Jornal Mundo Espírita

Setembro de 2019 Número 1622 Ano 87

Ingenuidade materialista

maio/2008 - Por Rogério Coelho

Nos anos 70 do século passado, um endinheirado e excêntrico americano causou o maior frisson na sociedade mundial, ao criar um banco de sêmen de cientistas contemplados com o Prêmio Nobel, com vistas a validar uma teoria essencialmente materialista de que “o cavaco não voa longe do pau”, ou seja: Gênios só podem gerar gênios. Ledo engano!…

Nesse passo o “cavaco” não tem nada a ver com “pau”, já que, intelectual e espiritualmente falando, há, necessariamente, envolvimento do Espírito imortal, agente causador das próprias conquistas e/ou limitações.

Mas, materialistas por excelência, os protagonistas desse absurdo “científico” nem de longe pensaram nos desdobramentos espirituais imbricados na magna questão da vida.

Bastaria um olhar à volta e não seria tão difícil nem raro verificar que existem pais obtusos que geraram filhos geniais e, por outro lado, existem pais brilhantes, renomados gênios, cujos filhos não apresentam nenhum brilho intelectual…

O mais impressionante foi adesão significativa por parte dos premiados do Nobel nesse extravagante projeto. É evidente que a vaidade tomou parte ativa no gesto da “doação” do material. Mas o insucesso não tardou. Não é preciso dizer que o tal banco decretou falência total, trinta anos depois, quando se chegou à conclusão que das 240 crianças geradas pelo “rico e sofisticado material do banco” não saiu nenhum gênio para salvar a teoria. Além disso, nesse plantel, existe um jovem que, aos 20 anos de idade, não logrou ainda emancipar-se do âmbito de ávidas leituras de Harry Potter, sabidamente personagens de livros juvenis. Só conseguiu matricular-se em uma universidade de segunda categoria num curso de religião, e é adepto da Wicca, uma linha de bruxaria americana.

O retumbante fracasso do que poderíamos chamar “malfadado projeto de eugenia laureada” foi amplamente divulgado pela revista americana “Califórnia”, num artigo intitulado, “Children of the Nobel Sperm Bank” (Crianças do Banco Nobel de Esperma).

Mais uma vez o jornalismo  a serviço da humanidade mostrou a sua cara. Lá se foi, portanto, o sonho americano de produzir “super-heróis geniais” alimentado por conceitos de eugenia que só encontram simetria bilateral nas utópicas ambições raciais de Hitler com seu arianismo materialista.

Sem considerar a variável reencarnacionista, o homem continuará guerreando contra os “moinhos de vento” da ignorância e da utopia.

O célebre matemático francês Henri Poncaré, que morreu em 1912, sem ser espírita, acreditava que os gênios matemáticos trazem um “talento congênito”, ou seja, já vêm feitos, o que de maneira sutil consagra a multiplicidade das vidas.

Em sua notável obra “A Reencarnação”, editada em 1937 pela Federação Espírita Brasileira, o cientista francês Gabriel Delanne afirma: “a alma não é fabricada pelos pais, assim a reencarnação é a única explicação lógica das anomalias aparentes”.

Aqui, no nosso Brasil, sem ser laureado pelo Nobel, um sergipano pobre é pai de um jovem chamado Carlos Matheus, que sempre estudou em escola pública e logrou, com apenas 19 anos, um fato inédito num dos melhores centros de formação da América latina., o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada:  obteve os títulos de Mestre e Doutor em matemática, e já planeja ir para Paris, por meio de bolsa de estudo, para realizar curso de pós-doutorado.

Com apenas 14 anos de idade, Matheus deixou o ambiente pobre e despretensioso desse pequeno estado nordestino, mudando-se para o Rio de Janeiro a fim de iniciar seus cursos de pós-graduação.

Em Muriaé, cidade mineira onde resido, existe um aluno com necessidades especiais da APAE que em questão de segundos informa se o dia tal do ano tal é domingo, segunda-feira ou outro qualquer da semana com 100% de acerto.

Sem a compreensão acerca da reencarnação, com sua lógica irrepreensível, os respeitáveis laureados pelo Nobel poderiam inventar mil e uma saídas para tais enigmas, mas jamais poderiam oferecer solução adequada e convincente.

(Artigo baseado em duas matérias publicadas pela Revista “O Espírita” de junho de 2004)

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