Jornal Mundo Espírita

Fevereiro de 2019 Número 1615 Ano 86

Influência do Espiritismo no progresso da Humanidade

fevereiro/2019 - Por Sandra Borba Pereira

A chegada da Doutrina Espírita entre nós, em meados do século XIX, precisamente em 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, assinala um momento especialíssimo no campo do conhecimento humano.

Doutrina de tríplice aspecto, o Espiritismo é uma ferramenta para a compreensão da complexa experiência humana.

Desbravando a essência do ser, apresenta-nos como Espíritos criados por Deus, simples e ignorantes, mas destinados à perfectibilidade, que deverá ser conquistada pelo esforço individual através das múltiplas e diversificadas experiências reencarnatórias. Essas reencarnações são necessárias ao aprimoramento do Espírito, lhe proporcionando experiências e conhecimentos, bases do desenvolvimento do livre-arbítrio, faculdade da razão e da vontade, segundo Santo Agostinho, sem a qual inexistiria o processo evolutivo como resultado da responsabilidade de cada um.

Partindo dessa compreensão espiritualista e reencarnacionista, a existência humana ganha contornos diferentes, afastando o homem da visão materialista e suas consequências mais visíveis: o apego à vida e às coisas materiais, o consumismo, o niilismo e seus nefastos desdobramentos, principalmente o suicídio que é epidêmico, nos dias atuais.

Sob o peso da negação da vida futura o homem se volta à busca desenfreada da satisfação imediatista de seus interesses, com raras e louváveis exceções.

O Espírito de Verdade1 esclarece-nos que à medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Esse é o papel da Educação, completa.

Ainda2, os Espíritos Superiores deixam claro que o Espiritismo contribuirá para o progresso:

 …destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.

Divulgando o conteúdo do Espiritismo, seus adeptos lançam à sociedade um novo paradigma de compreensão sobre o viver na Terra e sobre a vida futura, atuando diretamente no comportamento individual e coletivo. Foi o próprio Allan Kardec que constatou os resultados que o Espiritismo proporciona afirmando em seu discurso3:

Tem impedido inúmeros suicídios; trouxe a paz e a concórdia a grande número de famílias; tornou mansos e pacientes homens violentos e coléricos; deu resignação aos que não a tinham, consolações aos aflitos; reconduziu a Deus os que O desconheciam, destruindo-lhes as ideias materialistas, verdadeira chaga social, que aniquila a responsabilidade moral do homem.

Este depoimento do Codificador, vejamos bem, é anterior à publicação de O Evangelho segundo o Espiritismo que só aconteceria em abril de 1864. Vemos, desse modo, o quanto o Espiritismo bem compreendido e vivido pode proporcionar ao indivíduo, à família e à  sociedade.

Nesse sentido, cabe ao Movimento Espírita a responsabilidade de divulgar pelos meios possíveis o conteúdo esclarecedor e consolador do Espiritismo, sem qualquer intencionalidade de proselitismo, mas cumprindo a orientação crística de não se pôr a candeia debaixo do alqueire.

Finalmente, cada um de nós, que nos denominamos espíritas, temos a responsabilidade moral do esforço de vivência dos postulados evangélico-doutrinários que esposamos para sermos a terra fértil a produzir de conformidade com nossas possibilidades os frutos das boas obras.

 

Referências:

  1. KARDEC, Allan.O livro dos Espíritos.33. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974. pt. 3, cap. XII, q. 914.
  2. Op. cit pt. 3, cap. VIII, q. 799.

3 DISCURSO do Sr. Allan Kardec. Revista Espírita. out. 1861, ano 4, v. 10, tradução de Júlio Abreu Filho. São Paulo: EDICEL, 1965.

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