Jornal Mundo Espírita

Outubro de 2021 Número 1647 Ano 89
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Isabel Feodorovna Romanov

junho/2021 - Por Mary Ishiyama

Em novembro de 1864, Alice escreveu uma carta a sua mãe, a rainha Vitória, do Reino Unido, informando-a sobre o nascimento e o nome de sua segunda filha, Isabel Alexandra Luísa Alice, nascida em 1º de novembro, em Darmstadt, Alemanha, na Casa Real de Hesse, um principado germânico menor. Seu nome foi dado em homenagem a Santa Isabel da Hungria e seria chamada Ella, na intimidade familiar.

Ella foi a última da dinastia Romanov. Era filha do grão-duque Luís IV de Hesse-Darmstadt e da princesa Alice, do Reino Unido, neta da rainha Vitória e do príncipe Alberto. Irmã mais velha daquela que seria a czarina Alexandra Feodorovna, esposa do czar Nicolau II.

Ella foi descrita por sua mãe como um doce bebê de olhos azuis-escuros, cabelo loiro; uma criança alegre, gentil, boa e, ocasionalmente, má.  Embora fosse uma família das mais antigas e poderosas da Alemanha, Alice ensinou os filhos a varrerem o chão e arrumar seus próprios quartos, enquanto ela própria confeccionava as suas roupas e as dos filhos. Durante a Guerra Austro-Prussiana, Alice levava Isabel consigo nas visitas que fazia aos soldados feridos hospitalizados.

A vida tranquila e segura de Ella começou a sofrer abalos, em 1878, quando a epidemia de difteria matou sua irmã mais nova. Isabel foi enviada para a casa dos avós paternos, para fugir do contágio. Em dezembro, sucumbiu sua mãe. Sua volta ao lar foi descrita como um verdadeiro pesadelo.

Famosa na sociedade russa, por sua beleza, charme e trabalhos de caridade, teve muitos pretendentes. Casou-se com o grão-duque russo Sérgio Alexandrovich, atitude não  apreciada por sua avó, a rainha.

Sérgio havia perdido seu pai em um atentado à bomba, em São Petersburgo, em 1881 e foi esse sentimento de pesar pela morte dos pais que uniu Isabel e Sérgio.

O casamento foi em junho de 1884, no Palácio de Inverno em São Petersburgo, e ela passou a se chamar Isabel Feodorovna Romanov.

Não tiveram filhos, mas cuidaram dos sobrinhos de Sérgio quando, em 1891, a mãe deles morreu e o pai não sabia como lidar com as crianças. Nesse mesmo ano, Sérgio tornou-se governador de Moscou e o casal foi residir em uma das alas do Kremlin.

Em 1904, com a Guerra Russo-Japonesa, como esposa do governador, Isabel assumiu a liderança das Organizações da Cruz Vermelha na cidade. Enviou ambulâncias e equipamentos para os soldados, organizou salas de trabalho no Palácio, supervisionava e motivava centenas de mulheres a empacotarem material bélico, medicamentos, comida e roupa para os soldados na frente de combate, enquanto cuidava de suas famílias. Vestia-se de forma simples e tinha sempre um sorriso e um elogio para todos, disposta, a qualquer tempo, para executar os trabalhos mais difíceis.

No dia 4 de fevereiro de 1905, foi surpreendida por uma grande explosão. Indo para a rua, viu a carruagem destruída e o corpo de seu marido. Ajoelhou-se junto à neve tingida de sangue e chorou.

Ele podia ser o homem odiado por muitas pessoas, mas para ela, era o companheiro de mais de vinte anos, seu amigo, seu amado.

Apesar do seu sofrimento, foi visitar o cocheiro, que estava gravemente ferido, e ficou ao seu lado, até exalar o último suspiro. Sabendo que o assassino de seu marido seria executado,  implorou ao czar que não o permitisse, mas teve o pedido recusado. Foi até a prisão visitá-lo e, embora o cinismo com que foi recebida, o presenteou com uma medalha religiosa e lhe disse que o perdoava.

Viúva, Isabel abdicou das roupas caras, do palácio e voltou-se aos necessitados. Muito religiosa, fundou a Irmandade Marta e Maria, devolveu as joias da coroa, vendeu as próprias e outros bens. Abriu um hospital, uma capela, uma farmácia e um orfanato em suas terras, trabalhou incansavelmente entre os pobres e os doentes de Moscou. Visitava as favelas e fazia tudo o que podia para ajudar a aliviar o sofrimento dos pobres.

Dormia pouco, fazia ronda pelo hospital. Se percebia um paciente ansioso, sentava ao seu lado e conversava até acalmá-lo. Era comum os pacientes pedirem para morrer embalados por seus braços. Tornou-se freira em 1910l

Em 1917, começou a revolução que determinou a queda dos Romanov, a morte de Isabel e outros familiares. No dia 17 de julho de 1918, eles foram levados a uma mina abandonada, agredidos brutalmente e jogados em uma vala de mais de vinte metros.

Historiadores contam que era possível ouvir Isabel cantando hinos religiosos dentro da mina em ruínas, antes de morrer. Com certeza, ela antevia para onde seguem os justos.

Os corpos foram descobertos no dia 8 de outubro. O de Isabel foi levado para Jerusalém, enterrado na Igreja de Maria Madalena. Em 1981, Isabel foi canonizada pela Igreja Ortodoxa fora da Rússia e, em 1992, pela Igreja Ortodoxa Russa como Neomártir Isabel.

Foi homenageada pelo Convento de Marfo-Mariinsky que ela fundou em Moscou e pelo Convento de Santa Maria Madalena no Monte das Oliveiras, que ela e o marido ajudaram a construir. É uma das mártires do Século XX, que está representada numa das estátuas acima da porta oeste na Abadia de Westminster, em Londres, Inglaterra.

Outra estátua de Isabel foi construída, após a queda do comunismo, na Rússia, no jardim do seu convento em Moscou. Na inscrição se lê À grã-duquesa Isabel Feodorovna: Com arrependimento.

 

Referências:

http://www.alexanderpalace.org/palace/GDElisabeth.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_Feodorovna#Vida_como_freira

 

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