/Jean%20Meyer/Jean%20Meyer.htm

 

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